SC: Quilombolas se rebelam e retomam terra ancestral

“Nascemos de novo!”, “Estamos em casa outra vez!” – dizem os irmãos, idosos, Seo Odílio e Dona Jucélia, abrindo um sorriso largo. Eles e sua comunidade do quilombo Vidal Martins, de Florianópolis, indignados com as postergações e burocracias do velho Estado, decidiram reocupar uma área que é sua por direito e da qual foram retirados pelo regime militar-fascista. Assim, representantes de 31 famílias entraram, de cabeça erguida e disposição firme, no último dia 15 de fevereiro, no Parque Estadual do Rio Vermelho, centro-norte da ilha capital. 

É que dias antes havia sido publicado oficialmente, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), um documento chamado “Relatório técnico de identificação e delimitação”, reconhecendo uma área de 1.014 hectares para os quilombolas, sobreposta integralmente ao Parque Estadual do Rio Vermelho. Além disso, um laudo antropológico confirmou que aquele território (o parque) pertenceu a eles no passado. Então, o grupo de remanescentes quilombolas resolveu retornar de imediato para o lugar dos antepassados, embora estejam faltando alguns trâmites para a sua tomada de posse. 

 SC: Quilombolas se rebelam e retomam terra ancestral

Não viram razão para continuar esperando, depois de tantos anos de luta. A presidente da Associação dos Remanescentes Quilombolas Vidal Martins, Helena Vidal de Oliveira, sintetiza e esclarece: “Até agora estávamos confinados num terreno pequeno, em situação de moradia muito precária, até com perigo para idosos e crianças, até com casas sem banheiro, tendo (ao mesmo tempo) tanta terra nossa aqui no parque. Não é justo… Por que nossa comunidade não pode estar aqui dentro se já foi provado que somos donos do território?”. 

Localizado no bairro Rio Vermelho, no chamado Porto, próximo à Lagoa da Conceição e ao lado do parque, o quilombo esteve abrigando, por muito tempo, 31 famílias remanescentes da escravatura (cerca de 80 pessoas), espremidas em 900 metros quadrados. 

Sua área de uso era muito maior, mas foram enganadas pelo regime-militar-fascista, que as retirou do local na década de 1960/1970 para a instalação do então denominado Parque Florestal do Rio Vermelho, com a falsa promessa de que retornariam em breve e poderiam utilizar o parque, coisa que foram proibidas de fazer. 

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