Colômbia: Camponês é assassinado pelo Exército

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As criminosas Forças Armadas colombianas assassinaram o camponês Emérito Buendía Martinez, na aldeia de Tutumito, na zona rural de Cúcuta. O homem foi baleado pelo Exército na manhã do dia 18 de maio; tinha 44 anos e era pai de seis filhos. Três outros camponeses foram feridos por disparos dos reacionários durante a mesma operação. 

Emérito foi membro do Conselho de Ação Comunitária (JAC) da aldeia Tutumito na zona rural de Cúcuta e da Coordenadoria Nacional dos Produtores de Coca, Papoula e Maconha (COCCAM), organização legal no país. Em 26 de março, o Exército já havia assassinado o pequeno produtor Alejandro Carvajal em uma área próxima, no município de Sardinata, Norte de Santander. 

A operação foi realizada, pois o Exército pretendia erradicar violentamente a cultura de coca na aldeia de Tutumito. Dezenas de camponeses organizados do assentamento se mudaram para o local com o objetivo de impedir que o Exército continuasse a destruir a cultura, único meio de subsistência na região, sem antes o governo dar uma alternativa compensatória. Quando chegaram ao local, o Exército nacional abriu fogo sobre os camponeses desarmados. 

Apesar de assassinar os camponeses e destruir suas pequenas produções , o velho Estado assinou, mas não cumpriu, vários acordos nas últimas décadas com produtores de coca para a substituição voluntária de culturas ilícitas. O mais recente foi no âmbito dos acordos de Havana com o Plano Nacional de Substituição Integral (PNIS), que previa subsídios às famílias e principalmente a projetos produtivos para que elas pudessem ter outra fonte de subsistência. O velho Estado faltou totalmente ao cumprimento deste acordo, porém, realiza a erradicação forçada e violenta das lavouras dos camponeses.  

Segundo o jornal revolucionário El Comunero, “é claro que o discurso do governo de substituição ‘voluntária’ é apenas para enganar o povo. Quando o povo assina os acordos, o Estado quebra sua palavra e assassina aqueles que se opõem”. 

Também de acordo com o jornal, os camponeses de várias áreas de Cúcuta e Norte de Santander têm se organizado para resistir, e há um mês formaram assentamentos, onde se encontram em alerta para se oporem à erradicação violenta de suas lavouras pelo Exército reacionário. Eles exigem o cumprimento dos acordos já feitos pelo governo, e declaram que enquanto não forem cumpridos, não permitirão a erradicação de suas lavouras.  

Após o assassinato de Emérito Digno Buendía, a comunidade se declarou em assembléia permanente e reafirmou seu compromisso de continuar se mobilizando para impedir a erradicação violenta e forçada contra os camponeses. 

O El Comunero acrescenta ainda que “a impunidade por parte do velho Estado sempre existiu e sempre existirá, não haverá julgamento destes assassinos do povo pelo sistema judicial podre da Colômbia. Mas o sangue do povo não ficará impune, a justiça virá do povo. Já os camponeses estão aprendendo dolorosas lições de que este velho Estado só serve aos grandes burgueses e latifundiários, que o velho Estado só promete e mata pelas costas e que não haverá paz enquanto o camponês não tiver a terra, as estradas, a irrigação, o poder de decidir o que plantar; enquanto o povo não tiver o poder” 

Na Colômbia, há cerca de 100 mil agricultores que plantam arbustos de coca. São agricultores pobres que cultivam coca em micro e pequenas propriedades localizadas em algumas das áreas mais pobres do país, com pouco acesso para extrair, escoar e comercializar outras culturas, razões essas que só deixa a coca como possibilidade a eles.  

Os camponeses denunciam que o velho Estado colombiano apenas promete dar meios de substituir a plantação da folha de coca por outras culturas, quando na realidade não o faz. Enquanto isso, criminaliza e assassina os camponeses por tentarem retirar desse cultivo sua sobrevivência, aumentando sua exploração e aprofundando o controle militar no campo, enquanto aos grandes traficantes e responsáveis pelos cartéis, nomes cuja relação com o Estado é notícia, nada acontece. 

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