RO: Aparato de guerra é mobilizado a serviço de latifundiários criminosos

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Nota da Redação: Reproduzimos a denúncia da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) de Rondônia e Amazônia Ocidental, veiculada no jornal Resistência Camponesa, sobre o aparato de guerra das forças de repressão, mobilizado pelo latifúndio para sofrear a luta camponesa. 

No último dia 5 de fevereiro, a Polícia Militar (PM) de Rondônia mobilizou um verdadeiro aparato de guerra para despejar camponeses que lutavam pelas terras da fazenda Jatobá, de 800 alqueires, localizada no km 10 da Linha T15 no Distrito de Oriente Novo, zona rural de Machadinho d’Oeste. Esse latifúndio é terra pública grilada e quem se autoproclama dono é Tiago Lopes Moura e sua família que têm vasto histórico de crimes contra os camponeses. O mais recente foi a contratação de policiais militares para fazerem serviços de pistolagem, como comprova áudios vazados. 

RO: Aparato de guerra é mobilizado a serviço de latifundiários criminosos

Apesar disto, o governo de Rondônia mobilizou batalhões de Choque, Patrulhamento Tático Móvel (Patamo), Força Tática, Companhia Ambiental da PM, além da Polícia Civil e Corpo de Bombeiros de Porto Velho, Jaru, Machadinho e Vale do Anari, totalizando mais de 100 policiais, várias viaturas e dois helicópteros. Este aparato de guerra destruiu os barracos e despejou dezenas de famílias camponesas que, desde 2019, lutam por aquelas terras para trabalharem e viverem com dignidade. 

Antes, em 21 de janeiro de 2020, a PM já havia feito escolta para o grileiro Tiago retirar seu gado. Segundo noticiado pela imprensa, porta-voz da PM e serviçal do latifúndio, policiais militares de Jaru e Machadinho continuarão fazendo segurança para o grileiro para tentar impedir a retomada das terras pelos camponeses. 

 

Histórico de crimes contra camponeses 

Em 2015, outras famílias camponesas que tomaram a fazenda Jatobá foram brutalmente atacadas por 12 elementos vestidos com roupas camufladas e portando armas de fogo de grosso calibre.  

Os criminosos invadiram o acampamento, atirando diversas vezes, renderam, ameaçaram, espancaram, torturaram, roubaram e despejaram os trabalhadores. Um dos acampados teve a orelha queimada com um isqueiro para dar informações e outro apanhou de facão.  

Depois de denúncias dos camponeses e divulgação na imprensa, a polícia encontrou na sede da fazenda as armas, roupas e outros materiais usados na ação criminosa. Diante das inegáveis evidências de pistolagem, chefiada pelo fazendeiro André Lopes Moura, ele foi condenado. 

O bandido e ladrão de terra, André, assim como seu irmão, Tiago Lopes Moura, mantinham já de longa data ligações estreitas com bandos de pistoleiros que prestavam serviço a latifundiários da região de Jaru. E corre à boca pequena que eles também estariam envolvidos no assassinato covarde dos camponeses Enilson Ribeiro e Valdiro Chagas, ocorrido em Jaru, em janeiro de 2016. 

Mas, como sempre ocorre, o criminoso André não ficou muito tempo encarcerado, e em 2018, pouco depois de ter sido solto, foi assassinado numa lanchonete em Ouro Preto D’Oeste. Desde então, seu irmão Tiago assumiu seu lugar. 

Em 2019, pistoleiros e policiais militares de Ariquemes e Machadinho d’Oeste, do distrito 5º BEC, que conformam um bando armado a serviço de fazendeiros da região, foram contratados por Tiago. O bando de pistoleiros é comandado pelo policial militar Claudenir do 5º BEC (dono de autoescola no mesmo distrito) e pelo policial militar Arruda, do Grupamento de Operações Especiais (GOE). Além de atuarem como pistoleiros dentro das fazendas, os policiais fornecem ilegalmente armas e munições. 

 

Força repressiva do velho Estado 

Mesmo com uma ficha corrida como a destes latifundiários ladrões de terras, eles são defendidos pelo governador e pelo judiciário. E como é amplamente sabido, este não é um caso isolado.  

No dia 6 de fevereiro, o mesmo aparato de guerra que despejou os camponeses da fazenda Jatobá deslocou-se para Triunfo, distrito de Candeias do Jamari para tentar despejar outro acampamento numa fazenda do latifundiário Vieira, grande plantador de soja e, segundo camponeses da região, é “laranja” de políticos do partido eleitoreiro Movimento Democrático Brasileiro (MDB).  

Em 2019 os trabalhadores tomaram a fazenda, cortaram em 88 lotes e distribuíram entre as famílias. Segundo os camponeses, o latifundiário Vieira deu lotes desta fazenda para policiais, inclusive o policial militar André, atual prefeito de Candeias, em troca de serviços de pistolagem. Já em 2019 realizaram um despejo dos camponeses e na ocasião pelo menos uma trabalhadora foi covardemente espancada. 

Historicamente o latifúndio é o que existe de mais atrasado em nosso país. Os grandes fazendeiros são apenas 1% de todos os proprietários, mas ficam com a maioria das terras, assassinam e torturam impunemente camponeses e indígenas, produzem para exportação com farto financiamento público e todo tipo de apoio do velho Estado e do monopólio dos meios de comunicação. Por outro lado, os camponeses produzem 70% do alimento que vai para mesa de todos os brasileiros, com pouca terra, sem assistência técnica, sem política de preços justos e sofrendo toda sorte de repressão e calúnias. 

As pequenas e médias cidades estão sofrendo com o aumento da concentração de terras e a expulsão de camponeses pelo latifúndio, com todo aparato do velho Estado a seu serviço. A luta pela terra é sagrada e através dela é que se iniciará uma verdadeira mudança em todo o país. 

Uma vez mais conclamamos todos os verdadeiros democratas, intelectuais honestos, estudantes, professores, camponeses, trabalhadores da cidade, comerciantes, ao povo de Rondônia e de todo país a repudiar e denunciar os crimes do latifúndio e seus bandos armados e a prestar solidariedade aos camponeses para barrar os graves ataques contra a luta camponesa. 

 

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