24 de setembro: 28 anos do Discurso do Presidente Gonzalo

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Há 28 anos, no dia 24 de setembro de 1992, o Presidente Gonzalo, chefatura do Partido Comunista do Peru (PCP) e da Revolução Peruana, proclamava o histórico “discurso na jaula”, passando por cima das hienas do monopólio de imprensa e reacionários mais hostis para se dirigir às massas do povo peruano.

Apresentado em traje listrado pelo regime fascista de Fujimori, na vã tentativa de humilhá-lo, o Presidente Gonzalo respondeu com o convicto discurso de convocação aos comunistas, combatentes do Exército Guerrilheiro Popular e massas da Frente/Novo Estado a darem seguimento à Guerra Popular, arrasarem o latifúndio, a grande burguesia e prepararem terreno para responder à intervenção ianque, na ocasião, cada vez maior.

As imponentes palavras foram pronunciadas seis dias após a sua captura em uma megaoperação movida pela agência de inteligência ianque (CIA) e toda a reação peruana. Ainda assim, não puderam deter a Guerra Popular.

Convertido em prisioneiro de guerra, o Presidente Gonzalo foi posto incomunicável desde seu discurso e os reacionários e os revisionistas do Movimento pela Anistia e Direitos Fundamentais (Movadef) e do bando do José atiraram toda sorte de infâmias para desprestigiá-lo, tentando passar o chefe da Revolução Peruana como “capitulador” e “traidor”.

Por ocasião do aniversário do Discurso, no qual o Presidente Gonzalo exortou os comunistas, combatentes e massas a prosseguirem a Guerra Popular, publicamos extratos do líbelo Um dos primeiros, no qual um combatente e militante do PCP narra uma das primeiras ações armadas executada pelos revolucionários.

 

‘Um dos primeiros’: a história dos prisioneiros de guerra

“A força dos militantes do Partido realmente sustenta-se na formação ideológica e política; sustenta-se em que os militantes abraçaram a ideologia do proletariado e sua especificação, o marxismo-leninismo-maoismo pensamento gonzalo, o programa e a linha política geral com seu centro, a linha militar. A partir disso desenvolve-se a força da militância. […] Os fatos mostram o grau de heroísmo revolucionário de que são capazes de chegar os militantes, assim como outros filhos do povo.”

 Presidente Gonzalo, entrevista do século (El Diario, 1988)

Um dos primeiros exemplos de heroísmo revolucionário foi narrado por um prisioneiro de guerra e militante do PCP em anonimato, em um manuscrito intitulado Um dos primeiros. Rosana Bond, jornalista brasileira e membro licenciada do conselho editorial do AND, o recebeu das mãos do guerrilheiro em uma Luminosa Trincheira de Combate, nos anos de 1980, em ocasião registrada em seu livro Peru: do império Inca ao Império da cocaína.

No manuscrito, o combatente revolucionário narra a experiência de sua primeira ação armada, em 1981.

Convocado para participar da ação, ele se surpreende por ver reunidos ali vários de seus colegas de colégio e até um vizinho. Era o trabalho clandestino protegendo de tal sorte o Partido que nem mesmo os próximos sabiam-se membros da mesma organização. Depois de uma marcha de horas por vilas e povoados, chegam a um aparelho numa área rural.

Lá, reúnem-se, e o Mando Político daquele destacamento ainda inexperiente, porém decidido e convicto de que carrega consigo a vontade e os interesses das massas, faz sua intervenção: “Como podemos ver e sentir, são as próprias massas o nosso apoio e nossa sustentação. Não esqueçamos jamais, camaradas, a nossa condição. Só com os fuzis se transforma o mundo. A guerra popular decide tudo. Isto demanda atuar com máxima disciplina, máxima decisão e máximo heroísmo revolucionário. É a política do Partido que nos faz poderosos e isso se reflete no vigor do ânimo. Nós desafiamos a morte e tomamos de suas mãos os louros da vitória. Servir ao povo é a razão da existência”. Depois o Mando Militar expõe o plano e se preparam para a ação.

Já a caminho de executá-la, ele relata: “Os corações batem mais aceleradamente, fala-se pouco, a saliva flui rápido, mais do que o normal. Na memória fluem recordações de ações anteriores. Todos estamos convencidos da justa causa que nos move à ação. Ante a nós estava uma prova de coragem e a cumpriríamos”.

Na retirada, o grupo guerrilheiro em que estava o combatente é identificado por camponeses que serviam aos planos da polícia. Golpeado por um bando, muito debilitado e tentando afastar-se, o combatente, perplexo com sua própria força física despertada naquele instante, recorda: “Estava em plena batalha quase sozinho contra estas bestas. Era a ideologia e política do Partido que me fazia forte”.

Descrevendo a postura honrosa de um combatente detido, rememora: “No posto policial vieram golpes piores. À guerra vamos dispostos a tudo, também à derrota e ao revés que são outras caras que a vida adquire. O compromisso de guardar a ‘regra de ouro’ lateja no pensamento e está encarnado no coração ardente”. “Na medida que se aproximam de mim, minha coragem se agiganta”. “Jogam-me num quarto. Caio, desmaio. Ganhei a batalha”. “Em seguida vejo que se abre a porta. Trazem Henrique (seu camarada) e o jogam também. Ao nos olharmos, ainda temos forças para sorrir sem que notem os cães fardados”.

Ao fim, o combatente afirma: “O Partido aproveita as lições. Como teria avançado nossa Luta Armada sem estes fatos? O sangue derramado, as torturas e a prisão não são senão provas pelas quais passamos nós, combatentes. A cota é modesta para tão altas conquistas alcançadas. Quem não quer a cota da guerra, não quer a guerra”.

 

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