Rufando tambores da intervenção, USA dobrará presença militar na Venezuela

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No dia 1º de abril, o ultrarreacionário Donald Trump anunciou o envio de navios de guerra e aeronaves da Marinha do Estados Unidos (USA) para perto da Venezuela, apesar de não especificar quão próximo da costa eles pretendem chegar. A cabeça do imperialismo ianque afirmou que está dobrando os recursos militares investidos na região, incluindo destroieres, aviões de vigilância e tropas.
A fim de dar legitimidade à nova ameaça de agressão imperialista contra a nação venezuelana, o imperialismo alega que a medida visa combater cartéis de droga venezuelanos e o que Trump chamou de “atores corruptos”, citando como exemplo o presidente do país, Nicolás Maduro. O engodo criado pelos ianques para elevar suas provocações golpistas e colonialistas é de que temem que tais “atores” tirem proveito da pandemia do coronavírus “para contrabandear mais narcóticos”. Tentaram, com isso, desmoralizar o governo da Venezuela e criar caldo de cultura em apoio à invasão. O anúncio se segue à acusação de “narcoterrorismo” feita pelo USA sobre o governo venezuelano, no dia 26 de março. No cúmulo do ridículo, o Departamento de Estado do USA ofereceu uma recompensa de 15 milhões de dólares (cerca de R$ 75 milhões) apenas por informações que incriminem Maduro.
Como desdobramento de mais esse exemplo de pretensões coloniais do imperialismo ianque, um dos listados como procurados, o general aposentado do Exército venezuelano Cliver Alcalá, famoso opositor de Maduro, foi preso na Colômbia por agentes da Administração de Repressão às Drogas (DEA) e levado para Nova Iorque, no dia 27 de março.

USA tachou Maduro como "narcoterrorista" para justificar intervenção

Preparativos para o golpe
No entanto, apesar do pretexto do coronavírus, a intensificação da presença militar ianque no continente sul-americano já havia sido anunciada antes mesmo do surto da doença, o que expõe a elaborada mentira por trás do discurso de Trump.
No início de março, o comandante de combate do Comando Sul (responsável por operações militares nas Américas Central, do Sul e no Caribe), Craig Faller, declarou em um depoimento feito ao Congresso ianque que um dos fins do fortalecimento da presença de seu Exército na região seria combater os avanços da China sobre a América do Sul e Central, ou seja, de manter a hegemonia da influência regional do imperialismo ianque sobre o território.
Como já analisado pelo AND, a Venezuela vivia um cenário de guerra de baixa intensidade aplicada pelo imperialismo ianque para desestabilizar o país e tornar a situação interna insuportável, porém com medidas encobertas de tal modo que o campo de resistência nacional não se alargasse tanto. Entretanto, o quadro se encaminha agora para o de uma guerra de agressão imperialista aberta, vide o avanço das tropas ianques para perto da fronteira, embora seja a situação menos desejável pelos imperialistas.
Sob tais circunstâncias, de nada adiantará a vacilante defesa de Maduro quanto a soberania nacional da Venezuela, ou as ilusões quanto ao apoio do imperialismo russo ou do social-imperialismo chinês, principais “aliados” venezuelanos que sabem muito bem o valor da posição estratégica da América do Sul enquanto quintal do imperialismo ianque e base da sua hegemonia global.

‘Plano de transição pacífica de poder’
Em 31 de março, o USA havia apresentado o que o governo do genocida Trump chamou de “Marco Democrático para a Venezuela”, um documento de conteúdo chantagista que apresenta um cronograma de 14 pontos e prevê que o imperialismo ianque retiraria algumas das sanções impostas sobre a Venezuela caso eles sejam cumpridos.
Entre as diversas extorsões, o plano determina que tanto Maduro como Juan Guaidó (que se autoproclamou “presidente” da Venezuela em maio de 2019 com a bênção dos ianques) “afastem-se” para que a Assembleia Nacional nomeie um conselho de governo de transição, e este se encarregaria, então, de organizar novas eleições presidenciais dentro de seis a oito meses. Além disso, o plano ianque também exige que todas as forças de segurança estrangeiras se retirem do país, referindo-se às tropas e conselheiros russos e chineses, principalmente.
Com tal plano, os ianques (que só aceitam como “eleições livres” aquelas que eles conduzem e, portanto, manipulam) estabeleceriam um governo títere, submetido integralmente aos seus mandos e que permitisse aos monopólios financeiros ianques impor-se com exclusividade sobre o mercado local de matérias-primas (como o petróleo) e consumidor. Converteriam-se, assim, a Venezuela em sua colônia.

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