Forças Armadas terão aumento de 48,8% no orçamento; 91% são gastos de salários

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O governo Bolsonaro/generais tem cumprido sua promessa no que tange o aumento das benesses dos militares. Segundo o monopólio de imprensa Estado de São Paulo, o Ministério da Defesa terá um acréscimo de 48,85% em seu orçamento para o ano que vem. A quantia passará de R$ 73 bilhões para R$ 108,56 bilhões. Em contrapartida, o orçamento da Educação para 2021 terá uma baixa, passando de 103,1 bilhões para 102,9 bilhões.

“’Pô, você é militar e esse ministério aí vai ser tratado dessa maneira?’ Aí tem de explicar. Para aumentar para o Fernando (referindo-se ao general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa), tem de tirar de outro lugar”, justificou o presidente, em sua transmissão ao vivo semanal.

Bolsonaro, junto de Paulo Guedes e Braga Netto, já sabe bem de onde vão tirar. Esses dois referidos ministros aumentaram despesas discricionárias do Ministério da Defesa para R$ 768,3 milhões, que são aquelas não obrigatórias, podendo, por lei, serem remanejadas.

O aumento no orçamento dos militares, além de ampliar privilégio, serve para reprimir o povo.

O aumento no orçamento dos militares, além de ampliar privilégio, serve para reprimir o povo.
Foto: Alan Santos/PR

O governo também decidiu manter a “blindagem” ao orçamento do Ministério da Defesa, e excluiu a possibilidade de cortar verbas da pasta. Exatamente o contrário acontece na Educação, em que, em 2019, bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) sofreram com os contingenciamentos dos gastos.

Os debates orçamentários acontecem em meio à disputa interna sobre o aumento ou não das despesas públicas. No dia 11 de agosto, Guedes alertou que Bolsonaro pode parar na “zona sombria” do impeachment se ultrapassar o teto de gastos.

Não é só na questão dos orçamentos que os militares obtêm privilégios dentro do governo. Em julho, enquanto os trabalhadores de empresas privadas tiveram seus salários reduzidos e servidores públicos civis foram proibidos de terem aumento por conta da pandemia de coronavírus, os integrantes das Forças Armadas tiveram um reajuste de 73% como bonificação.

O reajuste, conhecido por “adicional de habilitação” ou “penduricalho”, foi adicionado à folha de pagamento dos militares em julho. O adicional foi aprovado pela reforma da Previdência dos militares no final de 2019 e já causou um impacto de R$ 1,3 bilhão em 2020, e causará outro de R$ 3,6 bilhões em 2021.

Ademais, esse gasto está diretamente relacionado com o aumento das operações militares, que tendem a se generalizar, principalmente para travar guerras contrarrevolucionárias contra posseiros e demais camponeses em sua sagrada luta pelo direito à terra e contra o latifúndio, tal como está sendo preparado na Amazônia Legal.

O gasto com salários é o que mais consome gastos na esfera da Defesa. Na proposta para 2021, 91% do total de gastos será somente com salários, benefícios e as famigeradas e gordas pensões militares.

A título de informação, em 2018, o Brasil contava com 5,29 mil generais na reserva contra apenas 140 na ativa. Na época, somente com os generais aposentados a União gastava R$ 1,7 bilhão por ano. Agora, com os benefícios concedidos por Bolsonaro, Braga Netto e Guedes, como já foi dito sobre o “adicional de habilitação”, o gasto com militares aumentará para R$ 3,6 bilhão e, tomando em conta que 91% dos gastos são com salários, deduz-se para onde vai esse aumento. O salário dos generais, inclusive, já subiu de R$ 22,9 mil para R$ 30,2 mil.

A pergunta é: qual trabalhador brasileiro poderia sonhar com um salário desse?

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