Mali: Ataque aéreo francês atinge casamento civil e mata 19 pessoas

No dia 3 de janeiro, um ataque aéreo atingiu uma cerimônia de casamento na aldeia de Bounti, na região centro-sul do Mali, com três bombas, resultando em pelo menos 19 mortos, incluindo crianças. Fontes militares da França declararam que suas forças realizaram ataques aéreos na mesma região naquele dia, visando alvos de “grupos radicais islâmicos”. 

Organizações de direitos humanos, como a Human Rights Watch (HRW), exortaram a França a abrir uma investigação sobre o ataque e assumir a responsabilidade por ele. “Graves alegações de que civis foram mortos por ataques aéreos precisam ser imediatamente investigadas”, declarou Jonathan Pedneault, pesquisador do HRW.

Jatos bombardearam cerimônia de casamento na região central do Mali Foto: Benoit Tessier.

Em nota, o exército francês afirmou que o ataque foi conduzido após o alvo ter sido identificado apenas uma hora antes, quando um drone detectou dois indivíduos em uma moto e um grupo maior.

Moradores da região de Bounti afirmam que, no mesmo dia, um helicóptero abriu fogo, causando pânico na multidão que havia se reunido para o casamento. “Foi ‘correr por suas vidas’”, contou Ahmadou Gana ao monopólio de imprensa Associated Press (AP). Gana também relatou que 19 pessoas morreram, duas das quais eram seus irmãos, e várias outras ficaram gravemente feridas.

“Subitamente, ouvimos barulhos de jatos e tudo aconteceu rápido demais”, narrou um morador de 68 anos ao HRW. “Ouvi um poderoso estrondo e então outro. Perdi a consciência por alguns minutos. Quando acordei, meu pé sangrava devido a um estilhaço. Ao meu redor, havia feridos e corpos”, contou a testemunha.

O Coronel Frederic Barbry, porta-voz militar francês, disse à AP que o ataque ocorreu após uma “missão de inteligência” que havia identificado uma “reunião de pessoas suspeitas”, a qual os franceses concluíram que se tratava de combatentes de um “grupo terrorista armado”. Em 10/01, a Ministra do Exército da França, Florence Parly, negou todas as acusações em entrevista na rádio France Inter, alegando que não havia “nenhum casamento, nenhuma mulher, nenhuma criança” no local do ataque. “Somente homens, exclusivamente homens”.

A França possui mais de 5,1 mil militares baseados no Mali que se somam aos cerca de 13 mil soldados da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (Minusma) da “Organização das Nações Unidas” (ONU), na composição da chamada Operação “Barkhane”, que supostamente combate “ameaças terroristas”. No Norte do país, grupos muçulmanos armados combatem a intervenção estrangeira e seu domínio colonial.

 

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