PA: LCP denuncia ataque criminoso contra o Acampamento Osmir Venuto

Na madrugada do dia 14 de dezembro, pistoleiros a mando do latifúndio invadiram o Acampamento Osmir Venuto, queimaram casas e feriram camponeses. O Acampamento atacado fica localizado em Eldorado dos Carajás, sul do Pará, e é organizado pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

Segundo relatos dos camponeses, por volta de meia noite as famílias foram acordadas ao som de disparos de arma de fogo. Neste momento, os pistoleiros iniciaram a invasão de barracos e os incêndios nas casas. Os camponeses relatam que os pistoleiros usavam roupas camufladas e portavam armas de grosso calibre.

Buscando refúgio, as famílias desataram uma fuga pela mata. Várias pessoas, entre elas idosos e crianças, ficaram feridas. Uma senhora portadora de necessidades especiais foi retirada da área por outros camponeses em meio ao ataque.

Casas e pertences de camponeses são incendiados por pistoleiros no Pará. Foto: Banco de Dados AND.

Imagens registradas pelos camponeses demonstram que o fogo consumiu casas, animais e veículos. Eles relatam ainda que seus pertences, como roupas e documentos, também foram perdidos nas chamas.

Em nota emitida em 16/12 pela Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres, os camponeses afirmam: “Ataque ao Acampamento Osmir Venuto é crime premeditado, anunciado e acobertado pela ditadura genocida dos generais e Bolsonaro”.

As famílias, que há oito anos vivem no local, travam uma intensa luta pela terra na área, que integrava a antiga fazenda Surubim, cujo suposto proprietário é Almikar Farid Yamim, latifundiário e grileiro de enormes proporções de terras públicas, fato comprovado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A Comissão afirma em nota: “Não custa lembrar: no Pará, e particularmente nesta região, a fraude nos grilos é tão gritante que nos cartórios de registro de imóveis estão falsamente documentadas áreas que, somadas, ultrapassam 4 vezes a área do estado. Como se o estado do Pará tivesse 4 andares!”.

Declara ainda que esta é uma das regiões de maior disputa pela terra do país, onde atuava o sanguinário e criminoso de guerra Major Curió. De acordo com a nota, a região “é o berço do agrupamento paramilitar, braço armado do latifúndio, conhecido por UDR [“União Democrática Ruralista”], que jamais foi desmontado por Itamar, FHC, Lula, Dilma e Temer, e que agora tem seu chefe Nabhan Garcia, miliciano e assassino, comandando a Secretaria de Assuntos Fundiários de Bolsonaro. Onde a Vale, JBS, o filho do Lula, e agora os sojeiros, disputam o butim das riquíssimas terras roubadas da União e massacram os camponeses”.

A região também já foi palco de um dos maiores episódios da luta pela terra no Brasil, conhecido como “Massacre de Eldorado dos Carajás”, ocorrido em 17 de abril de 1996, quando, em uma ação de despejo, 150 policiais sem identificação assassinaram 19 camponeses e feriram 69. Outro episódio de repercussão nacional foi a chacina de Pau D’Arco, no dia 24 de maio de 2017, evento em que dez camponeses foram executados a sangue frio por policiais encabeçados pela Delegacia Especializada em Conflitos Agrários (DECA), na fazenda Santa Lúcia, na cidade de Pau D’Arco, no sudoeste do Pará.

A Comissão denuncia também: “E mais ignominioso ainda é mais este crime contra os camponeses brasileiros porque o ataque foi executado em meio à pandemia da Covid-19, que já matou quase 220.000 (duzentos e vinte mil) brasileiros (as) menos pelo vírus em si e muito mais pelas péssimas condições de vida e de saúde da grande maioria de nossa sofrida população. Pandemia em que os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres”.

Por fim, declara: “Os camponeses, afirmamos, não vão deixar de lutar jamais! Com toda esta repressão, com o massacre de Eldorado dos Carajás, com o massacre de Pau D’Arco, com a operação de guerra da Forkilha, com o assassinato de dezenas de camponeses, religiosos e advogados, como o querido Gabriel Pimenta em 1982, aqui e ali, enquanto não acabar de vez tanto roubo de terras, tanta exploração e tanta injustiça, vai brotar e surgir com força redobrada a luta pela terra de camponeses, indígenas e quilombolas e atingidos por mineração e barragens”.

 

 

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