Sobre o fascista Roberto Alvim e o reacionário projeto corporativo nas artes

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Roberto Alvim até que tentou. Tentou parecer imponente e heroico; fez-se hilário, medíocre e foi exonerado do cargo. Enquadrado com uma bandeira do Brasil à sua direita, ao som de Wagner (um dos compositores preferidos de Hitler), uma cruz heráldica à sua esquerda e um retrato do fascista Jair Bolsonaro acima de sua cabeça, o ex-secretário de cultura deu uma de “Goebbels dos trópicos”, evocando o discurso do ministro da propaganda nazista em sua fala sobre o dito Prêmio Nacional das Artes. A fala do ex-secretário foi ao ar num fatídico 16 de janeiro, valendo lembrar que, no mesmo dia, em 1945, em que Hitler se escondeu em seu bunker prevendo a derrota iminente frente à contraofensiva soviética na Segunda Grande Guerra. Ali Hitler permaneceu até o seu suicídio.     

A forma como foi anunciado revela por si só a intenção do Prêmio Nacional das Artes: fomentar na sociedade civil expressões artísticas de grupos e indivíduos fascistas. O prêmio disponibilizará R$ 20 milhões em recursos públicos nas cinco regiões brasileiras e as obras de arte passarão por uma curadoria (leia-se censura) que selecionará os artistas palatáveis ao gosto da reação. É preciso ser bem claro quanto a isso: este projeto para o setor artístico, que tomou a forma de Prêmio Nacional das Artes – revogado após a confusão, porém, ele certamente retornará, sob outro nome e formatação – é parte da ofensiva contrarrevolucionária preventiva em marcha, porque é a reacionarização e corporativização da sociedade no domínio cultural.  

Foto: Banco de Dados/AND

O fascista Olavo de Carvalho, principal mentor da ala bolsonarista, tem como sua tese principal: a guerra contra os revolucionários e democratas só pode ser vitoriosa se, antes de mais nada, os reacionários vencerem a chamada “guerra cultural” – ou, o que ele chama, “conquistar a hegemonia”, isto é, corporativização. Entretanto, a demissão do secretário foi um pequeno revés no plano de gestar um ninho cultural reacionário.

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