Companheiro Diquinho, presente na luta! Glória eterna aos lutadores do povo!

A- A A+

No dia 14 de abril de 2020, faleceu, aos 72 anos, Nilton Gomes Pereira, o  companheiro Diquinho, como era conhecido em todo o Complexo do Alemão. Histórica liderança comunitária, incansável na luta em defesa dos direitos do povo, iniciou a militância política ainda jovem, por influência de seu irmão, responsável por despertar nele a chama revolucionária que jamais se apagaria. 

Mineiro do município de Caratinga, veio com a família para o Rio de Janeiro no bojo das ondas migratórias, como milhões de brasileiros. Empregou-se como operário tipógrafo, habilidoso e cioso do seu ofício, do qual recordava com saudosismo. Talvez viesse daí a preocupação que sempre demonstrou com o trabalho de agitação e propaganda entre o povo, diagramando, editando a fazendo circular incontáveis panfletos e jornais pela favela.

Em meados da década de 1970, ingressou nas fileiras do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), à época, uma das mais combativas organizações de resistência ao regime militar fascista de 1964, com grande influência nos bairros operários e favelas. Foi neste trabalho entre as massas mais profundas que Diquinho se destacou. Neste período, dedicou-se a estudar o marxismo-leninismo. Nunca vacilou na tarefa de defender, propagar e lutar por aplicar a ciência do proletariado.

Foi vice-presidente da Federação das Associações de Favela do Estado do Rio de Janeiro (Faferj), na gestão de Irineu Guimarães, importante liderança do Jacarezinho, seu companheiro de MR-8 e uma de suas principais referências políticas. Juntos, organizaram dezenas de associações de moradores em todo o Rio de Janeiro, impulsionando todo tipo de lutas reivindicativas e por moradia, ao lado das consignas políticas gerais contra o regime militar fascista. Foi um dos pioneiros na ocupação do Morro da Baiana, hoje, uma das comunidades que compõem o Complexo do Alemão, local de moradia e trabalho de milhares de trabalhadores. Nesta rica experiência, forjou-se como organizador e agitador de talento, como reconheceria no ato quem o ouvisse falar.

Após romper com o MR-8, militou em vários partidos onde travou duras batalhas internas, chegou a candidatar-se por mais de uma vez, mas, sem dinheiro, com campanhas feitas “no braço”, nunca obteve sucesso. Atuou, nos últimos anos, junto ao Movimento de Comunidades Populares (MCP). Jamais negociou ou relativizou suas convicções em troca de lugarzinhos rendosos ou cargos. Manteve-se fiel à lição de viver, lutar e trabalhar com as massas. Coerente com sua posição de classe, avançou para a defesa do boicote à farsa eleitoral. Quando, aproximadas as eleições, algum morador questionava-o se viria candidato, saía de lá convencido por ele a não votar.

Em 2009, fundou o Conselho Popular do Complexo do Alemão, que seria, na sua concepção, uma alternativa à cooptação pelo velho Estado que acometeu a maior parte das associações de moradores. Insistia, igualmente, na necessidade de mobilização da juventude. Por isso, impulsionou a criação do Pré-Vestibular comunitário, montado no terraço de sua casa, como espaço que combina estudo formal e formação política. Neste ano, o Pré-Vestibular, que era um dos seus maiores orgulhos, completará dez anos de existência.

Abnegado, colocava a causa à frente de tudo. Sem luxo ou privilégios, extremamente solidário, pronto para ajudar aqueles que batiam em sua porta, viveu de forma modesta, e seguiu até o fim empunhando a bandeira da Revolução. O Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação (Moclate), o Movimento Feminino Popular (MFP), a Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR) e outras organizações democráticas e revolucionárias sempre encontraram sua casa de portas abertas.

Entre idas e vindas, sempre precárias, à hospitais da região, em que, alguns dos quais, negaram-lhe atendimento, Diquinho faleceu em casa, ao lado dos seus companheiros. Passaram-se dez horas entre o último pedido de socorro e a chegada da ambulância. Seu corpo sequer foi submetido ao teste de Covid-19 e a causa da morte foi dada como “indeterminada”; faleceu vítima da negligência do velho Estado.

Companheiro Diquinho: sua perda é inestimável! Sua célebre teimosia, para muitos, mero traço de personalidade, era na verdade a maneira que encontrou de não ceder nem se curvar jamais. Seu último suspiro encontrou-o fiel à causa do comunismo. Sua trajetória é exemplo para as jovens gerações.

Companheiro Diquinho, presente na luta!

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Victor Costa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza