Boicote eleitoral na cultura popular

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O que um bode, um macaco e um rinoceronte possuem em comum? Em termos de biologia e evolução, praticamente nada. A única semelhança entre esses animais é que eles já foram eleitos pelo povo em diferentes cidades brasileiras como forma de protesto popular contra a farsa eleitoral e a velha política eleitoreira adas classes dominantes.

De acordo com relatos da população fortalezense das décadas de 1910 e 1920, o bode Yoiô veio morar na capital junto com os retirantes que fugiam da grande seca que ocorria no sertão naquela época, conhecida popularmente como “a seca do 15”. O bode Yoiô começou a frequentar a conhecida praça do Ferreira, no centro da capital, e a partir daí passou a ser muito querido pela população e a fazer parte da cultura popular. Yoiô foi “eleito” vereador e isso se deve ao fato de que o voto naquela época era feito em cédulas de papel, de modo que as massas podiam utilizar as cédulas para manifestar sua indignação e assim o fizeram, ao elegerem o famoso bode boêmio.

Bode Yoiô - No Ceará, o Bode Yoyô venceu as eleições para verador em FortalezaBode Yoiô - No Ceará, o Bode Yoyô venceu as eleições para verador em Fortaleza - Banco de Dados/AND

Em São Paulo, no ano de 1959, o rinoceronte Cacareco foi eleito para a Câmara de Vereadores da capital do estado. O rinoceronte recebeu cerca de 100 mil votos, “obtendo direito” a uma das cadeiras no legislativo da cidade.

No Rio de Janeiro, o macaco Tião, lançado como candidato a prefeito pela revista Casseta Popular como sátira política, acabou recebendo cerca de 400 mil votos da população carioca, que assim também expressou sua indignação com a farsa eleitoral no ano de 1988.

Esses animais continuam sendo homenageados por meio de documentários, reportagens, livros infantis, músicas e cordéis. Em 1931, após sua morte, o bode Yoiô foi empalhado e até hoje é uma das grandes atrações do Museu do Ceará. A escola de samba carioca Paraíso do Tuiuti homenageou o bode Yoiô em sua apresentação no Sambódromo da Sapucaí, no carnaval de 2019.

O repúdio à farsa eleitoral é um fato antigo em nossa história e sempre se deu de diferentes formas. As massas trabalhadoras seguem boicotando a podridão do sistema político dessa velha ordem de opressão e exploração, utilizando também a sátira e o achincalhe como formas de manifestação.

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