Semifeudalidade nos países dominados

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Sobrevivência de relações feudais, semifeudais e outras pré-capitalistas, sobretudo no campo, através da evolução de suas formas, sendo a base fundamental para o capitalismo burocrático. A fundamentação da semifeudalidade nos países atrasados tem origem e desenvolvimento no pensamento de V.I. Lenin, Presidente Mao e do Presidente Gonzalo. 

Lenin, analisando o surgimento do capitalismo na Rússia (independente), afirmou que o desenvolvimento do capitalismo (e da revolução democrático-burguesa) tem duas formas de desenvolvimento: a via norte-americana e a via prussiana. A via norte-americana realiza-se através da destruição violenta do latifúndio pelos camponeses – dirigidos pela burguesia –, que repartem as terras e desenvolvem uma República democrática. Já a prussiana realiza-se mediante a “evolução lenta” do feudalismo ao capitalismo, na qual os latifundiários – que permanecem com o controle econômico, político, ideológico e militar sobre o campesinato – introduzem paulatinamente formas capitalistas de exploração até suplantar completamente as formas feudais de exploração. Lenin sustenta que a primeira via é a mais benéfica para o povo, pois por meio dela o capitalismo desenvolve-se de modo muito mais rápido, enquanto a segunda é mais dolorosa, lenta, atravancada e, nela, o povo – especialmente os camponeses – sofre copiosamente por longos decênios. 

O Presidente Mao Tsetung aprofunda e compreende que o desenvolvimento capitalista nos países coloniais e semicoloniais não suplanta completamente o feudalismo até então dominante, mas  apoia-se nele como base de desenvolvimento e suporte para o imperialismo. Assim, a grande burguesia nasce como intermediária da espoliação imperialista e umbilicalmente ligada ao latifúndio, por isso é incapaz de levar adiante a revolução democrática contra o feudalismo e a dominação estrangeira. O latifúndio é sustentado pelo imperialismo, sendo um dos alicerces para a superexploração das massas e atraso da nação. 

O Presidente Gonzalo, por sua vez, observa que essa via prussiana desenvolve-se nos países dominados pelo imperialismo, através da evolução lenta do feudalismo ao capitalismo (burocrático). Por isso, nos latifúndios desenvolvem-se, de modo lento, formas capitalistas (“agronegócio”). No entanto, não eliminam a feudalidade, a semifeudalidade ou outras formas pré-capitalistas, e sim, as mantêm por meio da evolução de suas formas. 

Uma das manifestações da semifeudalidade, além da existência do latifúndio improdutivo como reserva de valor (e especulação imobiliária) ou de produção de monoculturas para exportação, é a pequena produção camponesa nos países atrasados, que é submetida aos monopólios do latifúndio, da grande burguesia e imperialismo e, por isso mesmo, permanece enfeudada e não desenvolve-se de modo capitalista. O camponês é obrigado, pelos monopólios, a vender a produção a um preço inferior ao valor e, para tanto, é obrigado a explorar toda sua família nas relações de produção sequer chegando a estabelecer assalariamento. O trabalho se dá em troca de alguns produtos, animais, outros objetos ou do direito de produzir uma pequena roça na propriedade. Quem se apropria desse trabalho gratuito, no entanto, são os monopólios econômicos (nos quais estão fundidos os capitais feudal, comprador e imperialista). Ou seja, o pequeno camponês ou a camada inferior dos médios não usufruem da renda da terra que é transferida aos monopólios e ao Estado (em último termo, ao capital financeiro). 

Tais relações feudais se mantêm, mudando apenas seu invólucro ou forma de existência, reproduzindo-se. Elas são, por sua vez, base fundamental que permite às classes dominantes alcançar o lucro máximo (lei do desenvolvimento do capital em sua fase monopolista). A produção da cesta básica pela pequena economia camponesa, em tais relações, permite aos monopólios, por exemplo, pagar salários bastante baixos ao proletariado na cidade. O capitalismo burocrático, ao aprofundar-se mesmo no campo, não faz desaparecer a semifeudalidade, ao contrário, nela apoia-se. Ela manifesta-se também nas cidades, nas relações sociais e na superestrutura da sociedade (ideias e instituições políticas, jurídicas, de educação e cultura). 

 

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