AM: Massas protestam contra falta de oxigênio e colapso do sistema de saúde

A crise sem precedentes que atinge o estado do Amazonas, principalmente a capital Manaus, revoltou familiares de pessoas internadas com Covid-19 no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.

A avenida Mário Ypiranga, no bairro Adrianópolis, zona Sul de Manaus, foi fechada no dia 14 de janeiro, exigindo solução dos problemas e o direito mínimo à vida, negado pela negligência dos governos.

O ato expôs a situação caótica pela qual passa a cidade de Manaus, como retrato fiel da crise que ceifou a vida de mais de 230 mil brasileiros. Segundo os familiares, devido à falta de cilindros de oxigênio no estado, pacientes estão tendo seus aparelhos precarizados ou desligados, tudo isso para poupar o produto que está em falta. Aqueles que não morrem em decorrência direta da pandemia, morrem pela negligência dos governantes.

Familiares indignados com descaso do Estado fecham via  exigindo medidas em Manaus. Janeiro de 2020. Foto: D24AM.

“Chegou a informação que iam diminuir o oxigênio e tem pacientes que precisam de 15% do oxigênio e eles queriam diminuir para 6%. Eles chegam e não pedem licença, eles chegam lá e diminuem. O meu paciente tem 81 anos, a médica chegou lá e diminuiu o oxigênio dele, e ele de 90, que é uma saturação boa, caiu para 7. Eu sendo acompanhante sabia que ele precisa daquilo pra viver, fui lá apertei o botão e o oxigênio”, denunciou Nathalie Batista, que trabalha como cuidadora de idosos.

O racionamento de oxigênio vem em um momento em que pacientes estão sendo transferidos para outros estados como Ceará, Goiás, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Distrito Federal, por conta da falta do produto e pela falta de leitos disponíveis.

Durante as últimas semanas o sistema de saúde do Amazonas entrou em colapso. As cenas mais parecem de filmes de terror, com médicos levando cilindros de oxigênio nos próprios carros para os hospitais, familiares tentando desesperadamente comprar o insumo, até câmaras frigoríficas foram instaladas nos cemitérios de Manaus, dado que não há mais espaço para enterrar pessoas. A crise é tanta que as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram canceladas no estado.

O governo do Amazonas decretou toque de recolher por 10 dias na cidade, devido à gravidade da situação.

 

Crimes contra a humanidade

Diante da crise no Amazonas, e do genocídio que atinge nosso povo, certos personagens ganham destaque por suas atuações desastrosas e criminosas, além do total desdém com a vida do povo pobre. São dignos de serem julgados no Tribunal de Haia por crimes contra a Humanidade.

Primeiro, o general Eduardo Pazuello, que está à frente do Ministério da Saúde, que se mostra incapaz de apresentar um plano concreto de vacinação em massa para a população, prolongando dessa maneira todo o sofrimento do povo. Representante das Forças Armadas, o general da ativa demonstra toda a ineficácia logística desta instituição que após não conseguir seringas, agora não consegue nem transportar oxigênio em níveis exigidos para o maior estado do país.

Em segundo, o vice-presidente e representante da direita militar dentro do governo federal, Hamilton Mourão. Em entrevista no dia 15/01, o reacionário disse cinicamente que o governo “não tinha como prever o que ia acontecer em Manaus” e completou dizendo: “o governo está fazendo tudo que pode”.

A afirmação de Mourão contrasta com a informação dada pelo Procurador da República no estado do Amazonas, Igor da Silva Spindola, que afirmou que o Ministério da Saúde havia sido alertado pelo menos quatro dias antes da crise se instaurar sobre a falta de oxigênio no estado. “O estado não se preparou. E como se não bastasse, a direção de Logística do Ministério da Saúde só se reuniu hoje [14/01] para tratar disso após ser avisada há quatro dias”, afirmou Mourão em entrevista à revista Época.

O Procurador também criticou a falta de logística dos militares que estão à frente do Ministério da Saúde: ”falta de coordenação” do governo federal e de militares de dentro do Ministério. Outro personagem diretamente responsável por toda a crise impulsionada pela Covid-19 é o presidente fascista Jair Bolsonaro. Desde o início da pandemia, Bolsonaro desdenhou do vírus chamando-o inclusive de “gripezinha”. O presidente sempre fez questão de burlar as medidas de isolamento incitando as massas a fazerem o mesmo.

Bolsonaro também se esforçou para deixar o vírus se proliferar: prova disso foram as constantes mudanças de ministros da Saúde, buscando alguém que se submeta a ele no seu plano genocida. Ao final encontrou seu par dentro das Forças Armadas, como havia de ser.

No campo científico, Bolsonaro propagou o negacionismo, estimulando uma obscura campanha antivacina e fazendo propaganda de remédios sem comprovação científica de eficácia no combate ao vírus.

Com essas e outras medidas, o fascista Bolsonaro levou milhares de pessoas a duvidarem da existência ou até mesmo do perigo de contágio do vírus, gudizando uma situação de calamidade pública que poderia ter sido reduzida e até evitada.

 

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