Protestos contra a anexação da Cisjordânia por Israel

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Em todas as partes do mundo foram registradas manifestações em rechaço ao plano anunciado por Israel de anexar parte do território palestino da Cisjordânia, ou seja, incorporá-lo como parte “oficialmente” israelense.  A maioria delas ocorreu no dia 1º de julho, data prevista para o processo de anexação ser iniciado, mas que acabou sendo postergado por ora. Porém, no decorrer do mês múltiplos protestos foram registrados em solidariedade ao povo palestino e à sua luta contra o projeto de expansionismo colonial-sionista, além da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém.

Na Faixa de Gaza, um grande protesto reuniu milhares de pessoas na Cidade de Gaza, em que ativistas e lideranças populares discursaram e foi realizado um “juramento nacional ao sangue dos mártires”. Centenas de bandeiras palestinas foram hasteadas pela multidão, que exibia cartazes em árabe e inglês afirmando Não ao apartheid! Não à anexação! e A anexação ilegal de Israel é uma declaração de guerra à Palestina!

Palestinos lutam na Cisjordânia

Além de repudiar a anexação, os manifestantes também denunciaram a ocupação colonial que Israel promove na Palestina e o cerco criminoso de Israel à Gaza, que já dura 12 anos, e celebraram a histórica Resistência Nacional palestina. Também havia diversos cartazes em apoio ao levante de massas no Estados Unidos (USA) contra o racismo, que afirmavam: Não conseguimos respirar desde 1948!, uma referência ao ano da criação oficial do Estado de Israel e início do saque de terras palestinas, bem como às últimas palavras de George Floyd, homem preto morto por um policial branco no USA.

Yahya Sinwar, atual líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que governa a Faixa de Gaza, esteve presente no ato. Em fevereiro, planos de Israel para matar Sinwar foram frustrados e desmantelados, de forma que sua mera aparição em público serve como uma grande provocação ao sionismo.

No dia seguinte, milhares de massas palestinas marcharam também na cidade de Khan Younis, e no dia 3 de julho, na cidade de Rafah, ambas no sul de Gaza.

Já na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, mesmo com o imobilismo político do Fatah, partido capitulacionista que dirige a Autoridade Palestina e governa o território, ocorreram diversas manifestações. Em Ramallah, centenas de palestinos se reuniram na praça al-Manara, no centro da cidade, para protestar, e manifestações em Belém e Jericó também reuniram centenas de palestinos.

Kazem al-Haj Muhammad, um camponês da aldeia de al-Mughair, perto de Ramallah, expressou à mídia local sua revolta contra a Autoridade Palestina por sua inércia perante os ataques de Israel: “Existem milhares de acres de terra ameaçados de serem transformados em postos avançados [de Israel], mas continuaremos a defendê-los até o último de todos nós”.

No dia 1° de julho, em Nova York, no USA, milhares de pessoas marcharam no bairro do Brooklyn, contando com uma grande presença de membros da comunidade muçulmana e de etnia árabe, assim como de judeus anti-sionistas. Foram erguidas faixas com os dizeres Fim ao sionismo! e Resistir até o retorno!, referindo-se à luta histórica pelo direito dos palestinos deslocados e forçados a migrar devido à ocupação israelense de retornarem às suas casas na Palestina.

Também foram registrados protestos em Seoul, na Coreia do Sul, e na cidade sul-africana de Sandton, onde dezenas de ativistas pró-Palestina se reuniram em frente ao consulado ianque, erguendo cartazes que denunciavam a anexação como roubo de terras palestinas e acusando o sionismo de ser um sistema de Apartheid racial.

No dia 27 de junho, revolucionários e apoiadores da luta palestina realizaram uma manifestação contra a ofensiva sionista sobre a Cisjordânia na capital francesa, Paris. Nela, os manifestantes expressaram sua solidariedade aos presos políticos palestinos e leram, ao final, uma declaração escrita por Georges Abdallah, comunista árabe que se encontra preso nas masmorras do imperialismo francês há 36 anos.

No dia 10 de julho, cerca de 150 pessoas se reuniram no centro de Hamburgo, no norte da Alemanha, para protestar contra a anexação, levantando alto o espírito do internacionalismo proletário. Os presentes entoaram palavras de ordem como Alta solidariedade internacional! e Viva Palestina!

Uma grande faixa foi erguida com os dizeres Anexação + Ocupação e uma imagem de um soldado israelense ajoelhado sobre o pescoço de um palestino, sufocando-o, também em referência a George Floyd. Denunciou-se, assim, que a anexação oficial é apenas uma das facetas do colonialismo-sionista, que há décadas já ocupa militarmente a maior parte da Palestina, asfixiando seu povo, seja forçando-o a deixar sua nação, proibindo sua circulação, assassinando seus filhos e filhas ou saqueando suas terras e recursos.

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