SP: Moradores resistem à operação violenta; militares torturam jovem

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No dia 2 de julho, agentes do 5o canil da Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) realizaram uma operação violenta na favela do Moinho, São Paulo, em que invadiram casas sem mandado judicial e aterrorizaram os moradores, inclusive com o uso covarde de seus cães, segundo denúncias  feitas pelos moradores.

Durante a ação, uma criança cadeirante de 7 anos foi mordida por um dos animais e um jovem de 18 anos teve de ser hospitalizado, após se jogar do alto de sua casa para fugir de uma sessão de tortura a que estava sendo submetido pelos policiais.

Protesto na favela do Moinho

A operação revoltou a favela, que expulsou a polícia de suas vielas. Nas ruas do entorno, a massa, indignada com tamanha covardia, incendiou barricadas e atirou pedras contra a repressão. O trânsito chegou a ser interrompido na avenida Rio Branco, no sentido centro, próximo ao local. Os agentes ainda dispararam balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo contra os moradores, tentando conter sua revolta.

A operação

Os PMs entraram na favela por volta das 15h,, utilizando o “pretexto” de realizar uma operação de rotina em busca de drogas. De acordo com denúncia de um morador, que pediu para não ser identificado, a ação foi violenta “desde o princípio”: os policiais já teriam entrado na favela atirando bombas nas moradias e fechando as possíveis rotas de fuga. 

“Eles invadiram um barraco, onde tinha um adolescente de 18 anos, se não me engano, cortaram a mão dele, tentaram esculachar ele lá dentro, ele pulou do segundo andar da casa dele, falando que os policiais queriam matar ele. Ele saiu correndo, com a mão sangrando, e acabei de receber a notícia da irmã dele, dizendo que ele perdeu o movimento da mão”, narra a testemunha.

Maria Cristina Gomes dos Santos, de 55 anos, mãe do jovem torturado, revoltada com a injusta agressão sofrida pelo filho, denunciou: “Eles entraram na minha casa para matar meu filho, meu filho nunca fez nada”. O rapaz foi internado no Hospital da Santa Casa, onde passou por uma cirurgia.

Arnóbio Rocha, da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, estava na favela do Moinho durante a operação e criticou a ação policial. “Eles estavam na comunidade, de forma ostensiva e com arma pesada. Tentamos conversar para que eles saíssem, recuassem, mas eles estavam muito hostis. Quando a comunidade avançou, a polícia recuou e depois jogou muitas bombas”.

Violência policial ali não é novidade

Em junho de 2017 o jovem Leandro de Souza Santos, de 18 anos, foi baleado na mesma favela em suposta “troca de tiros” durante uma ação de policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa especial da PM paulista.  O jovem foi levado à Santa Casa, mas já chegou morto no hospital. Segundo seu irmão, Lucas Santos, o jovem levou cinco tiros, sendo dois no peito e três na barriga. “Mataram meu irmão”, denunciou.

Além disso, o jovem também declarou que o seu irmão foi torturado pelos militares: “Tinha um martelo sujo de sangue. Deram marteladas no meu irmão”. Em uma foto tirada na casa onde o jovem foi baleado pode-se observar o martelo e diversas manchas de sangue.

Maria Odete Gonzaga de Souza, de 46 anos, auxiliar de cozinha, mãe do jovem morto nessa ocasião denunciou: “Eu abri meu barraco e os policiais disseram que não tinham feito nada com ele. Eles mentiram, falaram até que meu filho estava com a arma apontada para eles, mas é mentira. O que eles fizeram com ele foi uma malvadeza, uma crueldade, porque eles não têm o que fazer e ficam tirando a vida de gente inocente”.

Na época também houve manifestações de moradores da favela, que protestaram em vias próximas e nos trilhos da Linha 8-Diamante na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

 

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