Aeroportos privatizados deixarão de pagar R$ 15 bilhões

Enquanto 66% das famílias brasileiras saíram do ano de 2020 endividadas, e muitas delas sem qualquer ajuda ou perspectiva para pagar suas dívidas, os aeroportos privatizados deixarão de pagar R$15 bilhões ao governo. O pedido será feito pelas empresas sob a justificativa de que é necessário “compensar os efeitos da crise do coronavírus”.

Para as empresas privadas que gerenciam os aeroportos, a pandemia representou a queda do movimento de passageiros nos terminais. E tão logo os primeiros efeitos começaram a ser sentidos pelo setor da aviação privada (que conta, além dos aeroportos, também com as companhias aéreas), o governo brasileiro saiu em seu socorro.

No mês de abril, um acordo estava sendo costurado no objetivo de contemplar Gol, Latam, Azul e Passaredo, além de outras empresas de energia e grandes varejistas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) seria usado neste grande assalto aos recursos públicos.

 Embraer E195-E2, maior jato de passageiros já fabricado no Brasil, entregue à Azul pela Embraer. Foto: Reprodução.

Empresas privadas, prejuízo público

John Rodgerson, estadunidense, dono da Azul, cobrava do governo brasileiro, desde o início da pandemia, que algo fosse feito em benefício de seus negócios privados. Criticava, ainda, o acordo proposto entre a “blue” e o BNDES - em sua visão, era um acordo que prejudicava o seu lado.

Nessas conversas com o governo, em que os empresários alegavam sempre estarem sendo “desvalorizados” e ameaçavam deixar o país, havia também a pressão para que fosse usado o dinheiro do Tesouro Nacional, que seria utilizado nestas operações lesa-pátrias. Outro ponto que sempre ressaltam os empresários era que não deveria haver um “único modelo” para os acordos, mas sim que o governo deixasse em aberto para cada caso.

No caso específico dos aeroportos privados, que têm apontamentos de uma queda de R$ 3 bilhões em suas receitas, haverá o fechamento de acordos que devem acontecer nos próximos meses. E os indícios são de que o governo aceitará “socializar” as perdas. É o que diz o insuspeito monopólio de imprensa O Globo, que divulgou no dia 7 de janeiro uma matéria indicando que a União deixará de receber R$ 15 bilhões dessas empresas.

No final do ano de 2020, no dia 24/12, o governo deu início ao processo de privatização de outros três aeroportos (de Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã). O chamado Programa Nacional de Desestatização (PND) dá seguimento ao processo de privatização destes tipos de empreendimentos públicos federais.

O PND, por sinal, teve início no ano de 2008, durante o governo Lula. O pontapé para a privatização de aeroportos no país foi em torno da unidade de São Gonçalo do Amarante, em Natal (RN), no Programa Nacional de Desestatização. Esta foi a primeira privatização federal desse tipo na história do país. Luiz Inácio assinou um decreto em que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)  ficaria, a partir de então, responsável por este tipo de empreendimento.

Durante a construção deste aeroporto no Rio Grande do Norte houve suspeitas de “irregularidades” e as obras passaram a ser então conduzidas pelo Batalhão de Engenharia do Exército. O custo das obras foi estimado em R$ 85 milhões, na época.

 

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Paula Montenegro
Taís Souza
Rodrigo Duarte Baptista
Victor Benjamin

Ilustração
Paula Montenegro