SP: Polícia barbariza 800 famílias em despejo em Carapicuíba

A- A A+

Mal o relógio marcava 4 horas da madrugada do dia 12 de setembro, e um verdadeiro aparato de guerra montado pela Polícia Militar (PM), Guarda Civil Metropolitana (GCM) e Forças Táticas de municípios vizinhos entrava em ação contra a comunidade do Escadão, em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

Banco de dados AND
Barraca destruída em Carapicuíba, 12 de setembro de 2019
Barraca destruída em Carapicuíba, 12 de setembro de 2019

Da noite para o dia, aproximadamente 800 famílias foram expulsas das próprias casas, construídas em um terreno público, cuja finalidade deveria ser atender à necessidade do direito à moradia do povo, como diz a “fábula” que é a Constituição brasileira.

Terror à comunidade e censura à imprensa

Com o cerco policial e o terror implantado durante a reintegração, os moradores tiveram de retirar seus pertences às pressas e não receberam qualquer indenização pela destruição de suas moradias pela prefeitura, nem mesmo vagas em abrigos.

Para remover os moradores, foram mobilizados diversos helicópteros, mais de 40 viaturas policiais, centenas de policiais fortemente armados, Corpo de Bombeiros e todo o aparato estatal com fins de garantir que os tratores e máquinas passassem por cima das casas.

Na operação de remoção, em flagrante ilegalidade, todos os jornalistas foram impedidos pela polícia de entrar na comunidade, o que não incomodou o monopólio da imprensa. Como boas hienas, sem qualquer menção às proibições e mesmo às ameaças sofridas pelos moradores, inclusive com detenções, os funcionários das grandes emissoras acordaram com a polícia a realização de filmagens do sofrimento do povo ao retirar seus pertences e de algumas casas sendo desmontadas, com a condição de informar que “tudo se passou na maior tranquilidade”.

Mesmo com dois ou três policiais posicionados por viela e com todo o terror prévio, alguns moradores, ainda que encurralados, espontaneamente, após retirarem seus pertences, encontraram uma forma de dar vazão à sua revolta, incendiando suas próprias moradias. A fumaça podia ser vista a quilômetros de distância.

Farsa eleitoral e promessas

O despejo foi idealizado pelo coronel-prefeito do município, Marcos Neves (PV), em cumplicidade com a Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab-SP), dirigida pela prefeitura de São Paulo, e executada pelo aparato policial de diversas estruturas, municipais e estadual, além de contar com a colaboração de magistrados e promotores. Assim fizeram também os ex-prefeitos (Sérgio Ribeiro/PT e Fuad Gabriel Chucre/PSDB) em períodos eleitorais precedentes.

No último deles, Neves prometeu “mundos e fundos” em troca dos votos aos 2,5 mil moradores da comunidade, que há cinco anos viviam no terreno. Na prática, o prefeito entregou a única coisa que o povo pobre nunca deixa de receber do velho Estado brasileiro: ameaças, violência policial e a certeza palpável de que contra as massas se leva uma verdadeira guerra reacionária, livre de piedade com crianças, idosos e mulheres.

“Nos acusam de criminosos, mas quem é que com uma canetada está mandando pra rua, sem ter pra onde ir, as 450 crianças que vivem na comunidade? É o prefeito! Ele veio aqui na época de eleição e falou que ia defender a comunidade, e agora fala que nós somos bandidos?!”, disse uma senhora, que, indignada, também denunciou a farsa eleitoral: “Eu não votei. Anulei mesmo e não me arrependo. Não dei o voto para nenhum deles, porque nenhum deles faz diferença”.

O que as massas dizem

Como relataram moradores, alguns dias antes, o velho Estado já intensificava a implantação do terror na região: policiamento ostensivo, revistas pessoais e domiciliares, barracos invadidos, moradores ameaçados de morte, atendimentos negados nos postos de saúde por determinação da prefeitura, celulares apreendidos sem autorização, escolas e ruas fechadas, além de linhas de ônibus desviadas para que não passassem perto do local.

Após esses acontecimentos, como foi possível notar, inclusive com a repercussão nacional do caso, a prefeitura e seus papagaios do monopólio da imprensa tentaram jogar a população dos arredores e a opinião pública contra os moradores da comunidade, acusando-os de vândalos e criminosos, e de que “haveria tráfico de drogas”.

O Comitê de Apoio ao AND acompanhou o despejo e colheu depoimentos dos moradores.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja