RJ: Trabalhador é executado pela UPP

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Um trabalhador identificado como Francisco Laércio Paula Lima, de 26 anos, foi executado com dois tiros na cabeça por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela Barreira do Vasco, zona norte do Rio, no dia 9 de novembro. O homicídio ocorreu durante uma incursão às 6h30 da manhã, quando Francisco chegava do estabelecimento onde trabalhava. Ele estava apenas com um café quando foi alvejado.

Segundo depoimento dos moradores, essa execução é consequência da ordem do novo comandante da UPP, que foi posto no cargo há poucos meses, já durante o governo Wilson Witzel. Segundo uma moradora que mora há 25 anos na favela e não quis identificar-se, “a nova ordem é atirar, atirar e atirar”.

Uma testemunha relatou, com exclusividade ao AND, o momento do ocorrido: “O policial entrou na rua e falou assim: ‘se correr eu vou dar’, e já deu três tiros para o alto. Todo mundo se jogou nos comércios, e eu que estava com a minha moto joguei ela para o canto e fui junto para um bar. Daí o policial se apoiou perto de mim e atirou, pow, na cabeça. O Francisco estava com um saco de supermercado com uma frigideira e uma sandália para a mulher dele, e um copo de café”.

A moradora prossegue: “Quando ele [Francisco] caiu no chão os próprios policiais viram que era morador, saíram gritando para outros policiais: ‘Porra, fiz merda, matei um morador, matei um morador’. E depois inventaram que teve troca de tiro, uma mentira. Não tem nem cápsula de tiro, só as dos policiais”. A moradora pediu anonimato, pois, segundo os trabalhadores que residem na Barreira, a UPP tem promovido quebra de direitos e invasão à domicílio.

 Moradores Protestam em Frente à UPP da Barreira do Vasco Pela Execução de Francisco Laércio

Povo se mobiliza em protestos

Em resposta ao crime policial, centenas de moradores promoveram dois protestos: um logo após a execução, e outro durante a tarde, ambos no dia 9. Os moradores repudiaram os policiais logo após o crime. “Olha aí o que eles fazem! Matam morador e agora querem sair de inocentes! Não pega cadeia, nada cai pra cima deles, bando de filho da puta”, disse uma jovem, emocionada, diante do corpo de Francisco, ainda ensanguentado.

“Porra, 7h da manhã! Isso não existe. Todo mundo chega do trabalho, indo para o trabalho. Eu cheguei às 3h da manhã do trabalho! E se fosse eu!?”, protestou um outro trabalhador.

O protesto, que seguiu ao assassinato de Francisco, foi reprimido com bombas de efeito moral e ameaças de disparos com fuzis e submetralhadoras. “Tira a farda! Tira a farda! Vem cá, tira a farda!”, gritavam os jovens e trabalhadores que protestaram, revoltados com a execução.

De tarde, outro protesto iniciou-se por volta das 15h. Os moradores gritaram Justiça! Justiça! e fizeram várias críticas à UPP, reunindo-se na quadra em frente à sede dessa instituição. Enquanto isso, os agentes riam e conversavam descontraidamente.

Um trabalhador que participou do protesto, Flávio, afirmou: “Pô, é legítimo a gente fazer isso daqui, ó: botar fogo mesmo nesses ônibus, que são dessas empresas capitalistas que cobram caro pra caramba. A gente não aguenta mais essa guerra, essa guerra que matou um trabalhador, da minha favela, essa guerra que não é nossa”.

Menos de 24h depois do assassinato, os policiais que participaram do crime foram soltos da “prisão” administrativa. Eles haviam sido recolhidos pela Corregedoria por “descumprimento de ordem” e não pela morte.

 

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