Crise geral do imperialismo lança milhões à miséria

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A crise geral de superprodução do imperialismo agudizada pelo novo coronavírus desde o seu início já trouxe consigo devastação para as classes trabalhadoras: um total de 81% da força de trabalho global teve o seu local de trabalho total ou parcialmente encerrado. Isso significa quatro em cada cinco empregos afetados pela crise.
De acordo com a Oxfam Internacional, meio bilhão de pessoas podem ser levadas à pobreza ao final da crise sanitária.

Economia da superpotência desmorona
No Estados Unidos (USA), a situação chega a ser devastadora: o desemprego atingiu cerca de 17 milhões em apenas três semanas! Apenas na primeira semana de abril, a solicitação do seguro desemprego ultrapassou a marca dos 10 milhões. As previsões econômicas para o país conjecturam que o desemprego ultrapassará seu pico histórico de 25% registrado durante a Grande Depressão de 1929. O número de empregos perdidos em apenas três semanas ultrapassou os 15 milhões, quantia alcançada em 18 meses durante a crise de 2007-08.
Além disso, a previsão do mais alto representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) na América Latina, Alejandro Werner, revelou que a região já está enfrentando a “mais profunda crise em mais de meio século”.
No Canadá, vizinho da superpotência ianque, atingiu-se o recorde de um milhão de empregos perdidos em março, elevando a taxa de desemprego de 2,2% para 7,8% em relação ao mês anterior. O país está agora com a menor taxa de emprego desde abril de 1997.

No resto do mundo
Na Europa, apenas nas duas últimas semanas de março, um milhão de empregos foram perdidos, de acordo com a Confederação Europeia de Sindicatos.
Na Índia, a taxa de desemprego na última semana de março era de 23,8%. A taxa de participação da força de trabalho caiu para 39%, e a taxa de emprego foi de apenas 30% no país, segundo o Centro de Monitoração da Economia Indiana. Os dados são referentes à população de cerca de 1,3 bilhões de indianos (17,7% de toda população mundial). Já na África, a previsão da União Africana é de que 20 milhões de empregos estejam em risco durante a crise de superprodução.

A profundidade da crise
Os pronunciamentos temerosos dos grandes capitalistas são bastante elucidativos. Assim sintetizou, amedrontada ante a grande onda de levantes populares que virão, a atual diretora-gerente do FMI no dia 3 de abril: “Agora estamos em recessão. É uma crise como nenhuma outra. Esta é a hora mais sombria da minha vida, uma grande ameaça para o mundo inteiro”.
O diretor executivo do monopólio da aviação British Airways, Alex Cruz, afirmou se tratar a atual crise de uma “crise de proporções globais como jamais vimos”. E vai além: “Alguns de nós trabalhávamos na aviação durante a crise financeira global, o surto de Sars e o 11 de setembro. O que acontece neste momento, em decorrência da Covid-19, é mais sério do que qualquer um desses eventos”.
Em 2019, prevendo já a atual crise, o ex-chefe do Banco Central indiano e ex-economista-chefe do FMI, Raghuram Rajan, afirmou que a crise põe em “grave ameaça” a existência do capitalismo.
“Acho que o capitalismo está sob grave ameaça porque não conseguiu atender às necessidades de muitos, e quando isso acontece, há muitas revoltas contra o capitalismo”, afirmou, em programa de rádio da BBC. “Acredito que isso pode acontecer mais cedo do que se imagina”, lamentou.
As recentes afirmações do monopólio de imprensa e dos grandes monopólios financeiros de que a crise será temporária e que com o fim da pandemia as coisas voltarão ao normal se provam mais absurdas a cada dia que passa.
José Martins, do site Crítica da Economia, desaprova tais afirmações e demonstra que uma recuperação rápida não é possível, pois a crise assenta-se na “interrupção de um processo de valorização do capital” e não simplesmente de produtos, interrupção esta apontada como previsível desde “o aparecimento, desde o ano passado, de incontroláveis distúrbios circulatórios”, em agosto de 2019, porém não só.
“Não [é] mais alguma coisa parecida com o convescote da ‘grande recessão 2008/2009’, mas uma coisa que pode ser até dez vezes mais pesada que a grande e clássica grande depressão dos anos 1930. Isto não pode ser considerado nenhum exagero quando se utiliza seriamente, sem banalização, o conceito de depressão econômica”, escreve, no texto O capital em coma induzido.
Os pagamentos de auxílio, no USA e em todo o mundo, para os desempregados e demais trabalhadores não são bondades, mas uma necessidade dos capitalistas para que as massas não parem abruptamente o consumo visando frear a explosão da crise e enfraquecer o perigo de caos social e de prelúdio de revoluções. No USA, estão sendo pagos 1,2 mil dólares, e no Brasil, miseráveis R$ 600.
Para as massas, depois de um longo processo de depressão econômica e miséria poucas vezes visto no mundo, os trabalhadores serão submetidos a condições ainda mais degradantes e com quase nenhum direito, diante da necessidade dos monopólios econômicos de aumentar o nível de exploração. Isso, no entanto, lançará centenas de milhões à luta. A Revolução Proletária se abre no horizonte nebuloso como uma brilhante perspectiva.

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