Soldado é morto em quartel; parentes acusam Exército de tortura

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Familiares do soldado Jhonatha Corrêa Pantoja, de 18 anos, realizaram um protesto na manhã de 8 de agosto em frente ao 7° Batalhão de Polícia do Exército (7° BPE), em Manaus. Jhonata fora encontrado baleado, na madrugada do dia 03/08, dentro do quartel, alvejado com tiro de fuzil no peito e com marcas de tortura no crânio, nos braços e nas costas. Os parentes do rapaz exigem justiça e respostas pelo ocorrido. 

O protesto organizado pelos familiares do jovem aconteceu em frente ao quartel onde o rapaz servia, no bairro São Jorge, zona oeste da cidade. Cartazes e camisetas com fotos do soldado foram erguidos pelos presentes, que contaram ainda com um carro de som. Com pedidos de “justiça”, a manifestação parou parte do trânsito na avenida São Jorge. 

O jovem foi morto e marcas de hematomas indicam ter sido vítima de tortura dentro do quartel.

O jovem foi morto e marcas de hematomas indicam ter sido vítima de tortura dentro do quartel.
Foto: Eliana Nascimento/G1

A família ressalta e questiona a falta de apoio do Exército após a morte do rapaz.  Por exemplo, o translado do corpo dele para sua cidade natal precisou ser custeado por familiares. Com a chegada do corpo, uma multidão de moradores prestaram suas homenagens ao jovem. 

“Não tivemos apoio, não recebemos respostas e queremos justiça pela morte, que não foi nenhum suicídio como disseram. Ele foi torturado, pois temos fotos de hematomas pelo corpo, a cabeça machucada, crânio, perfurações nas costas. Meu sobrinho foi torturado”, afirmou Aline Batista.

O jovem estava de plantão quando foi encontrado morto com um tiro de fuzil no peito. Ele foi levado por outros militares em uma ambulância para o Hospital no dia, mas não resistiu, vindo a óbito.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta que a causa da morte foi hemorragia e uma ferida no pulmão esquerdo. Aline Batista, esposa do tio da vítima, denunciou que o rapaz mandava mensagens para ela dizendo que no quartel “espancavam como forma de treinamento de resistência”.

A tia do rapaz relatou que colegas de farda do jovem estiveram no velório e que eles haviam recebido ordens para manter sigilo das informações, mas encorajaram a família a cobrar a abertura de inquérito. Conta também que um dos soldados relatou ter visto o corpo de Jhonatha em uma cova, além de ter presenciado o momento em que funcionários do quartel limparam o sangue onde o rapaz foi assassinado. 

A família relatou que o quartel devolveu todos os pertences do rapaz, menos o celular que até o presente momento continua sem paradeiro conhecido dos familiares.

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