AM: Massas rebelam-se contra despejo

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Mil famílias serão expulsas para atender grandes empreiteiras 

Moradores da comunidade Monte Horebe, zona norte de Manaus, levantaram barricadas com pedaços de madeira e pneus em uma manifestação que bloqueou a entrada do conjunto Viver Melhor, um dos acessos às moradias, no dia 3 de março. Durante o ato, além das barricadas em chamas, também um carro foi incendiado na entrada do conjunto.  

O protesto foi organizado em repúdio ao covarde despejo iniciado no dia 2 de março, pelas forças do velho Estado. A primeira etapa da ação contou com o aparato repressivo de cerca de 700 policiais.  

Moradores protestam combativamente com barricadas e fogos de artifício, 03/03/2020

Aproximadamente mil famílias viviam no local há cerca de cinco anos. Desde o início da ação de despejo foram demolidas em torno de 700 casas. 

Após o início da remoção, as forças de repressão montaram barreiras nas entradas da comunidade Monte Horebe e do conjunto Viver Melhor. A passagem dos trabalhadores só era permitida mediante apresentação de comprovantes de residência nas barreiras, em uma clara violação do direito de circulação das famílias trabalhadoras, direito previsto até na constituição reacionária.  

O fornecimento de água e energia elétrica foi suspenso na comunidade. As escolas e a única unidade básica de saúde que atendem toda a região foram fechadas. O já precário transporte coletivo não está mais acessando a localidade, obrigando todos os trabalhadores que residem na área e no entorno a se deslocarem até a entrada do conjunto Viver Melhor, trajeto este que chega a levar até 40 minutos de caminhada.  

O trabalhador Isaías Lima fez uma fala de protesto: “Quem está satisfeito sendo arrancado forçadamente das suas casas? Ninguém fica satisfeito. Nós estamos sem luz e sem água. A metade da minha casa foi quebrada. Nós estamos dentro de um lugar onde não pagamos aluguel. Eles estão querendo nos levar para o aluguel, e nós já saímos disso porque não temos condições de pagar”, desabafa, em entrevista ao monopólio de imprensa. 

O despejo é motivado por interesses imobiliários de grandes empresas construtoras, dentre elas a Construtora Amazônidas, cujo sócio é Eládio Messias Cameli, pai do atual governador do Acre, Gladson Cameli (PP), que reivindica 91,4 hectares das terras que abrigam cerca de mil famílias pobres. 

Outra empresa interessada na especulação imobiliária da localidade é a Construtora Capital, cujo o sócio majoritário é Pauderley Avelino, irmão do ex-deputado federal Pauderney Avelino (DEM), que reivindica na justiça um trecho de 16 hectares das terras onde hoje se situa Monte Horebe. 

De acordo com o IBGE, Manaus está entre as capitais com os maiores déficits habitacionais no país. 

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