PA: Ibama queima casas, expulsa famílias e tortura camponeses

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Camponeses da região de Vila Sudoeste, na zona rural de São Félix do Xingu, no Pará, tiveram suas casas covardemente invadidas e incendiadas por agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

O fato, divulgado recentemente, aconteceu no dia 8 de abril. Os agentes, além das invasões e incêndios nas casas, queimaram também meios de locomoção dos camponeses, expulsaram as famílias trabalhadoras e torturaram lideranças que apoiam os camponeses na região. 

O camponês Gilvan Coelho Ribeiro afirmou, em entrevista ao portal São Félix do Xingu Notícias, que agentes do Ibama atearam fogo em sua casa sem ao menos lhe dar a chance de retirar os seus pertences da residência. Como consequência do criminoso ataque, o trabalhador teve sua moto incendiada. 

O presidente da Associação Terra Prometida, Arilson Alves Brandão e o Vereador Silvio Coelho, conhecido como “Silvio Sem Terra”, foram prontamente ao local verificar a situação das famílias assim que receberam a denúncia do ataque. 

A cerca de 10 km do Rio Negro ambos foram abordados pelos agentes do Ibama que,  armados, obrigaram Arilson e Silvio tomar parte na expulsão das famílias. O presidente da associação e o vereador foram ainda mantidos sentados na estrada por pelo menos duas horas sob ameaças e tortura dos agentes que queriam acusar os dois pela ocupação da área. 

Após serem libertados, Arilson e Silvio foram alertados para não entrar na área onde se encontravam aproximadamente 300 famílias com suas roças de arroz e milho prontas para serem colhidas, deixando clara a intenção dos funcionários do Ibama de atacar também essas famílias e suas plantações. Durante a tarde do mesmo dia, mais de 20 casas na região foram também queimadas. 

Ponte dos camponeses é destruída 

No dia 10 de abril, os agentes do Ibama retornaram à região de Rio Negro e destruíram as pontes que cruzavam o rio e o aterro da área, únicas vias de acesso à localidade, deixando centenas de famílias em completo isolamento, sem alimentos  e roupas. As pontes destruídas pelos agentes do velho Estado haviam sido construídas com trabalho e recursos dos próprios camponeses. 

Nas redes sociais, uma série de denúncias foram feitas diante da repercussão do ataque contra os camponeses. Moradores de Vila Mocotó, região do Asurini, no município de José Porfírio, relatam que os agentes do Ibama queimaram mais de 200 casas na região do rio Bacajaí fazendo uso de quatro helicópteros. Outro ataque semelhante também foi denunciado por moradores de Lindoeste, também em São Félix do Xingu.

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