Número de moradores de rua cresce 53% em São Paulo

Com a crise do capitalismo burocrático potencializada pela pandemia de coronavírus, o número de moradores de rua tem aumentado rapidamente, especialmente em São Paulo, capital mais populosa do país e maior polo econômico.

Segundo entidades que trabalham assistindo pessoas em situação de rua, a pandemia serviu consideravelmente para aumentar esse número, uma vez que muitas pessoas perderam o emprego e ficaram sem condições de se sustentar.

“O grande número de partilha são pessoas que tinham seu emprego, já tinha saído das ruas e tinham conseguido se habilitar na sociedade, mas perderam os empregos e voltaram para as ruas”, afirmou o coordenador do Serviço Franciscano de Solidariedade, frei João Paulo, em entrevista ao monopólio de comunicação Jovem Pan.

O frei afirma que dá para ter uma média da gravidade da situação pelo número de marmitas que são distribuídas diariamente, que passou de 2 mil em março para 5 mil em maio de 2020. O último cálculo que a prefeitura divulgou, em 2019, mostrou que o número de moradores de rua cresceu 53% em quatro anos, passando de 16 mil em 2015 para 24,3 mil em 2019. Com a pandemia, os fatos apontam que em 2020 esse número vai aumentar ainda mais.

A imensa maioria dos moradores de rua são membros de famílias oriundas, direta ou indiretamente, da zona rural, expulsos de lá pela concentração de terras na mão de um punhado de latifundiários e lançados nas favelas dos grandes centros urbanos.

São pessoas de origem trabalhadora submetidas à exclusão por um capitalismo deformado que, por natureza, não é e nunca será capaz de incorporar toda a força de trabalho no seu mecanismo, gerando uma imensa massa de abandonados. Pagar aluguel, para esse setor profundo do proletariado que cai na indigência, é “luxo”.

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