Ianques assinam termo de rendição ao Talibã

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Será o fim de quase duas décadas de ocupação colonial no Afeganistão

Na manhã do dia 29 de fevereiro, em Doha, capital do Catar, foi assinado um acordo por representantes diplomáticos do Estados Unidos (USA) e do Emirado Islâmico do Afeganistão (Talibã) que dita os termos para a retirada das tropas invasoras do Afeganistão e findar as quase duas décadas da guerra de agressão imperialista e ocupação colonial ianque contra o país asiático; produto das consecutivas derrotas que o imperialismo sofreu em solo afegão.  

O acordo, produto de mais de um ano de negociações e de inúmeras derrotas militares do USA, prevê um cronograma de 14 meses para a retirada de todas as tropas invasoras ianques e de seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Além disso, o pacto determina um cessar-fogo permanente e abrangente de todos os envolvidos, bem como o início de negociações intra-afegãs, ou seja, entre o atual governo pró-colonial de Cabul, fantoche do imperialismo ianque, e os dirigentes guerrilheiros talibãs, para decidir o futuro político do país e a divisão do poder, até o dia 10 de março. Outro compromisso previsto é uma garantia do Talibã de que o solo afegão não será mais utilizado como uma “zona de lançamento” que “ameace a segurança” estadunidense, base subjetiva e que expressa um compromisso semicolonial.

EUA e Taliba assinam acordo de paz historico

Estava previsto aos ianques e o seu governo fantoche que libertassem até 5 mil prisioneiros, e ao Talibã, até mil, porém o conselheiro nacional de segurança afegão, Hamdullah Mohib, declarou que não está de acordo com tal compromisso. O governo afegão, que foi excluído tanto das negociações dos últimos meses, quanto da assinatura do acordo, mediante a insignificância de sua “autoridade” (lacaios que são do USA), declarou estar em desacordo com o pacto, mas não apresenta relevância.  

O USA se comprometeu a retirar, nos próximos 135 dias, soldados seus de cinco bases militares diferentes, reduzindo a força ianque no Afeganistão dos quase 14 mil para 8,6 mil soldados. O fim do projeto colonial ficará pendente até que o último soldado invasor deixe o país. No auge da guerra, mais de 100 mil soldados estadunidenses ocuparam o país da Ásia Central. 

Um porta-voz talibã publicou na internet, comemorando a vitória na véspera do dia 29/02: “Aqui, será anunciada a derrota da arrogância da Casa Branca diante do turbante branco”.

O futuro do imperialismo é a derrota  

A guerra imperialista no Afeganistão, o mais longo conflito da história do USA, teve início com o episódio do 11 de setembro de 2001. O Talibã, que esteve no poder entre 1996 e 2001, sofreu um golpe orquestrado pela invasão ianque no país, e passou a representar, então, a principal força no processo da Resistência Nacional ao imperialismo e à invasão estrangeira de sua nação, apesar de sua ideologia atrasada, feudal e limitada.  

Mais de 100 mil afegãos foram mortos ou feridos desde 2009, ano em que a “Organização das Nações Unidas” (ONU) começou a documentar as vítimas, com atraso de oito anos. O Pentágono informa que, apenas em 2019, seu Exército terrorista lançou um total de 7.423 bombas, contabilizando cerca de 35 mil quilos de explosivos lançados sobre cabeças afegãs, um recorde de bombardeios, pelo menos desde que a Força Aérea ianque começou a calcular seus estragos, em 2006.  

Estima-se que o Afeganistão custou, para o USA, o valor de 2 trilhões de dólares, investidos estes nas ações de terror e genocídio contra o povo perpetradas tanto pelos seus Exércitos, oficiais e lacaios, como por suas forças extraoficiais e seus mercenários contratados. O mais alto nível de tecnologia bélica, no entanto, não foi o suficiente para derrotar a convicção e o ímpeto incansável do povo afegão, que mais uma vez, repetindo a experiência de 1979 da invasão do Afeganistão pelas tropas da União Soviética revisionista, lutou por sua autodeterminação. 

Em 2015, o USA foi obrigado a admitir seu fracasso, quando o então presidente Obama declarou que o objetivo ianque e de seus aliados da Otan no Afeganistão era apenas treinar os soldados afegãos e participar de operações. Em 2018, veio a declaração do general ianque Austin Miller, na qual confirmou que a guerra no Afeganistão não poderia ser vencida militarmente, e que era necessária uma resolução política diretamente com o Talibã. 

Em dezembro de 2019, o monopólio de imprensa The Washington Post publicou um documento de 200 páginas confidenciais com depoimentos que explicitavam o fiasco da incursão ianque e como o USA manipulou informações e estatísticas da guerra para alegar que a estava ganhando, como a fala do general condecorado de três estrelas, Douglas Lute, que serviu à Casa Branca durante os governos Bush e Obama, afirmando que: “Estávamos desprovidos de um entendimento fundamental do Afeganistão, não sabíamos o que estávamos fazendo”. 

 

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