‘Por uma nova democracia!’ - Milhares protestam pelos direitos democráticos e contra o golpe militar

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Milhares de pessoas marcharam pelas ruas em todo o Brasil, no dia 7 de junho, contra o governo golpista de Bolsonaro/generais e contra os assassinatos de jovens pelas operações de guerra das polícias. Pelo menos 20 capitais registraram protestos, sendo que em alguns locais a repressão impediu o povo de se manifestar. 

 

Sudeste 

No Rio de Janeiro, cerca de 5 mil pessoas marcharam por toda a avenida Presidente Vargas. Apesar do enorme aparato de repressão mobilizado (que incluía tanques, caminhões blindados equipados com lançadores de água e tropas do Exército reacionário, mesmo não existindo “Garantia da Lei e da Ordem” que permitisse tal mobilização), os manifestantes não se intimidaram. Foram milhares de policiais de diferentes forças de repressão mobilizados. Todos que se dirigiram ao protesto com mochilas foram revistados, com raras exceções. 

O protesto rechaçou a Polícia Militar (PM), suas operações de guerra contra o povo nas favelas e seus recentes assassinatos, como o do jovem João Pedro. Além disso, rechaçaram o fascista Bolsonaro e o general Hamilton Mourão, com palavras de ordem como Fora Bolsonaro e leve Mourão com você! e contra o fascismo. 

Sob a faixa de Pela Nova Democracia!, duas bandeiras do imperialismo ianque (Estados Unidos, USA) foram queimadas, sob os gritos de Yankees go home! (“Ianques, voltem para casa”, palavra de ordem anti-imperialista histórica). As bandeiras foram incendiadas em dois momentos diferentes do protesto. 

Em outro momento, quando as lideranças de um movimento oportunista pediram para que todos se ajoelhassem diante da Polícia Militar (PM) em um “ato simbólico”, houve resistência por parte dos manifestantes combativos. Um bloco vermelho e um grupo de ativistas pretos se recusaram a se ajoelhar para manter sua dignidade. Os ativistas do movimento negro combativo percorreram todo o ato exigindo que todos se levantassem e não se humilhassem diante do velho Estado. 

“Levantem! Levantem! Aqui, não! Nós ajoelhamos todos os dias nas nossas casas, nas nossas favelas, para viver, para ter emprego. Aqui não, porra! Aqui eles têm que se ajoelhar para nós!”, bradou, revoltado, um homem preto que participava do protesto. Diante da agitação, todos se levantaram. 

Em São Paulo, o ato contra o golpismo e contra os ataques aos direitos democráticos ocorreu no Largo da Batata, em Pinheiros, iniciando-se às 14h. 

Houve repressão e militares foram flagrados, em vídeo, espancando manifestantes encurralados e já detidos, no fim da marcha. Os covardes usaram cassetetes e chutes para agredir os jovens. Balas de borracha, bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo também foram usadas contra a massa para tentar dispersá-la. 

A PM mobilizou aproximadamente 4 mil policiais para reprimir os jovens, além de caminhões blindados equipados com lançadores de água e todo tipo de armas “não letais”. Depois de serem atingidos por balas de borracha e bombas, os manifestantes responderam atirando pedras e outros objetos. Uma agência bancária teve a vidraça destruída. Barricadas foram incendiadas em algumas ruas. 

Participaram torcidas organizadas de times de futebol, como do Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, além de movimentos populares. 

Em Belo Horizonte (MG) o ato, contra o golpe militar e a situação do país, contou com mais de 2 mil pessoas e reuniu as torcidas de clubes de futebol de Minas Gerais: Atlético Mineiro, Cruzeiro e América, além de movimentos populares e grupos de juventude, no dia 7/06. 

Na marcha, os manifestantes gritaram palavras de ordem e estenderam suas faixas e cartazes, denunciando a situação do país e também o covarde assassinato de George Floyd (homem preto estadunidense) que foi covardemente assassinado pela polícia no USA. 

Uma faixa estampava: Por uma Nova Democracia!, em contraposição ao fascismo e aos generais. Uma outra dizia: Bolsonaro genocida! Palavras de ordem também diziam Não passarão os crimes hediondos do regime militar! e chamavam Bolsonaro de “presidente de milícia”, referindo-se aos grupos paramilitares de extrema-direita atuantes sobretudo no Rio de Janeiro. Durante todo o percurso foi possível ver famílias inteiras se solidarizando com a marcha. 

 

Norte e Nordeste 

Em Belém (PA), a manifestação foi brutalmente reprimida e impedida de ocorrer, no dia 7/06. Mais de 100 manifestantes foram cercados e presos, na praça do Brás, durante a concentração do ato, acusados de romper com o isolamento (decreto estadual). 

Em Fortaleza (CE), a manifestação também ocorrida dia 7/06, foi reprimida e dez pessoas foram presas após “furarem um bloqueio” da PM. 

A PM impôs um forte aparato militar de repressão, e por decisão autoritária definiu até onde o protesto poderia ir. A justificativa foi “descumprimento do isolamento”, que, é certo, não vale para os protestos bolsonaristas. 

Em Maceió (AL), ocorreram dois atos no dia 7/06. Um, pela manhã, na Ponta Verde e, outro, no bairro do Farol, à tarde. Ambos exigiam respeito aos direitos democráticos e rechaçaram o golpismo.  

No Recife (PE) a manifestação também rechaçou o governo e exigiu justiça para Miguel, criança de 5 anos que morreu ao cair de um prédio de luxo onde trabalhava sua mãe, após negligência deliberada da patroa.  

Em Manaus (AM), Boa Vista (RR), São Luis (MA), Teresina (PI), Salvador (BA) e Aracaju (SE)  também ocorreram atos rechaçando o golpismo e os assassinatos de jovens pretos no Brasil, reunindo centenas de pessoas.  

Centro-oeste 

Em Cuiabá (MT) cerca de 300 pessoas marcharam pela avenida Getúlio Vargas e adjacências repudiando o fascismo, o golpismo e o genocídio dos povos indígenas e dos pobres e pretos. 

Já em Goiânia (GO), dois homens foram detidos, um deles por portar uma tesoura. O protesto durou quase três horas e rechaçou o fascismo e o golpismo. 

Já no Distrito Federal, o protesto ocorreu e foi de encontro ao promovido por bolsonaristas, próximo ao Palácio do Planalto. A PM fez um cerco para proteger os bolsonaristas. Os antifascistas lançaram consignas contra os ataques aos direitos democráticos e contra o golpismo. Tinta vermelha foi arremessada na entrada da sede do governo federal, representando o genocídio promovido durante a pandemia pelo governo, e um homem foi detido. 

 

Sul 

Em Curitiba (PR), centenas de pessoas marcharam contra o golpismo, saindo do prédio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no centro.  

Os manifestantes não se intimidaram com a presença desproporcional de tropas militares, como a cavalaria e a tropa de choque, além de policiais infiltrados (P2). Bandeiras com a palavra de ordem: Nova Democracia foram avistadas. Houve protestos também em Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Londrina e Umuarama. 

Em Porto Alegre (RS) ocorreram duas manifestações diferentes que se encontraram no largo Zumbi dos Palmares. Torcidas antifascistas participaram do ato, que rechaçou o golpismo e exigiu respeito aos direitos democráticos do povo. No estado houve atos também em Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, Pelotas e Santa Maria. Em Florianópolis (SC) e nas cidades de Criciúma, Blumenau, Balneário Camboriú e Joinville os protestos também rechaçaram o golpismo. 

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