Enquanto enchem os bolsos, bancos promovem demissões

O Itaú, Santander e Bradesco estão demitindo trabalhadores mesmo após terem assumido compromisso com o sindicato de não fazê-lo durante a pandemia. O movimento sindical dos bancários tem criticado essa postura promovida pelos grandes bancos brasileiros de demitir e eliminar postos de trabalho em meio à maior crise da história, enquanto eles permanecem em excelente situação financeira, atingindo níveis recorde de lucros.

O banco Itaú, só no primeiro semestre de 2020, lucrou cerca de R$ 6,825 bilhões e é o monopólio bancário local com maior valorização: R$ 24,5 bilhões. De acordo com o banco, as dispensas ocorrem por “baixo desempenho” dos funcionários. Entretanto, trabalhadores desmentem a versão do Itaú.

“Eu tinha desempenho ótimo e um excelente relacionamento, e fui desligado alegando comportamento e não possuir mais o perfil do banco. O coordenador que realizou nossos desligamentos é campeão de reclamações de conduta e postura na área e o que mais realiza demissões”, relatou um dos trabalhadores demitidos ao portal de notícias RBA. 

“Nada justifica estas demissões no momento de instabilidade econômica pelo qual o país está passando, resultando em uma grande taxa de desemprego. Por outro lado, o Itaú segue lucrando muito”, lamenta Valeska Pincovai, líder sindical e bancária do Itaú, em entrevista ao Portal RBA.

Segundo a sindicalista Ivone Silva, os grandes bancos (Itaú, Santander e Bradesco), por sua vez, tiveram “R$ 21,7 bilhões de lucro líquido somados no semestre, com o investimento de R$ 1,2 bilhão em publicidade e propaganda”.

Charge - Marcio BaraldiCharge: Marcio Baraldi

Enquanto  demite aos montes, o Bradesco enfrenta déficit de funcionários em alguns departamentos e agências, sobrecarregando os bancários, que acumulam funções e têm adoecido constantemente. Há relatos de demissões absurdas realizadas por meio de aplicativos de reunião virtual e via e-mail.

Os funcionários do Bradesco receberam um comunicado de que o banco daria benefício extra aos desligados sem justa causa, o que alertou os bancários para as demissões. O Bradesco foi a companhia aberta com maiores lucros da América Latina. Só no primeiro semestre foram R$ 6,888 bilhões, superando o Itaú. Os bancos Mercantil e Safra também vêm sendo denunciados pelos trabalhadores por demissões, assédios e pressões.

O Santander foi campeão em demissões: desde maio, houve mais de mil funcionários demitidos. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), não há justificativa econômica para as dispensas realizadas, pois o banco só obteve lucros – o ganho do monopólio espanhol no Brasil representa 32% de todo seu lucro mundial.

Segundo dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), os ativos totais do Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa somam cerca de R$ 6,7 trilhões. O Brasil e a Estônia são os únicos países que não taxam lucro de bancos, razão pela qual, junto com o montante colossal de dinheiro que é destinado para amortização da dívida pública, falta dinheiro para os demais serviços como educação, saúde, habitação etc.

Basta recordar que, em julho de 2019, o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, cujo avô aristocrata foi herdeiro de duas sesmarias, comemorou o “crescimento financeiro” decorrente do desemprego e incentivou as reformas que destruíram a previdência social e os direitos trabalhistas. “É uma situação macroeconômica tão boa que eu nunca vi em  minha carreira”, ele disse à época“E o desemprego está em 12%, o que significa que podemos crescer sem criar pressão inflacionária”.

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