Arte que retrata a vida e a luta do povo

Apaixonado por pintura e por retratar lutas sociais com as quais se identifica, aos 20 anos de idade o pintor carioca Antônio Kuschnir cria sua arte com muita responsabilidade, enxergando-a como ferramenta a serviço da luta do povo, principalmente a dos camponeses contra o latifúndio. Aluno da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antônio dedica a sua produção acadêmica e uma parte do seu trabalho em geral a uma arte que considera estar cumprindo o seu papel social de servir ao povo.


— Sempre gostei de desenhar e pintar, fui uma daquelas crianças que era só ter um lápis ou giz de cera na mão que já começava a querer rabiscar alguma coisa. Embora não tenha alguém na minha família que trabalhe com arte, desde muito cedo, aos 14 anos de idade, comecei a perceber que era isso que eu queria fazer na vida, profissionalmente, e assim fui me aprofundando no assunto, trabalhando – conta Antônio.
Mais tarde, ingressou no curso de pintura da UFRJ, onde estuda atualmente. Antônio trabalha com tinta a óleo sobre tela, principalmente, e em alguns casos se utiliza de tinta a óleo sobre papel. Além de pinturas, que é a sua maior produção, também faz desenhos e esculturas. O conteúdo retratado segue duas vertentes.
— Um lado do meu trabalho é mais voltado para o cotidiano, a vida, as coisas que acontecem conosco e com as pessoas ao nosso redor. Tudo aquilo que vivo ou vejo pode ser fonte para criação artística: pessoas lendo, descansando, conversando, pessoas tristes, felizes, apaixonadas, com raiva, enfim, essas variações que existem na nossa vida, os altos e baixos – explica.
— E brinco um pouco com a mitologia, lendas, a magia, mas não no sentido idealista, e sim no sentido de tentar analisar a vida real sob uma perspectiva pictórica, artística. Digo que é um lado mais solto do meu trabalho, voltado para os aspectos da cor, da forma, me utilizando de muita pesquisa para retratar um diário visual da nossa vida, das nossas vontades, desejos, as partes boas e as ruins, com um sentido bem pessoal — continua.
O outro lado do seu trabalho, e que considera de muita importância, é voltado para a pintura mais expressamente política.
— Na faculdade, desenvolvi um projeto de pinturas que retratam principalmente a luta pela terra no Brasil. Acredito que a Universidade, principalmente pública, deve servir ao povo, então a pesquisa lá dentro deve ser de acordo com o interesse da grande maioria da população brasileira e a arte não se exclui disso, nesse sentido, desenvolvo esse projeto — expõe.
— Retrato os acontecimentos atuais, questões que estão vivas e incandescentes na sociedade. Entre elas, a luta pela terra, a batalha dos camponeses, nos mais diversos cantos do país, desde que existe o latifúndio e a opressão. Mais especificamente, tenho retratado bastante a luta da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), essa é a minha temática atual. Lustro esse momento dos camponeses que se organizam para resistir às invasões do latifúndio, e com isso faço a propaganda da Revolução Agrária, pela qual eles lutam atualmente.

Arte como instrumento
— Alguns artistas, que dizem ter consciência social, muitas vezes só retratam a miséria, a morte, destruição, enfim, o povo sofrendo. É claro que isso é uma realidade que temos, porém eu gosto também de mostrar um outro lado, que é o da luta, da organização. Os camponeses seguem bravamente resistindo ao opressor, a todos os ataques e se impondo, dando um exemplo para o Brasil nesse sentido — declara Antônio.
— Obviamente a minha linha política influencia a linha artística, por exemplo, retrato com tanta ênfase a luta dos camponeses porque entendo o latifúndio como uma força muito retrógrada, atrasada, improdutiva, parasita, que não traz nada de bom para o Brasil. Acho que a tarefa primordial que temos agora é a luta contra esse sistema tão atrasado, velho, quase feudal, que temos no Brasil e por isso dedico uma parte da minha arte para retratar quem está na linha de frente contra o latifúndio, que são os camponeses pobres e organizados – continua.
— Acredito que a arte deve atender questões sociais que assolam o nosso país, por exemplo, a luta por uma democracia verdadeira, que inclusive nunca existiu, desde a colonização até a falsa independência. O Brasil nunca deixou de ser um país dominado pelo latifúndio e pelo imperialismo, e essas montanhas que atrasam o país são muito importantes de serem retratadas — denuncia.
Além da luta pela terra, Antônio representa nas suas pinturas os acontecimentos que considera importante no Brasil e no mundo.
— Em 2019, quando ocorreram as grandes manifestações no Chile eno Equador, eu fiz pinturas que ilustraram esses momentos. Mais recentemente, quando aconteceram os levantes de maio no Estados Unidos, retratei a luta do povo estadunidense contra o imperialismo e o racismo. Enfim, dedico toda a minha produção na universidade e boa parte do que faço fora dela à luta do povo contra as opressões e a exploração, seja ele indígena, quilombola ou de outras partes do mundo.
— Acredito que é um dever de todo artista, de toda pessoa que trabalha com arte, mostrar o que está acontecendo e apoiar, segundo a sua ideologia. Eu acho que é muito importante que todo artista dedique pelo menos uma parte da sua produção a isso, porque a arte não pode ficar alheia às questões da sociedade. Nós não precisamos sempre fazer pintura panfletária, mas devemos ter essa preocupação — continua.
— Queria deixar um chamado para quem está fazendo arte no país, seja profissional, que vive da arte, ou amador, que faz nos tempos livres: que reflita e dedique uma parte da sua produção para apoiar e divulgar as lutas do povo, principalmente no Brasil, porque a arte é um veículo muito importante de mobilização e conscientização. E que possam também apoiar diretamente essas lutas, através de recursos financeiros.
— Por exemplo, sempre que eu vendo alguma obra que retrata a luta social reverto o valor para a própria luta, seja para os camponeses, em prol das causas que retrato, seja para o próprio jornal A Nova Democracia. Eu admiro muito o jornal e me utilizo bastante das notícias que são divulgadas aqui como referência para realizar as minhas pinturas — conclui Antônio Kuschnir.


Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e @antoniokuschnir (Instagram) são os contatos do artista.

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