Como funcionaram as creches no Socialismo

A- A A+

As revoluções proletárias do século XX provocaram uma reviravolta na condição da mulher e da infância. Nas repúblicas socialistas, as mulheres abandonaram a condição de submissão a que estavam subjugadas há milênios e ocuparam as fileiras dos Exércitos Populares, as universidades, os mais diversos postos de trabalho e de comando do Estado proletário. E mais, ousaram desafiar a cultura burguesa que as relegava ao papel de amas domésticas.

Ao trabalho

A base primordial da condição subalterna da mulher foi, em todos os regimes de exploração do homem pelo homem, de caber a ela o trabalho mais desgastante fisicamente e menos produtivo. A emancipação real da mulher depende da afirmação de sua independência econômica e de sua capacidade de se expressar no trabalho produtivo.

A Dra. Esther Conus relata em seu livro Proteção à infância e à maternidade na URSS1 que após a Revolução de Outubro as mulheres constituíam a terça parte da população operária da Rússia, recebendo os mesmos salários dos homens empregados em igual função.

Mulheres trabalhando nas fazendas coletivas da URSS, libertas do trabalho domésticoMulheres trabalhando nas fazendas coletivas da URSS, libertas do trabalho doméstico Foto: Banco de dados/AND

As modificações mais impactantes ocorreram para a mulher camponesa. No campo, principalmente nas regiões de minorias nacionais, criaram-se clubes femininos onde elas aprenderam a lutar contra os velhos costumes que as escravizavam. A camponesa era membro do Kolkhoz. A grande mudança se deu no fato de que a reconstrução da economia rural obrigava a uma transformação nas condições de vida das camponesas. As brigadas dos Kolkhozes entenderam que era preciso organizar cantinas e creches comunais, libertando as camponesas do trabalho doméstico, o máximo que pudessem.

Na China – até a contrarrevolução que restaurou o capitalismo, em 1976 –, as mulheres também assumiram seus postos de trabalho na construção da grande obra socialista. O Presidente Mao Tsetung afirmava que “tudo que um homem pode fazer, uma mulher pode fazer também”, o que se tornou parte de uma nova maneira de pensar e de viver. Após a vitória da Revolução em 1949, as mulheres decidiram que não queriam permanecer como “donas de casa” e, como os demais trabalhadores, fundaram diversas cooperativas de trabalho.

A construção das creches

A ampliação considerável do número de creches foi, para a mulher, uma das maiores realizações da construção socialista porque, de fato, a existência destas instituições permitiu a ela participar de todas as atividades laborais, sociais e políticas.

A política de construção de creches foi semelhante em todas as repúblicas socialistas. Na URSS revolucionária – antes do advento do revisionismo no poder, em 1953 – era expressamente proibido construir qualquer grande imóvel sem o plano de construção de uma creche com os leitos necessários. De 14 creches com número de vagas desconhecido, antes de 1917, a Rússia passou a ter, em 1932, mais de 365 mil vagas nas cidades, quando o Comissariado do Povo para a Saúde Pública ainda considerava o serviço deficiente.

Tanto na URSS quanto na China, pelo tempo que vigorou a revolução, as creches localizavam-se nos locais de trabalho – possibilitando às mães a amamentarem seus filhos – e nos bairros habitacionais, facilitando a locomoção para a creche, o trabalho e a residência. Na China, os bairros industriais possuíam uma creche por quarteirão e os bairros mais povoados, uma creche para cada uma ou duas ruas. Os pais tinham uma participação muito pequena nos gastos. A maioria dos recursos provinha dos fundos das fábricas, dos fundos coletivos dos bairros e do próprio Estado Popular.

Ao contrário dos países dominados pelo imperialismo, as creches não eram depósitos de crianças. Longe de separar a criança da família, as creches as inseriam na sociedade, educavam-nas a respeitar o trabalho coletivo e os trabalhadores, a ciência e a natureza. Além do mais, as crianças tornavam-se independentes pelas suas atividades e, ao mesmo tempo, socializadas em função da forma coletiva dessas mesmas atividades. Aprendiam a se vestir, a lavar-se e a cuidar de sua higiene pessoal etc., a organizar o seu espaço e a produzir intelectual e materialmente, de forma individual e coletiva.

A maioria das creches funcionava ininterruptamente. Assim, de acordo com o tempo disponível em função das atividades desenvolvidas, as famílias optavam por levar as crianças para casa todos os dias, outras vezes somente nos finais de semana ou mesmo alguns dias durante o mês. Esta forma de funcionamento garantia às mulheres o seu direito ao tempo livre: descanso, lazer, trabalho produtivo, estudo, e a desenvolver atividades artísticas, esportivas, culturais e políticas. O avanço da revolução no plano cultural permitiu grandes saltos pedagógicos e a própria direção das creches, inicialmente restrita aos especialistas, passou a contar com a presença de operários, camponeses e até mesmo de crianças.

Os Kolkhozes e Sovkhozes, as fazendas coletivas soviéticas, tinham suas próprias creches. As creches permanentes, nas aldeias, ainda existiam em pequeno número. A maioria das instituições eram “creches de verão”, isto é, funcionavam por seis meses, devido aos trabalhos no campo. Funcionavam do amanhecer até o término dos trabalhos agrícolas e algumas contavam com serviços ambulantes que levavam os filhos para que suas mães pudessem amamentá-los. As creches ambulantes também atuavam na politização, realizando palestras, mostras de livros e leitura de jornais durante o almoço e os intervalos.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Victor Costa

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza