Os povos combatem contra o sistema de exploração e opressão

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Grandes levantamentos de massas têm ocorrido na América latina no mês de outubro. Greves e protestos multitudinários e combativos aconteceram em países como Equador e Chile, onde o povo promoveu verdadeiras batalhas por dias até arrancar suas reivindicações das classes dominantes e seus governos. A revolta fora despertada pela constante pauperização do povo, por novas medidas de fome e superexploração impostas pelos Fundo Monetário Internacional (FMI) e militarização da sociedade.

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Milhares vão às ruas protestar contra a militarização da sociedade
Milhares vão às ruas protestar contra a militarização da sociedade

O heroísmo combatente do povo chileno

No Chile, em 25 de outubro, após uma semana de protestos, ocorreu a maior marcha do país desde o regime militar de Augusto Pinochet, com mais de um milhão de pessoas nas ruas em um país cuja população não ultrapassa 18 milhões.

Os manifestantes cantavam músicas de resistência que eram entoadas contra a tirania do regime fascista de Pinochet e exigiam o fim do estado de emergência declarado no dia 19  de outubro pelo atual presidente, Sebastián Piñera, assim como punição aos militares e policiais que assassinaram, torturaram e prenderam arbitrariamente manifestantes durante a jornada de protestos. Também se colocavam contra o aumento do custo de vida, a estagnação dos salários, o atual regime humilhante de Previdência e educação privatizadas, contra a falta de direitos trabalhistas, entre outros problemas que afetam profundamente o povo chileno.

Especialmente no dia 18/10 os jovens chilenos, em resposta à repressão e aos ataques aos direitos do povo, promoveram verdadeiros combates. Um edifício distribuidor de eletricidade foi incendiado em protesto contra o aumento constante nas conta de luz. Mercados e farmácias foram saqueados e seus produtos foram redistribuídos entre a população; dezenas de estações de metrô da capital Santiago foram incendiadas, bem como numerosos ônibus de transporte urbano como forma de causar prejuízos aos monopólios que lucram com o transporte e fazê-los recuar no aumento de preço das passagens.

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O Instituto Nacional de Direitos Humanos postou no seu Twitter que o número de pessoas presas no Chile, no dia 22 de outubro, seria de 2.840 e 582 feridos. Houve também 67 processos judiciais contra os agentes da repressão, 12 deles sendo queixas de violência sexual, incluindo “desnudamentos, ameaças de estupro e assédio”. Mais de 20 pessoas foram mortas pelas Forças Armadas, lançadas às ruas para reprimir o povo. Até centros clandestinos de tortura foram montados em estações de metrô.

Como resultado da brava e vitoriosa jornada de lutas que vem sendo travada pelo povo chileno, o aumento da tarifa do transporte coletivo foi suspenso, assim como o estado de emergência. Mesmo o genocida presidente Sebastián Piñera anunciou medidas que incluem o aumento de aposentadorias, proposta de redução no número de parlamentares e limites às reeleições, tentando aplacar o sentimento de revolta geral das massas. Ele também pediu “desculpas” e trocou nove ministros, acuado pela força popular. Porém, os protestos prosseguiram.

Greve Geral sacode todo o Equador

No dia 9 de outubro, aconteceu uma grande greve no Equador que apenas em Quito contou com 50 mil indígenas em marcha, greve conclamada por movimentos indígenas e camponeses, operários e revolucionários contra as “medidas de fome” de Lenín Moreno. A grande Greve Geral contou com alta combatividade dos camponeses, que enfrentaram as forças repressivas e defenderam seu direito de lutar em diversas cidades do país. Ao longo do dia, centenas de manifestantes foram presos e dois foram mortos, devido à brutal repressão policial.

Saques foram realizados em algumas regiões, como Guayaquil, pela população achacada pela miséria. Um dos locais saqueados foi a fábrica de leite Parmalat. Todas as instituições públicas ficaram fechadas e paralisadas, tais como a Assembleia Nacional, a promotoria, os tribunais e todas as entidades governamentais e estatais. O serviço de transporte também foi suspenso.

O país, naquele dia, continuava submetido ao estado de exceção, que suspende o direito à liberdade de associação e reunião, liberdade de ir e vir e dá ao governo direito à censura, dentre outras medidas de guerra aplicadas contra o povo. Em resposta, as comunidades indígenas/camponesas “decretaram” estado de exceção em seus territórios e passaram a impedir a presença de militares, policiais ou grupos armados do velho Estado. Nos bairros populares de Quito, também as massas começaram a organizar comitês de segurança.

Na capital os manifestantes, em sua maioria indígenas, se reuniram no Parque El Arbolito, perto da Assembléia Nacional, no dia 9. A partir daí iniciaram a marcha em direção ao Centro Histórico, com 50 mil pessoas. Milhares de manifestantes concentraram-se na avenida 10 de Agosto, onde queimaram pneus e bloquearam a estrada. Exigimos que o Decreto 883 seja eliminado! Abaixo ao pacotaço!, entoavam em voz alta.

A Frente de Defesa de Lutas do Povo (FDLP) divulgou que, durante a greve geral, “a comunidade de Aláquez, na província de Cotopaxi, e a comunidade de Paragachi, na província de Imbabura bloquearam as rotas de abastecimento de alimentos, combustível e trânsito de pessoas para as grandes cidades. Eles cercaram as cidades pelo campo”, explica.

Na noite do dia 8 de outubro (ainda antes da greve), na província de Cotopaxi, indígenas e camponeses da região detiveram 47 soldados da Brigada de Forças Especiais da Pátria e três caminhões a caminho das instalações da Explocen S.A. A fábrica está localizada na estrada Sanquisilí-Poaló e pertence às Forças Armadas. Ademais, diversos tanques de guerra foram destruídos em várias regiões do país durante a jornada de luta.

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Manifestantes disparam morteiro caseiro
Manifestantes disparam morteiro caseiro

Também, no dia 8 de outubro, em Quito, cerca de 10 mil indígenas tomaram o prédio da Assembleia Nacional, entoando a palavra de ordem de Fora Moreno! Horas depois de os policiais retirarem os manifestantes do local, o presidente, Lenín Moreno, decretou toque de recolher noturno em áreas ao redor de prédios públicos e anunciou a transferência da sede do governo central de Quito para Guayaquil, em vista da chegada iminente de milhares de indígenas que avançavam pelas principais estradas das montanhas andinas para a greve.

Depois de quase duas semanas de um intenso levantamento de massas, o povo equatoriano foi traído pelas direções oportunistas. Em negociações, líderes oportunistas do movimento camponês aceitaram paralisar as mobilizações caso fosse derrubado o fim do subsídio (que causaria aumento dos combustíveis), porém aceitaram as demais medidas que afetam o salário e a terceirização do trabalho.

Apesar de o decreto 883, que punha fim ao subsídio de combustíveis, ter sido derrubado pelas massas e revogado no dia 13 de outubro, o governo, as lideranças oportunistas e a “Organização das Nações Unidas” concordaram em criar um novo decreto, pois, afinal, é uma imposição do FMI que novas reformas econômicas sejam feitas. Ademais, a única medida derrotada do “pacotaço” de Moreno foi o decreto 883. Continuam em voga o achatamento dos salários e a terceirização do trabalho, entre as múltiplas medidas antipovo.

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