Embaixador e secretários norte-americanos são recebidos de peitos abertos por lacaios brasileiros

O embaixador norte-americano Todd Chapman e o secretário de Estado Tony Blinken desembarcaram em solo brasileiro no início de fevereiro. Durante suas visitas, sempre muito benquistas pelo establishment brasileiro, duas se destacam: uma com Jair Bolsonaro e outra com Hamilton Mourão. Como forma de manter a relação entre a superpotência hegemônica única e o Brasil, os representantes do novo governo ianque (Estados Unidos, USA) finalizaram uma série de acordos, além de encaminharem outros.


Em reunião com o ministro Ernesto Araújo, Bolsonaro esteve presente. A expectativa criada pelo fato de que o presidente fascista, apoiador de carteirinha do derrotado e processado Donald Trump, pudesse tomar mais robustez dissipou-se. Em publicação no Twitter, Araújo comemorou, grifando que está sendo construída “uma parceria profunda entre o Brasil e os USA”.

Diplomacia, pólvora e dominação imperialista
São tantos os interesses ianques em relação ao nosso país, e tão desavergonhada a discurseira diplomática tupiniquim, que caberia perguntar ao senhor Araújo se os eleitores brasileiros participaram da eleição de Joe Biden. O Itamaraty declarou o seguinte: “Identificaram [os dois países] ampla agenda de ação conjunta em temas comerciais e de investimentos, na defesa e promoção da democracia, na questão do clima e meio ambiente, em direitos humanos e no enfrentamento da Covid”.
A postura de Araújo foi bem diferente daquela adotada por Bolsonaro logo após a vitória eleitoral de Joe Biden. Em meados de novembro, Bolsonaro respondeu diretamente à posição colocada por Biden durante sua campanha1. Nessa ocasião, Bolsonaro afirmou que “apenas a diplomacia não dá, né, Ernesto. Porque quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, se não, não funciona”.
Ao lado da compra de commodities do latifúndio brasileiro feita pelo USA, a base espacial de Alcântara é ainda outro elemento chave para Joe Biden. A base, que é cavalo de tróia para o estabelecimento de uma base militar ianque em território nacional, foi lembrada durante a visita dos diplomatas. Em ofício enviado diretamente para o embaixador Todd Chapman, o senador do Maranhão Roberto Rocha (PSDB) convidou o governo ianque a visitar o Centro de Lançamentos da Base de Alcântara. Rocha, que é presidente do Grupo Parlamentar Brasil-USA no Congresso, defende que o acordo lesa-pátria irá mudar positivamente a realidade da população quilombola afetada.

A política colonial do ‘novo’ governo ianque
O grupo Redes no Estados Unidos pela Democracia no Brasil (formado por ONGs oportunistas e ligadas ao Partido Democrata) entregou, nos primeiros dias de fevereiro, um dossiê no qual pedem que o Congresso do USA realize uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Amazônia. O relatório, que já foi entregue a Joe Biden, é uma forma pela qual o establishment ianque pode vir a negociar (leia-se, chantagear) com o governo brasileiro no sentido de aprovar todos os acordos lesa-pátria.
As porta-vozes Kristina Rosales e Jennifer Rene Psaki, em entrevistas representando a posição da Casa Branca, sede do governo de Biden, não se cansam de repetir que a parceria econômica com o Brasil é estável e está intocável. E, buscando demonstrar que é uma parceria benéfica para o nosso país, afirmam que, por meio do Usaid (agência ianque para o “desenvolvimento internacional”), foram enviados 1,5 milhão de dólares para “enfrentamento à pandemia” – quantia irrisória frente ao necessário.
Kristina Rosales tocou na questão ambiental, tema sobre o qual a administração Biden vai se debruçar em 22 de abril na cúpula sobre clima. Ela diz que há cooperação de vários anos com o setor privado brasileiro na questão, ressaltando que isso se dá, também, devido ao “trabalho que o USA faz com as ONGs locais na região da Amazônia”. Ela destacou, ainda, outras parcerias semelhantes na fronteira com Peru e Colômbia.
Como já afirmou durante a campanha presidencial, Biden vai fazer do desmatamento na Amazônia a principal plataforma para a relação com o Brasil. Por trás dessa cínica preocupação escondem-se os interesses econômicos dos monopólios norte-americanos por apoderar-se das riquezas naturais aqui presentes, os quais atravessam grave crise de superprodução relativa.
Confirmando a posição lacaia, em 17 de fevereiro, John Kerry, secretário indicado pelo governo ianque para tratar do clima, reuniu-se com Araújo e Ricardo Salles para discutir sobre a Amazônia. O ministro do desmatamento do Meio Ambiente divulgou um vídeo em seu Twitter em que afirma que se estabelecerá uma “parceria com o governo que se inicia, dos USA, para tratar de diversos temas”.

Uma relação nociva ao País e à Nação
De acordo com os dados mais recentes (que são do ano de 2018), o USA é o maior investidor direto no Brasil. Sua inversão de capitais para cá chega na casa dos 134,1 bilhões de dólares.
Em 2020, concluíram-se três acordos entre os países. Assinados no dia 19 de outubro, os acordos facilitaram o “comércio, boas práticas regulatórias e anticorrupção”. Tratavam diretamente da abolição de barreiras tarifárias para produtos, para simplificação ou extinção de certos trâmites burocráticos, favorecendo, portanto, os exportadores. Acontece que os maiores favorecidos nessa relação são os ianques, que aportam 213% a mais que o Brasil.
Essa relação, verdadeira chaga de nossa história presente nos últimos dois séculos, teve um impacto no último ano pandêmico. O comércio diminuiu 25% entre janeiro e setembro de 2020. Terminando por colocar o Brasil em relação de déficit (perda) de mais de 3 bilhões de dólares.
Ainda assim, não faltam sabujos brasileiros a embelezarem e exaltarem tal relação. Entre eles, destaque merecido deve ser dado à direita militar e ao próprio Alto Comando das Forças Armadas, que, durante o regime militar, se beneficiaram largamente da sangria nacional.

Nota:
1. Em campanha eleitoral, Joe Biden afirmou que em uma situação de agravamento das queimadas na floresta Amazônica seu governo imperialista levantaria barreiras comerciais.

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