Um ano de governo do terrorista Witzel no Rio de Janeiro: Cresce a guerra civil contra o próprio povo

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Já no fim de 2019, o número de pessoas assassinadas pela Polícia Militar (PM) do estado do Rio de Janeiro ultrapassou todos os recordes até então registrados. Só neste ano foram 1.546 pessoas assassinadas, segundo os dados oficiais, sem contar os meses de novembro e dezembro. Em média, cinco pessoas são assassinadas por dia no estado do Rio, dentre elas (e em sua maioria) a juventude favelada, estudantes e trabalhadores de diversas idades. A estimativa é de que, até o final de dezembro de 2019, o número aumente para 1,8 mil mortes cometidas por policiais militares.

Estes números apontam a realidade de guerra às favelas e aos pobres que tem sido intensificada a mando do governador Wilson Witzel (PSC), que em diversas declarações públicas, ao longo do ano, deixou claro seu ódio contra o povo das favelas e sua política reacionária de extermínio.

Um governador com ódio mortal ao povo

Em junho deste ano, o governador terrorista chegou a declarar que “se fosse com a autorização da Organização das Nações Unidas, em outros lugares do mundo, nós teríamos autorização para mandar um míssil naquele local e explodir aquelas pessoas”, referindo-se à favela Cidade de Deus. E não tardou, meses mais tarde, a disparar granadas contra a comunidade, lançadas de cima de helicópteros.

As favelas cariocas vivem sob intensos tiroteios e operações de guerra promovidas pela PM sob o pretexto de “combate ao tráfico de drogas e roubos de carga”, que são, não por coincidência, realizadas em horário de aula e quando muitas pessoas estão a caminho do trabalho.

Desde o início de 2019, as operações passaram a ser diárias em diversos pontos da cidade, como Cidade de Deus, Vila Kennedy e nos  Complexos do Alemão, Chapadão e da Maré, deixando claro a predileção da polícia em promover o terror em favelas que são controladas por um dos grupos varejistas em especial.

Dentre as mortes promovidas pela polícia, inúmeras crianças, idosos e trabalhadores são covardemente assassinados. Além dos assassinatos, os policiais cometem atos de estupro, tortura, destruição de moradia e saqueio contra a população. Moradores do Complexo do Alemão chegaram a denunciar tamanha brutalidade dos policiais que estes, para não ter seus assassinatos contabilizados nem apurados contra a corporação, executam pessoas a facadas, como foi o caso do mototaxista Wellens dos Santos, de 18 anos, brutalmente assassinado dias antes da pequena Ágatha Félix, de apenas 8 anos, no Alemão. Em uma declaração de novembro em que expressou todo o seu deboche, o governador chegou a afirmar que o aumento do número de mortes é “reflexo de uma política de segurança combativa”. Essa afirmação deixa patente sua política consciente de combate aos pobres e favelados no Rio de Janeiro. 

A população carioca dá respostas

Após constantes injustiças, ameaças e humilhações promovidas pelo velho Estado na tentativa de intimidar e amedrontar o povo carioca, diversas favelas ferveram em luta contra Witzel e sua política reacionária.

Foram meses de demonstrações de combatividade contra os assassinatos e ataques criminosos cometidos pela polícia. No mês de agosto, na Cidade de Deus, moradores cansados das operações diárias e abusos cometidos pela polícia realizaram um protesto e ergueram uma barricada de pneus em chamas próximo ao Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da região.

Em setembro (mês que concentrou grande parte dos protestos), as massas desataram rebeliões na Vila Kennedy e nos Complexos do Alemão e do Chapadão. Na Vila Kennedy, moradores fecharam uma das principais vias da cidade, a avenida Brasil, com cerca de cinco ônibus enfileirados, em repúdio ao injusto assassinato de um pedreiro durante uma operação.

No Chapadão, moradores e mães realizaram um ato contra o assassinato do jovem Kaue dos Santos, de 12 anos, que vendia balas para ajudar na renda familiar, e contra as torturas sofridas pela população no local, nas mãos do 41º Batalhão da PM, conhecida popularmente por seus atos de terrorismo contra o povo pobre e favelado.

No Complexo do Alemão, iniciou-se em setembro uma jornada de protestos em rechaço ao assassinato cruel de Ágatha Félix. Em outubro, cerca de mil pessoas marcharam da localidade da Grota até a comunidade da Fazendinha, onde Ágatha foi alvejada com um tiro de fuzil de um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local. A denúncia foi clara: os manifestantes gritavam palavras de ordem como Não acabou! Tem que acabar! Eu quero o fim da Polícia Militar!, Witzel assassino! e Chega de chacina, polícia assassina! Também contra o assassinato de um jovem mototaxista, Kelvin Gomes, de 17 anos, em outubro, moradores da comunidade do Para-Pedro ergueram uma barricada e incendiaram um ônibus na principal via de acesso à comunidade.

Pichações e cartazes puderam ser vistos por toda a cidade, sobretudo na zona norte, denunciando o arqui-inimigo do povo que governa o estado e sua política terrorista, com os dizeres Witzel assassino e terrorista!

Juventude Combatente Rechaça Guerra Civil Reacionária Promovida por Witzel

Só uma Grande Revolução pode mudar tudo

As razões para o crescimento cada vez maior da guerra civil contra o povo, que é permanente, são o grande contingente de pessoas desempregadas, o estado de crise da economia (crises que se tornam cada vez piores e só podem desaparecer para sempre com uma revolução) e o perigo de um levante de massas.

Nessa situação, a miséria cresce e, junto dela, o desespero e o perigo de surgir um movimento de protestos populares que ameacem esse sistema reacionário, no qual os grandes burgueses e o latifundiários enriquecem às custas da exploração do povo. Cresce também a quantidade de pessoas que, desiludidas e lançadas às mazelas da sociedade, recorrem à criminalidade como meio de sobreviver e ao tráfico varejista de drogas como meio de alcançar uma ilusória “vida de luxo”.

Ao invés de focar em resolver o desemprego, aplicando os recursos públicos em industrialização, realizar uma distribuição dos latifúndios para entregar a terra aos pobres do campo que são obrigados a vir para as cidades, garantir condições dignas para os trabalhadores com elevação dos salários etc., os governos preferem a repressão, o encarceramento e a eliminação em massa dos pobres, porque realizar todas aquelas mudanças chocaria com os privilégios e com a dominação dos grandes burgueses e latifundiários. Os políticos que ganham as eleições são previamente financiados por estes mesmos dominantes para garantir que ninguém mexerá em seus interesses, enquanto, por dentro, o sistema funciona para defender os ricaços.

A política de todos os governos dessa guerra civil é executar pobres em geral, e não apenas quem entra para a criminalidade, para evitar que o povo tenha liberdade e colocá-lo sob o terror para tentar impedir o crescimento de um movimento popular. Por isso morrem tantos jovens e trabalhadores sem nenhum envolvimento com o crime, em situações de “balas perdidas” e “disparos acidentais”, durante operações realizadas quando todos estão nas ruas. É evidente o temor que os governantes sentem do potencial das massas populares, por isso os gastos destinados ao seu genocídio são exorbitantes, com equipamentos e armamentos novos.

Elevando o princípio de que Rebelar-se é justo!, as massas mais pobres e sofridas do Brasil poderão de fato mudar a ordem vigente por meio de seu inevitável levantamento. A violência a que as massas estão acostumadas se voltará contra os latifundiários, grandes burgueses e políticos criminosos que afundam o país na lama da miséria. Por isso, a Revolução de Nova Democracia é o único meio de dar um basta nessa matança cotidiana de pobres e apontar o caminho para uma sociedade nova.

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