Coca Cola É ISSO AÍ

Em entrevista para AND, o ex-executivo da Coca Cola, César Azambuja, revela as práticas ilícitas, desmandos e crimes cometidos pela transnacional ao redor do mundo para manter o monopólio do mercado de refrigerantes. Azambuja iniciou sua luta contra a corporação por uma questão pessoal, após ter sido demitido injustamente da companhia por razões não profissionais. No entanto, ao ver o poder da transnacional sobre as instituições do Estado, entre elas a justiça, Azambuja resolveu adentrar numa luta mais ampla. Primeiro, publicou o seu livro Isso sim, é real, onde narra sua trajetória como executivo da Coca Cola, revelando bastidores (repletos de jogos de vaidade e mediocridades), erros crassos de gestão administrativa, passando por práticas anti-éticas e até ilícitas como o polêmico episódio envolvendo o próprio Azambuja, e escutas telefônicas. Dando continuidade ao livro, Azambuja lançou o blog, onde publica diariamente artigos e denúncias contra a Coca Cola ao redor do mundo, unindo-se a uma frente única mundial que atua na internet denunciando e combatendo as ilicitudes, abusos e desmandos desta nefasta companhia, cujas práticas são comuns a todos os monopólios imperialistas.

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Atualmente, a minha questão pessoal, meu processo trabalhista contra a Coca Cola está em décimo plano. Meu objetivo principal agora é o de somar forças com diversas pessoas que estão combatendo a Coca Cola ao redor do mundo. A questão, agora, é algo bem maior.

Todos os dramas pessoais de César Azambuja, incluindo os de consciência, assim como sua questão trabalhista com a corporação Coca Cola são narrados no livro Isso sim é real , além de revelar que a "fogueira de vaidades", falta de ética e atividades ilícitas como espionagem já fazem parte da tradição da empresa, há muito tempo. Bem antes de Laerte Codonho, presidente da marca de refrigerantes Dolly (uma empresa nacional), ter sido vítima de espionagem industrial e ter levado o caso a público através dos meios de comunicação que não tinham a Coca Cola como potencial cliente-anunciante, ousando enfrentar as pressões do monopólio.

Foi depois de assistir a entrevista de Laerte Codonho no programa independente 100% Brasil, exibido pela emissora de canal aberto Rede TV!, em horário alugado das 23 horas de sábado, que Azambuja reuniu forças para voltar ao combate, não apenas para resolver sua questão pessoal, mas para combater de frente o poder quase absoluto da famigerada empresa. Escrito no ano de 2002, o livro é a entrada de Azambuja numa luta em que se uniu ao empresariado nacional da indústria de refrigerantes (A Coca Cola chama a todos de tubaína, apesar de existir um sabor de refrigentante com esse nome em algumas regiões), entidades de direito, movimentos sociais, trabalhistas e humanistas, enfim, todos que são lesados, injustiçados ou vítimas dos atos criminosos e ilegais perpetrados pela Coca Cola. Dando continuidade ao livro, o blog (diário eletrônico) passou a ser um catalizador dos movimentos anti-Coca Cola no mundo:

— Recebo diariamente denúncias e artigos por parte de organizações humanistas sobre irregularidades da Coca Cola pelo mundo e a luta das pessoas para que estes desmandos não fiquem impunes.

Coca Cola faz mal

Azambuja mostra através de relatório da Transnationale, que pode ser visto na íntegra através do site www.transnationale.org, que a Coca Cola é uma das corporações mais danosas do planeta, pois dentre os cinco impactos negativos classificados pela Transnationale, a Coca Cola provoca quatro deles: impacto social, ambiental, humano e influência prejudicial sobre a democracia. O impacto social se dá através das relações de exploração do trabalho, seja por meio da utilização do trabalho forçado como também do trabalho infantil em alguns países, assim como o uso de práticas anti-trabalhistas, existindo denúncias de envolvimento em assassinatos de líderes sindicais na Bolívia. No que tange ao impacto ambiental, destaca-se a poluição, modificação genética de organismos e violações das leis de proteção ao meio ambiente. Já o impacto humano se dá pela violação dos direitos humanos (empregados que sofrem acidentes de trabalho e não são indenizados, entre outras atrocidades) e práticas ilícitas como lavagem de dinheiro em paraísos fiscais. Finalmente, o relatório também aponta a influência danosa da Coca Cola (l'aqua nera del imperialismo – no dizer do proletariado revolucionário italiano) sobre a "democracia" de modo a manter os interesses imperialistas ao redor do mundo, seja financiando golpes de ditaduras reacionárias, como a eleição de candidatos representantes do imperialismo, tendo como caso mais recente o apoio financeiro (US$785.410) à reeleição do facínora Bush, além de toda a ligação histórica da Coca Cola com o ultra-conservador e reacionário partido republicano do USA.

Derivados da folha de coca

O calcanhar de aquiles da Coca Cola continua sendo a questão de sua composição química, formada por diversas substâncias, entre elas o tal segredo chamado "fator número 7". Sempre tentando desviar o cerne da questão, os técnicos alegam que não podem revelar o seu segredo industrial, o referido fator. No entanto, não é sobre o fator número 7 que se questiona a composição

— Eles tentam escapar, alegando que o fator número 7 é uma fórmula industrial. No entanto, ninguém está querendo saber sobre o tal fator número 7. O que se quer saber é a respeito do item extrato vegetal, que não é especificado e por lei é obrigado a se especificar. É nele que existem derivados da folha de coca que, se acredita, pode causar um certo grau de dependência. Se o grau é forte ou não só vamos saber analisando. Se não tem problema, por que não revelar? — afirma Azambuja Comprovando-se o grau de dependência do referido extrato que o coloque na categoria de droga ilícita, de fato "a água negra do imperialismo" estará incorrendo no crime de tráfico de drogas, além de já não cumprir a lei de importação não especificando o contúdo do extrato vegetal, pois a lei exige que se especifique as substâncias utilizadas e a denominação extrato vegetal não é suficiente. Além disso a lei também exige que se analise os produtos importados, o que no caso da Coca Cola, é feito com amostras devidamente forjadas pela companhia. Outra forma de desviar a questão da saúde pública é através do sensacionalismo barato, conforme declarou Azambuja:

— Quando a situação aperta, eles colocam anúncios de página inteira em jornais da grande mídia avisando que a Coca Cola não tem cocaína, que é uma "empresa cidadã", 60 anos no Brasil. Mais uma vez desviam a atenção da verdadeira questão que está sendo colocada. Ninguém está dizendo que tem cocaína na Coca Cola, mas pergunta sobre a composição do extrato vegetal.

Apesar de agir contra a lei, a Coca Cola é um exemplo de que as instituições do Estado são feitas para servir ao imperialismo, na figura de suas empresas monopolistas. Exemplo disso ocorreu recentemente no Congresso, onde uma comissão investiga os desmandos da Coca Cola. Renato Cozzolino (Partido Social Cristão PSC-RJ), um dos deputados federais que pertencem à comissão, ao dirigir perguntas ao presidente da Coca Cola, como a um dos químicos responsáveis sobre a questão do extrato vegetal, recebeu uma resposta debochada e prepotente, utilizando-se das garantias que poder econômico oferece às grandes corporações no Brasil:

— É um absurdo, eles não cumprem a lei, debocham das autoridades. No Congresso, onde dizem que é a casa do povo, quando eles foram perguntados sobre a composição do extrato vegetal, responderam com o maior deboche e cinismo "Ah, é de um vegetal", rindo. Isso é um escárnio, eles deviam sair dali presos por desacato mas não aconteceu absolutamente nada, relata indignado Azambuja.

Esse episódio e todo o processo pelo qual vem sendo submetida a Coca Cola ultimamente não merece a atenção do monopólio dos meios de comunicação no país, e que tem como um dos maiores clientes na sua receita publicitária a Coca Cola. Recentemente, as organizações Globo mudaram a tática de apenas ignorar o acontecido e partiram em defesa da Coca Cola, tentando desviar o assunto, trazendo "denúncias" contra os deputados que se beneficiam de investigações contra empresas, incluindo os pertencentes à comissão que investiga a Coca. O assunto foi matéria de primeira página no jornal O Globo, além de outra publicada uma semana antes na revista Época.

— Tenho conhecimento de que também têm matérias prontas para ir ao ar no Fantástico e no Jornal "nacional". Acho até que se deve investigar as denúncias, mas o problema é que eles jogaram tudo no mesmo bolo. Deviam dividir, isso deve ser investigado mas também tem a questão da Coca Cola. Dessa forma, eles desviam a atenção do público e ainda pressionam os deputados diz Azambuja.

Coca Cola X Brasil

Ao contrário do discurso habitual das transnacionais, a instauração da filial da Coca Cola no Brasil não trouxe nenhum benefício para o país, muito pelo contrário. Como toda corporação imperialista, num país colonizado, o objetivo é explorar seus recursos e seu povo, enquanto o lucro é remetido para a matriz tendo como principais apoiadores os beneficiados da burguesia burocrática e os latifundiários.

Com o apoio do Estado subserviente, essas corporações recebem toda a sorte de benefícios, desde tributários, passando pelos trabalhistas e por leis sanitária mais brandas. No caso da Coca Cola, houve diversos benefícios fiscais, dos quais Azambuja destaca a instalação de uma mega fábrica no estado do Amazonas:

— Com a desculpa de que iriam desenvolver a região, patrocinaram o festival de Parintins e se instalaram por lá praticamente de graça. Era a maior boca livre que tinha, fretavam aviões com celebridades, políticos, pessoas importantes de diversas áreas. Tudo desculpa, uma jogada travestida de marketing social.

Azambuja também desmente o principal argumento dos defensores da instalação de corporações imperialistas nos países colonizados e semicolonizados; a famosa falácia da geração de empregos:

— O que se gerou de emprego mediante o lucro e as vantagens que eles obtiveram foi ínfimo. Até mesmo por que esta fábrica no Amazonas adotou a prática da automação e possui pouquíssimos empregados.

A última campanha de imagem da Coca Cola está tentando associar a marca mundial com a idéia de ser um refrigerante tipicamente brasileiro. Esta medida mostra como a Coca vem perdendo seu monopólio para as pequenas marcas de refrigerantes de alcance regional mas significativos em seu mercado local. Ex-executivo da corporação na área de marketing, Azambuja nem precisava ser especializado para saber que a tal campanha não vai dar certo:

— Essa idéia de associar Coca Cola como um refrigerante nacional nunca vai dar certo. Alguém quando pensa em Coca Cola lembra de Brasil. É pura cultura ianque.

Não só a imagem da Coca Cola é "americana", como todos os seus lucros são remetidos para a matriz. Há muito pouco de capital nacional na filial da Coca Cola no Brasil, sendo que os acionistas majoritários estão no norte da América e tem total controle sobre a filial brasileira, sendo deles as decisões finais. O sistema de franchising existe apenas para o engarrafamento e distribuição, estando os representantes brasileiros atrelados ao escritório da marca cuja participação acionária do Brasil é ínfima, sendo que os chamados "engarrafadores" são, naturalmente, representantes da burguesia burocrática e dos latifundiários.

As denúncias contra a Coca Cola no Brasil vem ganhando corpo desde que Laerte Godonho, o dono da marca nacional Dolly denunciou na mídia a ação de espionagem industrial que a Coca Cola vinha fazendo com ele, através da gravação em que um representante da Coca confessava o ato. O fato não foi, obviamente, noticiado pelo monopólio dos meios de comunicação, apenas por alguns setores da imprensa nacional, mas conseguiu abalar a transnacional no Brasil, originando uma comissão de inquérito no Congresso. Desde então, várias pessoas têm se unido contra a corporação ianque, assim como Cézar Azambuja que aponta para um movimento mundial contra a Coca Cola:

— A humanidade está evoluindo e não tolera mais os crimes praticados pela Coca Cola. A internet tem sido uma arma poderosa nesta luta, onde as pessoas podem coletar informações e passá-las adiante sem censura econômica. Fora isso, a Coca vem amargando um dos maiores prejuízos financeiros de sua história. O valor de suas ações nunca esteve tão baixo e o índice de vendas também.

Azambuja também concorda que as práticas da Coca Cola não são característica de uma transnacional isolada, mas práticas habituais das corporações imperialistas em geral, com sua sede de lucro máximo, que tem como base a exploração do trabalho e da saúde humana, assim como estabelecer o domínio econômico e político mundiais.

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