O ‘telhado de vidro’ de Bolsonaro na Amazônia

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Falsa defesa do pequeno garimpo oculta ligação com latifúndio e mineradoras

No mês de setembro, um grupo de 250 garimpeiros bloqueou por cinco dias a rodovia BR-163 no Pará, após ter sido flagrado por fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), unidos com agentes da Força Nacional e do Exército na floresta nacional do Crepori, sudoeste do estado. Os manifestantes, que tiveram seus tratores e retroescavadeiras queimados pelos agentes, exigiam o fim das ações dos órgãos ambientais e da destruição de seus equipamentos, além de que o governo Bolsonaro regularizasse as áreas de mineração na região, “possibilitando que os pequenos garimpeiros desenvolvam legalmente suas atividades”.

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População incendeia sede do Ibama no Amazonas, outubro 2017
População incendeia sede do Ibama no Amazonas, outubro 2017

Uma semana depois, o mesmo grupo de garimpeiros se encontrou, em Brasília, com Ricardo Salles e Onyx Lorenzoni, ministros do Meio Ambiente e da Casa Civil respectivamente, em uma reunião que terminou com um aceno positivo do governo à liberação de atividades econômicas dentro de terras indígenas e áreas de proteção ambiental. Desde que assumiu seu posto, Salles se comprometeu múltiplas vezes a reduzir as punições do Ibama e acabar com a sua “farra de multas”. 

Ao se travestir de apoiador do pequeno garimpo, Bolsonaro e sua corja se utilizam da situação dos garimpeiros para desimpedir os entraves jurídicos que restam para impulsionar o agronegócio, especialmente a grande mineração, na região da Amazônia Legal. A abertura jurídica para a extração mineral em áreas indígenas ou de reserva serve, na realidade, ao avanço das empresas mineradoras monopolistas, uma vez que o pequeno garimpo, enquanto produto da condição semifeudal do Brasil, só existe dentro da informalidade, nos territórios proibidos, pois estes ainda estão fora do alcance das garras da exploração do latifúndio e das mineradoras. 

A saga do garimpeiro

A figura do garimpeiro tal como ela existe hoje, na Amazônia, surge com o processo de migração populacional e de capitais para a região durante os anos 70 e 80, baseado tanto na incorporação de terras quanto na mobilização de mão-de-obra como força de trabalho nos empreendimentos que iam surgindo à medida que a fronteira agrícola avançava. 

Apesar da promessa feita pelo regime militar de que a Amazônia seria uma “terra sem homens para homens sem terra”, essa população teve seu acesso à terra negado, ao passo que começou a sofrer com a falta de emprego. Acabou, então, por ocupar atividades diversas, até mesmo várias em um período de um ano. Trabalham com o que calhar de aparecer, ora no garimpo, ora em madeireiras ou empreiteiras, ora até como peões em fazendas alheias. Sendo assim, os garimpeiros nada mais são do que camponeses pobres sem-terra obrigados, por sua condição, a submeterem-se ao garimpo ilegal como alternativa de sobrevivência, em sua luta contra a expropriação e a exclusão social. 

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