Etiópia: 145 mortos em protesto após execução de artista

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Pelo menos 145 pessoas foram mortas durante a repressão às grandes manifestações que tomaram a Etiópia nos seis dias seguintes ao assassinato do cantor popular Haacaaluu Hundeessa, ocorrido no dia 29 de junho. Além disso, no dia 4 de julho,manifestantes invadiram a Embaixada da Etiópia em Londres e colocaram a bandeira da etnia Oromo onde antes estava a bandeira do país.

As notícias sobre os protestos só chegaram à imprensa dias após o ocorrido, na primeira semana de julho, devido à forte censura empreendida pelo velho Estado, sendo que as ações de protesto das massas também foram amplamente abafadas. O primeiro-ministro, Abiy Ahmed Ali, que está por trás não só da violência reacionária como também desses assassinatos, foi “agraciado” com o Prêmio Nobel da Paz no ano passado.

Membros da comunidade se juntam aos protestos

Na região de Oromia, após o assassinato de Haacaaluu, a repressão, de modo covarde, empreendeu feroz ataque às massas que se rebelaram diante das evidências de crime político. Segundo o próprio comissário-adjunto da polícia de Oromia, em declaração no dia 04/07, 145 civis foram mortos; porém, o povo revidou à sua maneira e 11 agentes das forças de repressão morreram. Outros dez manifestantes morreram em protestos na capital Adis Abeba.

O comissário disse ainda que outros 167 manifestantes haviam “sofrido ferimentos graves” e que 1.084 pessoas haviam sido presas. Segundo relatos do monopólio de imprensa Al Jazeera, em algumas regiões os militares foram acionados na tentativa de acabar com os protestos.

Entendendo o caso

Haacaaluu, de 36 anos, pertencia ao grupo étnico Oromo, o maior grupo em quantidade populacional, e o mais subjugado entre as massas pelas classes dominantes. Suas músicas deram voz ao sentimento de revolta à marginalização da sua etnia que compõe a maioria das classes populares, tornando-se muito famoso e querido entre o povo durante os massivos protestos de 2018 no país.

Mesmo indo contra a lógica dos acontecimentos, o velho Estado etíope acusou grupos rebelados da etnia Oromo (a mesma de Haacaaluu) de serem responsáveis pelo assassinato do cantor, e prendeu cinco pessoas (cujos nomes não foram revelados). As massas populares, por sua vez, acusam o governo pelo assassinato e afirmam que a acusação aos grupos rebelados é infundada e busca impulsionar a repressão à resistência popular.

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