Exército gasta milhões com treinamento de guerra inédito na Amazônia

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Entre os dias 8 e 22 de setembro, o Exército reacionário brasileiro gastou pelo menos R$ 6 milhões em um treinamento de guerra, realizado na Amazônia, que encenava uma invasão de um país “vermelho” em um país “azul”. A Operação “Amazônia”, como foi chamada, contou com a atuação de 3,6 mil militares nas cidades de Manacapuru, Moura e Novo Airão (Amazonas) e no estado de Rondônia, escancarando o avanço da militarização contrarrevolucionária na região.

Segundo o monopólio de imprensa O Globo, o Ministério da Defesa havia se recusado a informar o total gasto com a operação, mas após o uso da Lei de Acesso à Informação a reportagem levantou que os R$ 6 milhões serviram somente para arcar com os custos de combustível, transporte e horas de voo, e que foram provenientes do Comando de Operações Terrestres (Coter). 

Brasil testa lança-foguetes em uma manobra no Amazonas envolvendo mais de 3,5 mil militaresBrasil testa lança-foguetes em uma manobra no Amazonas envolvendo mais de 3,5 mil militares - Foto: O Globo

O Exército reacionário informou ao monopólio de imprensa que, “dentro da situação criada e com os meios adjudicados, foi a primeira vez que ocorreu este tipo de operação”. Apesar de simulações de conflito e treinamento militar já terem ocorrido no passado, nunca tiveram essa escala e tal articulação entre Exército, Marinha e Aeronáutica.

Os militares afirmaram que “foram empregados diversos meios militares, tais como viaturas, aeronaves (aviões e helicópteros), balsas, embarcações regionais, ferry-boats, peças de artilharia, o sistema de lançamento de foguetes Astros da artilharia do Exército, canhões, metralhadoras, ‘obuseiro’ Oto Melara e morteiros 60, 81 e 120 mm, além de veículos e caminhões especiais”.

Participaram da operação militares que atuam diretamente em regiões de fronteira, como os que estão na brigada de São Gabriel da Cachoeira (AM), na fronteira com a Venezuela e a Colômbia, e na brigada de Boa Vista (Roraima), assim como as brigadas do Comando Militar da Amazônia, o grupo de artilharia de Rondonópolis (Mato Grosso), o grupo de mísseis e foguetes de Formosa (Goiás), o comando de operações especiais de Goiânia, a brigada de artilharia antiaérea de Guarujá (São Paulo) e paraquedistas do Rio de Janeiro.

No dia 14/09, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, Edson Leal Pujol, foram à região onde ocorria a simulação, e presenciaram o disparo de 20 foguetes com o emprego do sistema Astros no dia 15/09, segundo o Comando Militar da Amazônia. 

Três dias depois da ida de Azevedo e Pujol na simulação de guerra na Amazônia, o secretário de Estado ianque (Estados Unidos, USA), Mike Pompeo, também esteve na região. Ele foi a um posto de imigrantes venezuelanos em Roraima, na fronteira com a Venezuela, a 840 quilômetros de Manacapuru, onde se encontrou com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Avança a militarização da Amazônia

Em agosto de 2019, o governo dos generais e Bolsonaro aprovou um decreto de “Garantia da Lei e da Ordem” (GLO) na região da Amazônia Legal, pela primeira vez na história para supostos fins de se “combater o desmatamento” da vegetação. No curso dos meses seguintes, a GLO foi prorrogada repetidamente e diversas operações lideradas pelas Forças Armadas foram lançadas, dentre elas a Operação “Verde Brasil 2”, com a qual os militares podem não só “prevenir”, como também reprimir “crimes ambientais”, termo amplo que pode ser voltado contra as ocupações camponesas.

Usando-se da fachada de defesa do meio ambiente, a presença dos militares e o avanço da militarização na Amazônia têm servido para intensificar a ofensiva contra o movimento camponês, que denuncia os recorrentes cercos às áreas onde vivem e trabalham, e para agir em defesa do latifúndio e em detrimento do povo em luta pela terra.

Enquanto o monopólio de imprensa associa o treinamento de guerra das Forças Armadas como uma afronta do Brasil à Venezuela e ao governo de Nicolás Maduro, convenientemente oculta os preparativos de repressão que vêm sendo colocados em curso pelo atual governo de turno contra os camponeses em luta pela terra na mesma região do país, sendo este o problema mais imediato vislumbrado pelos militares com suas tropas. Os mesmos camponeses que são alvos de uma verdadeira campanha de difamação e perseguição levada a cabo pelo próprio presidente reacionário, que os tacha como “terroristas”.

Apesar dos mais de R$ 418 milhões destinados às operações das Forças Armadas na Amazônia, desde que o emprego dos militares começou na região, o desmatamento só fez aumentar, e não diminuir, segundo demonstrado em reportagem do monopólio de imprensa Piauí. Segundo ela, durante a Operação “Verde Brasil 2” (parte da GLO), iniciada em maio e prorrogada até novembro, a área desmatada subiu de 834 km² para 1.659 km² em julho. A reportagem evidenciou também que parte do valor foi usado para reformar quartéis e instalações militares.

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