Paramilitar ligado a Bolsonaro é morto em ‘queima de arquivo’

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O paramilitar e ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do estado do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega, foi assassinado no dia 9 de janeiro, no local em que estava escondido, no município de Esplanada, no sul da Bahia. O esconderijo, localizado em uma fazenda que fica a 170 quilômetros de Salvador, era pertencente ao vereador Gilsinho da Dedé/PSL. A operação que matou Adriano foi coordenada pela Secretaria de Polícia Civil do Rio de Janeiro (Sepol) e pela secretaria de Segurança Pública da Bahia. 

Segundo informações oficiais, a operação começou por volta das 22h do dia 08/02  e terminou às 8h do dia 09/01 com a morte do paramilitar. Segundo a polícia, Adriano teria resistido e trocado tiro com os militares. Na fazenda foram encontradas quatro armas, sendo um revólver, uma pistola de uso restrito e duas espingardas. Ainda segundo a polícia, Adriano teria sido socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. 

Flávio Bolsonaro homenageou o paramilitar Adriano Nóbrega em três ocasiões

No dia 02/02, a polícia já havia tentado capturar Adriano. Eles se dirigiram até a casa onde a família Nóbrega está hospedada, na Costa do Sauípe, porém o ex-PM conseguiu fugir do local, antes da chegada dos policiais. 

Adriano estava foragido desde janeiro de 2019, pois é investigado pelo envolvimento nos assassinatos da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além de ser apontado como chefe do grupo de paramilitares de extrema-direita “Escritório do Crime”, que presta serviços como assassinato mediante pagamento e explora atividades ilícitas em favelas do Rio de Janeiro. Ele ainda tinha participação em atividades como agiotagem, lavagem de dinheiro, grilagem de terras e construções ilegais. Adriano se declarava oficialmente como “pecuarista”. 

O paramilitar ainda tinha uma estreita ligação com a família Bolsonaro. Em 2003, quando ainda era capitão do Bope, recebeu uma condecoração por “serviços prestados à sociedade”. Em uma solenidade realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual responsável pela indicação e condecoração do militar era o hoje senador e filho do presidente, Flávio Bolsonaro. 

Em 2007, o então deputado fez um discurso, registrado na Alerj, defendendo a atuação das “milícias”. Flávio diz que “a milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos”. Nada disse sobre o seu real caráter: extorsão, negação do direito das massas à livre manifestação e organização, roubo, execuções e toda sorte de opressão. 

O próprio Jair Bolsonaro homenageou o ex-capitão do Bope, em 2005, após o mesmo ter sido condenado por homicídio. O hoje presidente fascista disse que o paramilitar era um “brilhante oficial”. Adriano já trabalhou também como segurança de bicheiros cariocas, sendo preso por tentativa de assassinato em 2011. 

A ligação mais recente de Adriano com Flávio Bolsonaro veio à público em 2018, com o escândalo das chamadas “rachadinhas” (esquema no qual o político faz nomeação de funcionários fantasmas que recebem um alto “salário” – dinheiro pertencente ao Legislativo – e depois são obrigados a devolver parte dele para que o político se aproprie). Segundo investigações do Ministério Público, Adriano era amigo do ex-policial militar Fabrício Queiroz, ex-funcionário do gabinete de Flávio Bolsonaro. A ex-mulher e a mãe de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e Raimunda Veras Magalhães (respectivamente) trabalharam no gabinete de Flávio. 

Queiroz teria inclusive recebido repasses de duas pizzarias controladas por Adriano. De acordo com os investigadores, dois repasses vieram das empresas controladas por Adriano. 

 

O paramilitar sabia demais 

Logo após a confirmação da morte do paramilitar, seu advogado, Paulo Emílio Catta Preta, relatou que no dia 04/02 seu cliente telefonou e disse: “doutor, ninguém está aqui para me prender. Eles querem me matar. Se me prenderem, vão matar na prisão. Tenho certeza que vão me matar por queima de arquivo”. 

O advogado ainda contou que, em conversa com a esposa de Adriano, soube que o paramilitar não estava armado. 

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