Nada poderá deter a Revolução Agrária

A- A A+

A criação da “Força Nacional Ambiental” por Bolsonaro e seu governo de generais, que será coordenada por uma força-tarefa presidida pelo general do Exército reacionário e vice-presidente, Hamilton Mourão, é um fato flagrante do caráter latifundista deste governo de turno. 

É certo que nos monopólios dos meios de comunicação da reação estão estampadas justificativas e “explicações”. Diz-se: “É para combater o incêndio”, “proteção ambiental”, “defesa nacional”. Mas a verdadeira razão é evidente: combater as massas camponesas em luta combativa. Basta ver que junta-se à criação dessa força a já imposta “Garantia da Lei e da Ordem do campo”, com a qual o Executivo poderá, por decreto, ordenar uma intervenção militar contra uma dada área camponesa.

A nova força militar, que lotará policiais militares e militares das Forças Armadas (FA), tem caráter auxiliar atuando especialmente na Amazônia Ocidental, região onde a luta camponesa toma relevo. Lá, já estão presentes, além das forças permanentes de batalhões de selva e unidades da Marinha e Aeronáutica, novos milhares de militares das FA desde os episódios das queimadas promovidas por latifundiários e pelos próprios serviços de inteligência militares para justificar a presença de tropas, em setembro de 2019. Tropas que, conforme denunciou o movimento camponês da região, estão cercando e invadindo acampamentos em operações clandestinas, em locais onde sequer ocorreram focos de incêndio. 

Tal medida é mais um passo adiante do golpe de Estado militar como ofensiva contrarrevolucionária preventiva, especificamente em sua terceira tarefa: incrementar o Estado policial-militar, recrudescer a repressão e a preparação, já a olhos vistos, de uma guerra contrarrevolucionária de larga escala contra as massas em luta, sobretudo no campo. Estão cutucando a onça “com vara curta”. 

Repressão atiça e não assusta

Apesar de toda a repressão, nada poderá sofrear a luta pela terra. A luta do bravo campesinato brasileiro contra o latifúndio tem raízes históricas e seculares; é uma necessidade da grande maioria da Nação e, espontaneamente, os camponeses se lançam a ela. 

Hoje, às dezenas de milhões de camponeses pobres, resta a árdua obrigação de produzir toda a cesta básica de subsistência da força de trabalho: sem crédito, sem uma política justa de preços, sem maquinário e sem nenhum incentivo estatal digno. Isto, sem falar das outras dezenas de milhões que estão sem acesso à terra. 

Essas heroicas massas trabalhadoras são obrigadas a vender suas mercadorias a preços aviltados e inferiores ao próprio valor de sua produção aos monopólios da grande burguesia e do latifúndio – como os ensacadores. São obrigados, para produzir o suficiente, a colocar toda a família na labuta sem sequer remunerá-los de modo assalariado. Tais massas sequer podem apropriar-se da renda da terra! Essa exploração semifeudal desapiedada é, por sua vez, a base do capitalismo burocrático, sobre a qual as classes dominantes espoliam sem dó também o proletariado urbano e rural, pagando-lhe um salário miserável. 

Aos latifundiários, netos e bisnetos de escravocratas, que produzem commodities para o mercado mundial imperialista (subordinando e atrasando profundamente a Nação) é destinado o grosso do crédito estatal subsidiado, isenções fiscais, perdão da dívida – inclusive com a Previdência para não contribuírem – e toda a benevolência dos sucessivos governos de turno. A concentração de terras atinge níveis escandalosos, crescendo junto com a miséria do campesinato e das periferias das megalópoles, das grandes e médias cidades. Eis a subjacente semifeudalidade que combinada com a subjugação semicolonial do país ao imperialismo, principalmente ianque (Estados Unidos) engendra o capitalismo burocrático de exploração sem limites sobre nosso povo.

O centro da dominação é o latifúndio 

Toda a história de subjugação do país e das massas está assentada na existência desse câncer chamado latifúndio. 

Instaurado no Brasil desde o início da colonização, em 1570, sempre sob dominação estrangeira (colonial até 1822 e daí aos dias atuais semicolonial) foi evoluindo sua forma de exploração: escravocrata, semi-escravocrata, feudal e semifeudal. Hoje, com a roupagem de “agronegócio”, segue expropriando o campesinato em relações subjacentes que, na essência, são semifeudais, como base fundamental sobre a qual se desenvolve um capitalismo burocrático. 

Assentado no latifúndio, que reprime o desenvolvimento econômico genuinamente nacional, o imperialismo inglês impulsionou o desenvolvimento capitalista no fim do século XIX. Surgiu uma numerosa classe de compradores – famílias latifundiárias que, com a exploração dos escravos e massas camponesas, acumularam capital e investiram no comércio – que enriqueceu ainda mais vendendo as commodities do latifúndio à indústria imperialista e importando as manufaturas, especialmente da Inglaterra, ao solo brasileiro. 

Toda essa relação de subordinação – iniciada e baseada na existência do latifúndio – arruinou toda a indústria genuinamente nacional ainda nascente, com capital e produção legitimamente nacionais, através da concorrência desleal da indústria, especialmente inglesa, e do atraso das forças produtivas resultantes do peso do latifúndio. 

A classe de compradores desenvolveu-se como grande burguesia, com comércio monopolista e uma pouco numerosa indústria monopolista, umbilicalmente ligados ao latifúndio (servindo-se dele para alcançar lucros máximos e prosperar), cujos senhores de terra hegemonizaram o poder de Estado em mais de trinta anos (República Velha); classes dominantes entrelaçadas ao capital imperialista ou submetidas às densas redes de dominação imperialista no crédito ou na cadeia de produção. Com a mal denominada “Revolução de 30” deu-se o surgimento de uma outra fração na grande burguesia, a burocrática, que desde então, hegemonizando o poder de Estado, modelando-o no corporativismo promoveu grandes impulsos ao capitalismo burocrático. Devido a essa subjugação do país, todo esse desenvolvimento foi a serviço do imperialismo e grande parte da mais-valia aqui extraída, inclusive pela grande burguesia, é levada às nações imperialistas. Tal é a história de espoliação do povo brasileiro e da Nação, cuja origem – junto com a dominação estrangeira – é o latifúndio. 

Romper com tal dominação exige-se, antes de tudo, arrasar com o latifúndio, incorporar os camponeses aos milhões na luta revolucionária dirigida pelo proletariado, liberando as forças produtivas do campo, parte por parte, entregando a terra aos camponeses pobres sem terra ou com pouca terra. Acumulada força suficiente, dar um salto com a revolução democrática para nacionalizar os monopólios locais e estrangeiros em todo o país. 

Oportunistas falam em eleição e em democracia, como se fosse possível resolver com “diálogo” a miséria das massas camponesas e de trabalhadores da cidade e a riqueza indecente dos grandes burgueses e latifundiários e a sórdida dominação imperialista, sendo que a riqueza de uns cresce justamente porque cresce a miséria de outros. Falam ainda em “reforma agrária” e “agricultura familiar” como se fossem a panaceia dos camponeses! Pois bem. “Esquecem-se” que as classes dominantes controlam profundamente o aparelho de Estado e a “democracia”. Exercendo pressão, graças a seu poder econômico, domínio ideológico e das forças militares e policiais, elas conduzem seus serviçais aos postos de autoridade. Pagam campanhas milionárias para eleger parlamentares, governadores e presidentes, que depois devem servir-lhes como cachorros. Contratam “intelectuais” e compram meios de comunicação para fazer propaganda sobre a “importância” da existência do latifúndio: “Agronegócio, a indústria riqueza do Brasil”, além de pregarem o pacifismo, a “cidadania”, o caminho eleitoral e o aguardar eternamente pela “reforma agrária”. Dominando os políticos, os latifundiários e grandes burgueses fazem, através deles, as leis, as medidas executivas, escolhem os comandantes militares e das polícias a seu bel-prazer e põem tudo a funcionar a seu serviço. As massas estão presas, como diz Marx, em um “círculo de ferro” que é esse sistema de exploração e opressão. Os camponeses nunca terão terra e incentivo, senão para morrer trabalhando em benefício dos monopólios, como ocorre através dos séculos, até hoje. 

Quanto lixo a Revolução de Nova Democracia terá que varrer! Uma obra tão colossal só pode desenvolver-se pela via cruenta e prolongada. Os camponeses, os mais interessados nela, aliar-se-ão ao proletariado nessa grande empreitada. Não há outra via, tampouco há como abortar esse caminho inevitável, pois que é demanda histórica pendente e não resolvida. Esperem e verão.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Mário Lúcio de Paula
Ana Lúcia Nunes
Matheus Magioli
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira