Capitalismo burocrático: Nação de joelhos aos ditames e caprichos de multinaciona

Após chantagear, Ford anuncia fechamento de suas fábricas no Brasil

A montadora de automóveis estadunidense Ford anunciou, no dia 11 de janeiro, que fechará todas as suas unidades de fabricação de veículos no Brasil. Com esta medida, a Ford, que possui fábricas na Bahia, em São Paulo e no Ceará, demitirá mais de 22 mil trabalhadores.

Contra o fechamento das fábricas, funcionários da empresa fizeram protestos um dia depois do anúncio em Camaçari, na Bahia, e em Taubaté, São Paulo.

Em Camaçari, os operários chegaram às 5:30 da manhã do dia 12/01, para começar o turno de trabalho, contudo encontraram os portões da unidade fechados. Os trabalhadores realizaram, então, uma assembleia na unidade e se deslocaram até a prefeitura para seguir com o protesto. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, até o momento, os funcionários não foram convocados nem para acertar as contas, muito menos para encerrar os contratos, fato que, segundo ele, deixa-os desamparados.

Bonfim contou ao portal do Sindicato que a decisão sobre o encerramento das atividades no Brasil foi informada a ele pelo presidente da Ford na América do Sul, Lyle Watters. De acordo com o magnata, a decisão foi tomada por conta da instabilidade econômica do país.

Bonfim disse também que Lyle afirmou que a questão do coronavírus foi determinante para a decisão. A fala está de acordo com a nota que a montadora emitiu à imprensa para justificar o fechamento, que afirma que anos de perdas significativas foram resultadas “à medida em que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas”.

Em Taubaté, um protesto reuniu cerca de 500 trabalhadores que se posicionaram contra o fechamento da fábrica. Uma assembleia definiu o início de uma vigília nos portões da empresa, com o objetivo de impedir a entrada e saída de materiais.

 Trabalhadores protestam contra demissão. Foto: Miguel Schincariol.

Crise do capitalismo burocrático

A saída da multinacional imperialista Ford do país é resultado da profunda crise que se abate sobre o Brasil, que ainda sofre os impactos da crise de superprodução do imperialismo. Com a saída da Ford, prossegue a crescente e criminosa desindustrialização do país.

A saída da empresa se deve à baixa no consumo de automóveis, tanto no Brasil como na região, queda dada a crise do capitalismo burocrático nesses países, desemprego e queda na renda da massa de trabalhadores.

Dados do Ministério da Economia apontam que os incentivos tributários para os fabricantes de automóveis atingiram R$ 43,7 bilhões entre 2010 e 2020 (englobando governos Lula, Dilma, Temer e o atual, numa verdadeira entrega dos impostos para enriquecimento desses monopólios estrangeiros).

Empresas como a Ford procuram sempre países onde poderão extrair o lucro máximo, ou seja,  gastar o mínimo possível e obter uma grande vantagem pecuniária. Para isso, exploram o solo, recursos minerais e a mão de obra barata das nações dominadas.

Por isso, para atrair tais empresas, os governos de países semicoloniais tratam de enxugar suas legislações trabalhistas, retirando todos os direitos que conseguirem do trabalhador, diminuindo impostos das empresas, oferecendo subsídios e entregando todas as riquezas da nação nas mãos de tais monopólios.

As ganâncias da montadora são tão grandes que até o fascista vende-pátria, Bolsonaro (defensor ardoroso dos privilégios das multinacionais), reclamou que a Ford tomou tal medida por almejar mais  subsídios. Por sua vez, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, aproveitou a situação para defender a “reforma tributária”, medida ditada pelos organismos do imperialismo (Banco Mundial) que, justamente, visa facilitar ainda mais a exploração do mercado nacional por corporações imperialistas.

Todos os governantes dos diversos partidos que já passaram pelo Planalto jamais tiveram a verdadeira intenção de desenvolver a indústria, tecnologia e ciência nacionais. Pelo contrário, sempre foi preferível para esses entregar de bandeja todas as nossas matérias-primas a preço irrisório e, depois, importar a preço exorbitante os produtos finais produzidos através das tecnologias monopolizadas pelos países imperialistas, impondo tal situação de submissão nacional aos ditames e caprichos dos monopólios estrangeiros.

Desta forma, se fortalecem a semifeudalidade e o latifúndio, que vende suas commodities (juntamente com a grande burguesia) para essas empresas imperialistas. Do outro lado, a imensa maioria do povo, operários, camponeses, pequena e média burguesias, através da baixa sistemática do salário no caso dos operários; quebradeira das pequenas e médias empresas, e roubo contínuo das finanças do Estado pelos monopólios, que fazem e desfazem, chantageiam e impõem condições para ficar no país e “manter os empregos”.

 

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