De Karl Marx ao Marxismo: Luta de classes, luta de duas linhas e linha de massas (Parte IX)

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Luta de classes, luta de duas linhas e linha de massas (Parte IX)

  1. Anti-Dühring e a sistematização do Marxismo

O Congresso de Gotha e a correspondente fusão com os lassallianos significou um importante decaimento ideológico do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). No mesmo ano daquele Congresso, 1875, Marx e Engels já haviam percebido uma influência particularmente negativa na direção do Partido. Tratava-se das formulações teóricas, pseudo-socialistas e pseudo-científicas, de um professor de filosofia da Universidade de Berlim, chamado Eugen Dühring, que recentemente havia se proclamado “comunista”. Ao lado dessa proclamação, Dühring compôs um extenso sistema teórico, que abrangia a filosofia, a economia e a teoria social. Ele autoproclamava seu sistema como um “revolucionamento da ciência”, e pretendia corrigir supostas falhas no pensamento de Marx.

Engels Sintetiza as Partes Constituintes do Marxismo no Anti-Duhring

De início, mesmo os principais dirigentes da esquerda da Social-Democracia, Bebel e Liebknecht, avaliaram como positiva a auto-proclamação de Dühring como “comunista”. No entanto, rapidamente corrigiram seus posicionamentos a partir da correspondência com Engels. Por sua vez, a direita da Social-Democracia saudava efusivamente a teoria de Dühring, visando se apoiar nela para substituir o marxismo e suas “inconveniências” revolucionárias. A direita havia conseguido uma grande vitória no Congresso de Gotha e pretendia, então, lançar uma ofensiva contra a esquerda no Partido. Dentre os propagandistas de Dühring, estava Eduard Bernstein, dirigente social-democrata, que após a morte de Engels, em 1895, se tornaria o principal teórico das primeiras formulações revisionistas.

A figura de Dühring era insignificante para o Movimento Comunista Internacional (MCI). No entanto, foi visando a demolir tal linha de direita na Social-Democracia da Alemanha que Engels elaborará essa grande obra teórica: Anti-Dühring. Isso fica evidente nos seguintes trechos da correspondência entre Engels e Marx, no ano de 1875:

Engels: “Pergunta-se se não será tempo de tomar seriamente em consideração a nossa atitude em relação a estes senhores.”

Marx: “A minha opinião é que a ‘atitude em relação a estes senhores’ só pode ser tomada criticando Dühring sem contemplações.” (Correspondências, Marx e Engels, negrito nosso)

“Estes senhores” eram justamente os representantes da linha de direita: Bernstein, Most e Viereck.

Engels dedicará parte do ano de 1876 para estudar a extensa obra de Dühring e preparar sua réplica. Como ele mesmo afirma, todos os manuscritos foram lidos anteriormente por Marx, que fez várias sugestões e inclusive escreveu alguns capítulos da sessão Economia Política. A publicação do Anti-Dühring foi feita por capítulos no jornal teórico do SPD. A publicação da primeira parte aconteceu em janeiro de 1877 e da última em julho de 1878. Neste mesmo ano foi editado um livro com o conjunto dos artigos reunidos intitulado: Revolucionamento da Ciência pelo Senhor Eugen Dühring. Filosofia. Economia Política. Socialismo. Mas será como Anti-Dühring que a obra seguirá sendo conhecida daí em diante no MCI.

A publicação do Anti-Dühring coincide com a promulgação da Lei Anti-Socialista, do imperador Bismarck. O livro, assim como toda a propaganda social-democrata, foi censurado, o que resultou, nas palavras de Engels: na triplicação de suas vendas. No entanto, não só o imperador tentou impedir sua circulação. No Congresso do SPD, em 1877, a linha de direita propôs a suspensão da publicação dos capítulos do livro de Engels no jornal partidário. Essa proposição foi rechaçada por Liebknecht, mas por muito pouco não chegou a ser aprovada.

Tamanho ódio, do oportunismo e da reação, pela obra de Engels, tinha sua explicação. O Anti-Dühring, depois de O Capital, era uma das obras mais completas do marxismo. Na verdade, apesar de ser uma obra polêmica, permeada pela contestação aos argumentos de seu oponente, o Anti-Dühring de Engels é a primeira exposição sistemática do marxismo em suas três partes constitutivas: a filosofia marxista, a economia política marxista e o socialismo científico. Essas três partes constituem, justamente, as três sessões do livro.

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