AM: Temendo flagrantes, PMs agridem mulheres em Manaus

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Na tarde do dia 7 de outubro uma estudante universitária de jornalismo foi agredida covardemente durante uma abordagem da Polícia Militar (PM) na praça do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin). Temendo represálias, a estudante preferiu não se identificar para nenhum monopólio de imprensa. A agressão policial ocorreu em uma área ribeirinha recentemente urbanizada localizada no centro de Manaus, e foi filmada e publicada nas redes sociais.

No vídeo gravado por moradores, a estudante está sentada em um banco da praça, acompanhada de  outro rapaz, quando são abordados por dois militares. Um deles agride o rosto da jovem, que cai no chão. O outro policial avisa que estão sendo filmados e os bandidos fardados saem do local. Outras pessoas que estavam na praça também foram abordadas com a mesma agressividade pelos policiais militares, porém não foram filmadas.

A estudante descreve em entrevista ao portal Rap Forte outros momentos que não foram gravados: “O que aconteceu foi o seguinte: era de tarde, e eu estava saindo do meu trabalho e fui descansar na praça, estava acontecendo uma abordagem há uma distância grande de onde eu estava, então eu achava que corria tudo bem e ninguém ia me incomodar. Eu estava mexendo no meu celular, quando um deles viu, se aproximou de mim e perguntou: ‘e aí bonitinha, tá filmando o que aí?’. Eu falei que não tinha nenhuma gravação, mas que mesmo assim ele poderia olhar e ele pegou. Quando eu falei que eu queria o meu celular, ele olhou e pegou no meu braço tentando quebrar ele. Foi quando eu falei: ‘pô, é assim que vocês honram a farda? Tentando quebrar meu braço?’. E pronto, ele furioso, me chamou de ‘puta’ e desferiu um tapa no meu rosto. Ele só foi embora por que tinha gente gravando a ação e ele não queria ser filmado”.

A mulher que gravou o ocorrido, por sua vez, denuncia que foi interrompida pelos policiais, que vieram na sua direção e também lhe agrediram. Assim como a estudante, a mulher preferiu não se identificar. “Ele segurou meu braço muito forte e torceu e eu segurei firme meu telefone, eu não queria dar pra ele e eu falava que não era um direito dele tomar meu telefone, que eu não tava descumprindo lei nenhuma, só estava cumprindo meu dever de cidadã em filmar”.

Para agravar o caso, na manhã do dia seguinte, a jovem estudante denunciou por meio de postagem em rede social que, ao tentar registrar boletim de ocorrência, forneceu seu endereço e, estranhamente, por volta das 20h daquele mesmo dia, policiais descaracterizados, em carros sem identificação, foram até a sua casa em mais uma tentativa de intimidação, porém foram barrados na portaria.

“Acho muita coragem da polícia bater na minha porta 20h, tentando me intimidar, sendo que eles estão errados. Querem esclarecer o que comigo? Querem me matar por ter divulgado eles? Se a própria Delegacia da Mulher forneceu meu endereço, quem vai me proteger?”, denunciou ela.

A atitude policial nesse caso longe está de ser exceção, mas sim a regra ditada pela estrutura de classe do país, cuja superestrutura ainda mantém traços feudais da tradição herdada do passado colonial e que se manifesta na mentalidade das “autoridades”, especialmente na policial, e de modo muito mais agudo contra os negros e pobres. É parte de um regime social em que os direitos e liberdades democráticas, a fiscalização do Estado pela população, enfim, mesmo as formas burguesas de funcionamento do Estado jamais foram efetivadas, existem só no papel. Um popular fiscalizar um policial em sua conduta é o mínimo do mínimo da liberdade democrática e está previsto na letra da lei, porém é, na realidade, sempre negada, e não existe na prática. De tal modo que parece, aos criminosos de farda, um absurdo completo, uma transgressão inaceitável.

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