AM: Pacientes morrem por falta de profissionais; médicos desabafam

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A situação da saúde pública no Amazonas está profundamente grave. Médicos e profissionais denunciam péssimas condições de trabalho e mortes em massa dentro e fora das unidades de Manaus, capital do Amazonas.
O Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Alvorada, por exemplo tem situação absolutamente insustentável. Um médico, em entrevista à imprensa local no dia 18 de abril, desabafou:
“Quatro pacientes foram a óbito por falta de ventiladores. Na madrugada houve falta de oxigênio, não tinha profissionais para trocar os cilindros e seis vieram a óbito. Nós, médicos, estamos aqui trabalhando junto com os enfermeiros; vemos a população indignada, vindo ao SPA colocando culpa nos médicos; nós não somos os culpados, estamos aqui para trabalhar, com seriedade, na guerra, mas precisamos de novos combatentes, e é coisa da gestão”.

Funcionários protestam exigindo salários e melhores condições. Mais de dez pacientes morreram em uma madrugada.
Ele prossegue: “As últimas 24 horas foram muito tensas. Muita gente com suspeita de Covid-19. Falta material, faltam insumos, e as vidas estão sendo ceifadas”.
Outro vídeo, gravado por um profissional do mesmo hospital, mostra corpos de pessoas que morreram na véspera do dia 18 e que não foram retirados pelo serviço funerário. Não há técnicos de enfermagens, segundo o denunciante, por falta de insumos e equipamentos, enquanto pacientes entubados são deixados à deriva pela negligência dos governos.
Segundo sindicalistas, a situação não se limita a essa unidade; ao contrário. O Hospital 28 de Agosto e o Hospital João Lúcio estão também com falta de cilindros. “As pessoas estão morrendo na rua, nos hospitais. O sistema de contingenciamento não funciona e os profissionais estão desesperados”, afirma o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam).
Até o fechamento desta edição, mais de 370 profissionais da saúde foram afastados por Covid-19, e nove mortes de profissionais foram confirmadas em decorrência da doença – é certo que, sendo subnotificado os enfermos, o número de profissionais mortos pelo vírus seja ainda maior.

Protestos contra falta de salários e EPI
No dia 28 de março os trabalhadores da saúde terceirizados, principalmente enfermeiros, já haviam realizado, em Manaus, um de muitos protestos contra a falta de salários, e denunciaram a falta de equipamentos para lidar com a Covid-19.
O ato foi realizado em frente ao Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimento de Serviço de Saúde do Estado do Amazonas (Sindipriv), na zona norte de Manaus.
Os trabalhadores de diversas empresas terceirizadas relataram que alguns estão com atraso salarial de até oito meses, e explicam que a pandemia da Covid-19 trouxe novamente à tona a falta não apenas de equipamentos, como também de diversos insumos nas unidades de saúde.
“Todos estão com salários atrasados, é um absurdo. Já denunciamos, conversamos com o Ministério Público em relação aos pagamentos, mas até agora nenhum retorno. Eles estão sendo demitidos por cobrarem o que é de direito, pois estão sendo despejados de suas casas, onde muitos moram de aluguel. Conta de luz e água atrasada. Em alguns hospitais, os enfermeiros são obrigados a usar as máscaras por 12 horas, porém, a eficácia do material dura apenas 4 horas. Sem salário e arriscando a vida dentro das unidades”, denuncia uma das lideranças do sindicato, Graciete Mouzinho.

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