Poemas

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Assim disse um operário

Santa Suellen

 

Saía de casa

O sol ainda não reluzia

Carregava comigo a minha marmita

Subia a escadaria

Descia na mesma medida

O macacão da fábrica já vestia

Pois assim ganhava uns minutos a mais no meu dia

Peguei o lotação

Depois o trem

Duas horas se passaram

O clarão apresentava o que viria

Bati o cartão

Ponto registrado

Pelos galpões passei

Liguei toda a maquinaria

Zé já estava na lida

Nossos olhos se cumprimentaram

E por horas

Repetidos atos construímos

Até ouvirmos a sirene anunciando o almoço

A bóia já estava fria

Ou comia aquele papado

Ou comia!

Lá perto havia um P.F.

Mas o preço era pra patrão

E com o preço das coisas não se brinca...

Arrastaram-se as horas até às cinco

Mas ainda tinha que cumprir a extra

Como quase todos os dias

Porque a lei me obriga

Neste mundo mais vale pra empresário sugar trabalhador

Do que pagar mais dois

Já era noite quando da fábrica saía

E outra lida enfrentaria

Mais duas horas entre lotação e trem...

De repente já é nove da noite

E agora que a porta de casa estou a abrir

Verei meus filhos e esposa

Queria mais tempo com eles passar

Entretanto tenho que descansar

E amanhã, às cinco, acordar

E tudo novamente enfrentar.

 

Riachão é do povo

Andrey Vitor, em comemoração aos dez anos do Corte Popular em Riachão

 

Como se planta batata, milho e feijão

plantou-se essa semente no chão

de onde antes só existia exploração

nasceu um pezinho bonito

com nome de ocupação

O pezinho se desenvolve

 como corte popular

onde a terra os camponeses

 estão a plantar

mesmo que os latifundiários

queiram a terra roubar

a luta diz que a terra é de quem vive

 e nela vai trabalhar

Nessa pisada se foi 10 anos

a mudinha virou um baobá forte

não tem diabo nem santo

que possa lhe condenar a morte

não tem estado nem capitão

capaz de lhe arrancar com a mão.

Mas tem um povo feliz

dançando na sombra

que o baobá faz no verão.

Pense num povo pra festejar

80 famílias a dançar

por cima de um piso

feito sobre os escombros da casa grande

onde antes eles tinham que se ajoelhar.

É muita alegria prum só lugar

José Ricardo se puder ver, tá feliz que só

vendo que seu povo entendeu

que não se anda só

e se juntou na luta com a liga

 pra construir um mundo melhor

São dez anos de luta

desse povo a batalhar

10 anos da área José Ricardo

e do corte popular

Riachão já é do povo

e de lá ninguém sai

é batatinha pequena

que ainda vai ramar mais

Pode chamar padre

Papa,

Presidente e Satanás.

A terra é do povo, já falei!

de lá ninguém sai mais!

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