25 anos da Heroica Resistência Camponesa de Santa Elina em Rondônia

A- A A+

Em 9 de agosto de 2020, completam-se 25 anos da Heroica Resistência de Santa Elina, ocorrida no município de Corumbiara (Rondônia). Batalha camponesa que, em 9 de agosto de 1995, assentou, com sangue e heroísmo, um marco na luta pela terra em nosso país.

Nesses 25 anos da Batalha de Santa Elina, resgatamos a história repleta de bravura e honra das massas camponesas que, com sua decisão e armadas com paus, pedras e suas rudimentares espingardas de caça, enfrentaram as hordas policiais que atacaram as famílias acampadas nas terras da Santa Elina com sanha assassina, a mando do gerente estadual Valdir Raupp (PMDB).

Tomada do latifúndio Santa Elina em 1995

Os reacionários encontraram, no entanto, feroz resistência de bravos homens, mulheres, idosos e crianças. Foi um combate desigual, mas renhido, no meio da mata, em plena madrugada.

Polícia e pistoleiros atacaram o acampamento na surdina, quando muitos dormiam. Os camponeses resistiram até acabar sua munição. Devido à superioridade bélica dos atacantes, o acampamento foi tomado de assalto pelas tropas da repressão que descarregaram toda sua bestialidade.

Depois de rendidos, os camponeses foram brutalmente torturados. Submetidos às sevícias mais hediondas. Sob a mira de fuzis, alguns foram forçados a ingerir o cérebro de outros que tiveram seus crânios partidos a coronhadas. Os mais destacados dirigentes da resistência foram perseguidos, torturados e executados. A pequena Vanessa, de apenas 7 anos de idade, tombou com um tiro de fuzil.

Um campo de concentração foi montado por agentes encapuzados da Polícia Militar (PM) que ameaçavam, humilhavam e espancavam os camponeses. A imagem desse campo imortalizou o quadro do terror latifundiário no Brasil e dos atos que renderam a condenação do velho Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Todo esse ódio e repressão virulenta do latifúndio e dos agentes do velho Estado contra aqueles camponeses são frutos do pavor que têm das massas em luta que, com sua simplicidade e aparente ingenuidade, se levantaram com força e decisão inquebrantáveis. Nem que a coisa engrossa, essa terra é nossa!, agitavam.

Divisor de águas

A Batalha de Santa Elina, mesmo em sua relativa situação de movimento espontâneo, criou condições para o desenvolvimento do novo movimento camponês combativo, se transformando em um divisor de águas na luta pela terra em nosso país. Exatamente porque ela foi a comprovação de que o povo, exercendo a justa violência revolucionária em oposição à injusta e genocida violência do velho Estado, é capaz de conquistar seus direitos e manter-se de cabeça erguida. É a materialização de que rebelar-se é justo. A Batalha de Santa Elina e todos os seus desdobramentos são inimigos do oportunismo eleitoreiro e suas promessas mentirosas. São a prova de que o povo organizado pode destruir o velho e construir o novo. Ademais de ser a prova de que as eleições reacionárias não mudam nada para o povo.

Exemplo latente de que os camponeses são uma fortaleza e que a aliança operário-camponesa é capaz de executar as mais difíceis obras, a Batalha de Santa Elina colocou novas tarefas para o movimento camponês combativo e fez com que se abrisse uma grande luta ideológica em sua direção, revelando a determinação de uns e a vacilação traição de outros.

O núcleo duro e combativo da resistência, forjado no fogo da batalha, seguiu buscando aprofundar o balanço daquela luta e da luta pela terra no país de um modo geral, estreitou laços com o movimento operário e sindical classista das cidades, trilhou o caminho de construir e fortalecer a aliança operário-camponesa e o movimento camponês combativo sustentando a bandeira da Revolução Agrária e por um Programa Agrário de transformações radicais no campo.

Este profundo embate ideológico e prático pavimentou o caminho que conduziu à fundação da Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

A batalha prossegue

Em meados de 2010, os remanescentes da heroica Resistência de Corumbiara, organizados pelo Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina (Codevise) e com o apoio da LCP, retomaram e realizaram o Corte Popular nas terras da Santa Elina. No que é hoje a Área Revolucionária Zé Bentão, seguem resistindo aos ataques, tanto do oportunismo, que com suas manobras tenta, a todo custo, dividi-los, como do latifúndio, que, com seus bandos de pistoleiros, tentou por diversas vezes expulsá-los de suas terras, sem sucesso. Resistem, lutam, produzem.

Por outro lado, os mandantes e executores dos crimes contra os camponeses em 9 de agosto de 1995 nas terras da Santa Elina, desfrutam até hoje da impunidade e do mesmo salvo conduto que permitem que os crimes contra as massas camponesas continuem sendo cometidos sem que os responsáveis sejam punidos ou seus atos sequer sejam apurados. Numa farsa de julgamento, dois dirigentes camponeses e dois soldados da PM foram condenados e presos. E os maiores culpados seguem impunes: José Ventura Pereira, tenente-coronel que comandou as tropas assassinas; Valdir Raupp (PMDB), então governador de Rondônia; Welligton Luiz Barros, comandante geral da PM à época; e Antenor Duarte, latifundiário mandante. Em 2015, numa audiência com os camponeses de Santa Elina sobre indenizações, um juiz substituto disse que não houve massacre e que os crimes bárbaros já prescreveram.

Em agosto de 1995, Lula/PT, então candidato a presidente, esteve no que restou do acampamento e prometeu: “Se um dia eu for presidente do Brasil, corto a fazenda Santa Elina para as famílias, puno os responsáveis pelo massacre e indenizo as vítimas”. Após 13 anos do início do gerenciamento petista e seu afastamento vergonhoso, nada disso foi cumprido.

Se hoje mais da metade da fazenda Santa Elina está nas mãos de camponeses, isso se deve exclusivamente à luta das famílias organizadas pelo Codevise e pela LCP.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Fausto Arruda

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza