SP: PM de Doria/PSDB promove massacre e torturas durante festa

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Na madrugada do dia 1º de dezembro, a Polícia Militar (PM) do governador João Doria/PSDB assassinou nove jovens ao atacar um baile funk que era realizado na favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Os agentes de repressão realizavam a Operação “Pancadão” e a multidão que se divertia no evento se assustou com os barulhos de disparos dos militares. Em meio ao tumulto, jovens foram torturados, espancados e asfixiados pelos militares.

Das nove pessoas que morreram, quatro tinham menos de 18 anos. O jovem mais novo tinha 14 anos e parte não era moradora da comunidade. Além dos mortos, 12 jovens foram hospitalizados.

População de Paraisópolis Protesta Contra Ação Terrorista da PM

A PM deu sua versão afirmando que agentes do 16º Batalhão Metropolitano foram “alvos de disparos” quando realizavam a operação. No entanto, inúmeros relatos de testemunhas e vítimas deixam claro que a ação policial teve o objetivo de aterrorizar a juventude que participava do baile. “Uma armadilha”, apontam.

Este ato covarde e terrorista da PM gerou intensa revolta. Centenas de moradores de Paraisópolis realizaram uma grande manifestação que percorreu ruas da região. Durante o ato, os habitantes da favela carregaram faixas e cartazes expressando seu ódio contra a polícia e contra a política de extermínio que é levada a cabo contra os pobres em SP e em todo o Brasil.

 

Criminosos fardados espancaram jovens

As imagens da selvageria cometida pelos policiais correram o Brasil e o mundo causando intensa revolta. As cenas vão desde jovens sufocados em vielas, até policiais dando madeiradas em pessoas indefesas, incluindo um rapaz com muletas. Bombas, tiros de bala de borracha e disparos de armas de fogo foram usados pelos agentes da repressão durante o ataque às cerca de 5 mil pessoas que participavam de um baile funk.

Porém, as denúncias não param por aí.

Em matéria assinada por Lúcia Rodrigues, o portal Viomundo divulgou relatos de testemunhas do massacre que, em condição de anonimato, contaram que as vítimas não morreram pisoteadas como o monopólio da imprensa noticiou inicialmente. Segundo o site, os moradores afirmam que “os jovens foram muito espancados e teriam sido asfixiados pelo gás lacrimogêneo e spray de pimenta ao serem encurralados em uma das vielas da favela”.

Uma senhora contou que os corpos ficaram espalhados pelo chão, vários deles na escada que dá acesso ao beco.

“Não consegui dormir depois das cenas que vi. Foi desesperador ver o que esses meninos passaram. Os PMs bateram sem dó. Mataram na porrada e com spray de pimenta e bombas de gás. Não foram pisoteados”, revela.

“Os meninos pediam socorro, estavam passando mal. Tinha muito gás lacrimogêneo, não dava para respirar. Sete já saíram daqui mortos. Alguns estavam com os lábios roxos.”

A matéria aponta que o processo de asfixiamento pode ter sido agravado pelo fato de a viela estar localizada há mais de um metro abaixo do nível da rua e entre altas paredes. A moradora também desmente a versão policial de que os PMs perseguiam uma moto quando deram de cara com o baile funk. “A história da moto é mentira, balela. Não tinha moto nenhuma”.

Também em entrevista ao Viomundo, outro morador igualmente contestou a versão policial.

“O que o delegado está falando é mentira. Eles já vieram determinados a matar a meninada na maldade. Encurralaram e bateram com cassetete de madeira na nuca, nas costas. Foi um massacre. Eles dizem que foram recebidos à bala, mas não foram”, declara.

Já Valdemir José Trindade, dirigente da associação de moradores União em Defesa da Moradia, em depoimento ao mesmo portal, trouxe à tona mais denúncias. Ele disse que vários dos feridos não estavam nem participando do baile. “A rua faz uma encruzilhada. De um lado tem o baile funk, de outro tem forró, de outro tem samba, do outro tem barzinhos”, esclarece.

O líder comunitário afirma que, dias antes do massacre, áudios recebidos por moradores alertavam que a chacina estava prestes a ocorrer. “Recebemos áudios dizendo que a polícia ia fazer uma tragédia na comunidade Paraisópolis de vingança. Mas ninguém acreditou”.

Valdemir ainda criticou a postura do governador João Doria frente ao massacre.

“O Doria mora aqui do lado, no Palácio [dos Bandeirantes]. Não adianta dizer que lamenta. Ele está dando apoio para que isso aconteça. A Polícia Militar tem uma facção miliciana”.

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