Música brasileira com engajamento social

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Preocupado em fazer boa música brasileira, utilizando-se de vários gêneros musicais que conheceu em sua vida, e com letras engajadas sobre o cotidiano e a vida do povo, o carioca Logã trabalha em seu segundo álbum. Ator, cantor, compositor e instrumentista, Logã faz uso de poesias e dramaturgia em suas músicas, objetivando mostrar de forma clara suas ideias e passar o seu recado, com viés social. 

— Nasci em 1980 e o meu envolvimento com música se deu em casa, na infância, através dos meus pais, principalmente do meu pai, possuidor de discos que nunca haviam sido lançados no Brasil. Ouvíamos música do mundo todo, sambas do João Nogueira, Cartola, música caipira, erudita, Bach, Beethoven, Puccini, música africana, árabe, enfim, vários segmentos, muita riqueza — lembra Logã. 

— Logo depois, lá pelos dez anos de idade, me aproximei mais da música popular brasileira (MPB), através da minha mãe e da minha irmã, e passei a ouvir Caetano, Gil, Milton, Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia. Isso me enriqueceu muito e toda essa experiência me ajudou a não criar preconceitos; por exemplo, hoje têm coisas que eu gosto e outras que não gosto, mas me permito ouvir todos os ritmos antes de opinar — expõe.  

— Aos 19 anos de idade comecei a estudar violão e pouco tempo depois montei uma banda de rock. Me tornei cantor e letrista. Aos poucos compondo harmonias, passei a atuar como compositor da banda, sempre misturando elementos e trazendo minhas referências para a composição. Nunca fiz um rock facilmente rotulável, e o pessoal da banda também gostava de outras coisas — afirma. 

Foto: Alabê Produções Criativas LTDA

Na idade adulta outros compositores exerceram influência direta na forma de Logã compor, dando mais atenção à letra. 

— São compositores que têm grande apreço pelas letras, por exemplo, Chico Buarque, Lenine, Paulinho Moska, Marcelo Yuca. Acompanho a evolução letrística do Marcelo Yuca do primeiro disco até os últimos trabalhos, já com um verso mais bem trabalhado, e isso influenciou a minha escrita — conta. 

— E tenho influências de compositores como Alceu Valença, Roque Ferreira. Gosto muito da música de Pernambuco, então Chico Sciense e Jackson do Pandeiro me influenciam quando me aproximo da música regional brasileira. O teatro também me irrigou demais, e me deixou confiante para levar poesia para o palco, me permitiu recitar uma poesia, por exemplo, ou inseri-la no meio de uma música — continua. 

— A literatura também teve grande importância na minha escrita, autores como Mário Quintana, Álvaro de Campos, que é uma persona do Fernando Pessoa, Gabriel García Márquez, entre outros. E além de influenciar a minha escrita, fez mexer com as minhas caixinhas, com as gavetas na minha cabeça e percebi que as minhas composições podiam ser melhores a cada dia — continua. 

Logã conta que suas letras têm um caráter muito forte da poesia urbana carioca. 

— Algumas trazem um apelo mais poético, mais forte e outras são mais diretas. Por ser candomblecista, tenho vontade de falar da minha espiritualidade, mas sem necessariamente erguer bandeira, porque música é uma manifestação política. Mas, embora eu seja espiritualista acho que mudar o mundo não está ligado à religião, e sim às nossas atitudes — declara. 

 

Música com ideal 

— Nasci em Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro. Tive a oportunidade de ir à quadra do Cacique de Ramos, fui à Mangueira, já morei na Baixada Fluminense, já morei na zona sul e consegui sair do país. Enfim, tenho experiências que me enriqueceram muito, desde estar muito próximo da miséria, até muito próximo do cidadão da classe média, abastado, e isso tudo foi me tornando a pessoa que sou e o artista que quero ser — define. 

— Faço música tentando confortar não só os meus próprios sofrimentos, mas os sofrimentos do meu povo, quero falar sobre o retrato humano, sobre as coisas que afetam a vida de todo mundo. E a cultura do meu país é o principal combustível para eu querer escrever e principalmente cantar — conta. 

— Em algum momento do meu trabalho autoral, o Sudeste e o Nordeste se esbarram. As influências da música mineira aparecem nas letras voltada para a mata, para o rio, para o pomar, e tem o coco nordestino, a música de Olinda, a MPB pop, o samba e muito mais em letras e músicas. Faço muitas pesquisas nesse sentido — continua. 

Logã lançou o seu primeiro disco, Alabê, em 2013, e agora está trabalhando seu novo projeto. 

— Na época eu usava o nome de Pedro Logãn, agora estou assinando somente como Logã. É um trabalho importante, ele sintetiza um pouco do que quero fazer, mas com o tempo precisou ser substituído. E como em 2017/18 tive tempo para ruminar e tentar entender para onde tinha que ir a minha música, estou revendo as coisas que fiz como músico — diz. 

— O meu trabalho atual tem uma verve um pouco mais política. Acho praticamente impossível alguém se manter isento, em silêncio diante de tudo que está acontecendo, esse turbilhão de fatos, a história escrita debaixo do nosso nariz. Não consigo ficar quieto, então fiz um financiamento coletivo e durante essa campanha lancei o primeiro single, chamado Mansplaining, uma música em um formato de peça dramatúrgica — conta. 

— A música é sobre a temática das novas masculinidades, um movimento ainda muito tímido, que são homens preocupados em lutar contra o machismo, lutar contra a ideia de que temos de nos sentir superiores, principalmente às mulheres. São homens que querem rever o seu lugar no mundo, se ver como companheiros, parceiros das mães dos seus filhos, e isso reflete na sociedade, faz com que alguma coisa se mova dentro da sociedade — continua. 

— Na sequência lancei o meu manifesto antifascista, que é a música Ande junto de mim, a mais importante desse trabalho, que dá nome ao álbum e tem a participação da cantora Bia Nogueira, de Belo Horizonte. A mensagem é bem clara, diz que para vencer tudo que se apresenta no mundo atual nós temos que andar juntos, lutar juntos para vencer essa situação triste que vivemos no país, e que não nasceu da noite para o dia — diz. 

Logã está trabalhando para lançar a próxima música o mais breve possível, devendo sair antes do carnaval. 

— Apesar de ser uma cantiga de amor, ela fala sobre a questão espiritual, que é super importante para mim, candomblecista. Enfim, o meu trabalho continua e a ideia é lançar mais duas músicas até o final do semestre. Luiz Janela assina comigo a produção desse meu novo trabalho — finaliza Logã. 

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