Colômbia: Luta pelo direito à moradia cresce

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Durante a crise geral do capitalismo, agravada pela pandemia da Covid-19, as massas populares da Colômbia se viram jogadas à miséria, desempregadas e sem ter como pagar seus aluguéis.  Tal situação acabou intensificando, consequentemente, sua luta pela moradia. Durante o ano de 2020, foram incessantes as ocupações de terrenos e prédios abandonados, com o velho Estado, gerido pelo governo de turno do reacionário Iván Duque, reprimindo implacavelmente as iniciativas do povo colombiano de tomar o que é seu por direito elementar.

De acordo com o jornal da imprensa popular colombiana, El Comunero, o desemprego no país chegou a 21,4% no mês de maio, sendo que 47% da população ocupada trabalha no setor informal. Isso representou uma queda drástica na renda de milhões de famílias que tiveram que decidir entre comer ou pagar o aluguel de suas casas.

Colômbia_ Luta pelo direito à moradia cresce

Antes da pandemia, mais de 35% da população na Colômbia (aproximadamente 17 milhões de pessoas) não tinham imóvel próprio e viviam de aluguel: “Nem antes, nem durante a pandemia o Estado se preocupou em resolver esse déficit habitacional; pelo contrário, sua política tem sido a de favorecer especuladores imobiliários e grandes empresas de construção”, denuncia El Comunero.

O jornal prossegue, destacando que, durante a pandemia, apesar de ter afirmado que proibiria os despejos, o velho Estado realizou vários de forma violenta, fazendo com que, diante do agravamento da crise, a única opção para muitas famílias seja tomar lotes abandonados.

Exemplo disso é que, em meados de maio, na cidade de Cali, bairro de Siloé, dezenas de famílias enfrentaram a polícia para tentar evitar que fossem despejadas de um prédio público em desuso. O chefe do Departamento Municipal de Segurança e Justiça de Cali disse que “todas as semanas temos entre seis e sete tentativas de invasão de lotes, especialmente aqueles de propriedade do município”, evidenciando que, apesar da repressão do velho Estado colombiano, o povo continua a lutar incansavelmente pelo exercício do seu direito à moradia.

De acordo com o periódico El Comunero, em Cúcuta, capital do departamento de Santander, 600 famílias tomaram um lote que era utilizado como aeroporto para aviões agrícolas. Na Ciudad Bolívar, em Bogotá, centenas de famílias foram violentamente despejadas em abril e, apesar disso, o Estado ainda não conseguiu deter as ocupações. Segundo a Secretaria de Habitat, na Ciudad Bolívar existem 40 locais de monitoramento de 638 hectares, onde foram identificadas 12.261 ocupações.

A luta das famílias em Soacha

Mais de 800 famílias ocuparam um terreno em janeiro de 2020, em Soacha, município localizado ao sul da cidade de Bogotá, onde vivem milhares de trabalhadores pobres, alguns dos quais viajam até 3 horas diariamente para trabalhar em Bogotá. As famílias haviam perdido seus empregos devido à crise, não conseguindo mais pagar aluguel.

O prefeito de Soacha lançou uma forte campanha de difamação e repressão contra as pessoas envolvidas na luta por moradia e recusou-se a encontrar-se com as famílias em luta que marcharam até a prefeitura. Enquanto isso, aos monopólios de imprensa lhes acusavam de serem “vândalos e mafiosos, negociadores de terra”, e ofereceu 20 milhões de pesos colombianos por informações sobre os líderes da ocupação.

Durante um dos despejos, em 25 de junho, a polícia de choque assassinou um jovem de 15 anos, Duvan Mateo Aldana. Diante da recusa do prefeito em lidar com as famílias, elas decidiram em 06/06 bloquear a rodovia que é a entrada da cidade de Bogotá por mais de uma hora.

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