Chile: Protestos explodem contra a fome e o desemprego

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No dia 25 de maio, na cidade de Puente Alto e na comuna de La Pintana, em Santiago, moradores protestaram com barricadas incendiadas exigindo que o velho Estado resolva a grave situação de fome e de desemprego que os acometem.  

Os moradores de ambas as regiões fecharam ruas movimentadas, ergueram barricadas em chamas, e batendo em suas panelas, exigiram do velho Estado chileno os alimentos prometidos para o período de quarentena, que ainda não haviam sido entregues, além de protestarem contra o desemprego, que atingiu a imensa maioria da população pobre durante a pandemia do novo coronavírus e a crise já anunciada no país. Eles também se recusaram a ser multados por estarem protestando. 

Em um protesto em La Pintana dia 19/05 uma manifestante denunciou às câmeras dos monopólios de comunicação: “Ninguém nos ajuda, nem o governo, nem o município, nem os narcotraficantes!”. 

Nesse mesmo dia, ocorreram protestos nos bairros El Bosque, La Granja e San Ramón. Também houveram protestos e barricadas em Villa Francia, na comuna de Estación Central (em Santiago), em Maipú e em Cerro Navia. O mesmo aconteceu na cidade de Valparaíso e nas comunas de San Felipe Olmué e San Antonio. 

 

Quarentena é quebrada para vencer a fome 

Os protestos têm acontecido desde o dia 18 de maio na capital, quando operários residentes  do bairro de El Bosque, em Santiago, foram os primeiros a quebrar a quarentena para exigir o mínimo para a sua sobrevivência. 

Na ocasião, um grupo de 50 pessoas enfrentou a polícia de choque com bastões e pedras, durante um protesto contra a situação de miséria. Durante a tarde daquele mesmo dia, outros três bairros se juntaram à manifestação combativa. 

Durante a noite, na mesma área, cerca de 100 trabalhadores famintos saquearam uma empresa de distribuição de gás. No centro da cidade de Santiago, manifestantes queimaram um ônibus. Ao total, 22 pessoas foram detidas. 

Também no dia 18/05, a palavra Fome foi projetada num dos principais edifícios da praça da Dignidade (rebatizada assim pelos manifestantes após os grandes protestos de 2019) na capital, enquanto dentro dos prédios, moradores batiam em suas panelas.  

 

Sistema de opressão só gera miséria 

Sob pressão das massas, a única coisa que o velho Estado chileno pode oferecer foi um auxílio de 80 dólares (aproximadamente R$ 427) em junho, outro de 67,6 dólares (R$ 360) em julho e um terceiro de 55,3 dólares (R$ 295) em agosto, apenas para 40% das famílias mais pobres. O governo de turno também prometeu fornecer uma cesta de alimentos para as famílias, mas muitas delas ainda não receberam. 

De acordo com o psicólogo Benito Baranda: “No Chile, um terço das pessoas vive de trabalhos informais e nos bairros mais vulneráveis isso supera os 50%”. Essas pessoas, que antes sobreviviam do trabalho informal, durante a quarentena, encontram-se desempregadas. 

Também, segundo informações divulgadas recentemente pelo Banco Central do país, o endividamento dos lares chilenos alcançou uma cifra recorde de 75% da renda anual de uma família. A Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), das “Nações Unidas”, calcula que a pobreza no Chile poderá passar dos 9,8% registrados em 2019 para os 13,7% em 2020. 

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