Ex-comandante admite ato golpista do Exército contra STF

‘Democracia’ manipulada pelos fuzis dos generais anticomunistas

O Alto Comando do Exército foi responsável pela ameaça golpista explícita direcionada ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 2018. Na ocasião, a ameaça, que tomou forma numa publicação do então Comandante da força, general Eduardo Villas Bôas, via Twitter, foi fundamental para acovardar a ministra Rosa Weber, que modificou seu voto no julgamento do Habeas Corpus de Luis Inácio (“Lula”) e o manteve preso contra os preceitos constitucionais.

A revelação veio da lavra do próprio Villas Bôas, no livro “General Villas Bôas: conversa com o comandante”, lançado pela editora FGV. Segundo o próprio militar reacionário, a mensagem foi escrita “a várias mãos” por generais do Alto Comando. Nela se estampou que o Exército “se mantém atento às suas missões institucionais”.

“O texto teve um ‘rascunho’ elaborado pelo meu staff e pelos integrantes do Alto Comando residentes em Brasília. No dia seguinte da expedição, remetemos para os comandantes militares de área. Recebidas as sugestões, elaboramos o texto final, o que nos tomou todo expediente, até por volta das 20h, momento que liberei para o Setor de comunicação do Exército para expedição”, admitiu ele.

O teor do texto, de que o Exército “se mantém atento às suas missões institucionais”, é criminoso. Da verve do próprio Hamilton Mourão, qualificado por Villas Bôas como “um grande soldado”, vem a interpretação segundo a qual uma das missões das Forças Armadas, segundo o artigo 142 da Constituição, seria a “defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, ou seja, a permissão para um golpe militar nessas condições.
Villas Bôas, no livro, também relata que a motivação para tal publicação foi a de “evitar convulsão social” e dar resposta aos pedidos de intervenção militar, que pululavam na opinião pública reacionária.

Além de uma escandalosa ameaça de golpe militar, o ato é absolutamente ilegal e criminoso, independente de seu conteúdo, devido a que, segundo o decreto 4346, de 2002, é proibido que chefes militares opinem sobre o processo político sem prévia autorização.

A admissão de um golpista e o plano da direita militar
Conforme denunciado e analisado abundantemente por AND, além de explicitado como nunca na admissão de um ex-comandante golpista, existe um processo de golpe de Estado militar contrarrevolucionário preventivo ao inevitável levantamento de massas frente ao incremento sem igual da exploração econômica e da opressão político-militar.

Tal ofensiva contrarrevolucionária iniciou-se como Operação “Lava Jato”, centralizada por determinado setor das Forças Armadas reacionárias. Conforme denunciamos em Editorial de AND 205 (março de 2018): “Desde o início da Operação ‘Lava Jato’ temos afirmado a ação de uma ‘mão oculta’ manejando a campanha anticorrupção, no objetivo imediato de limpar a fachada das principais instituições do Estado, desgastadas e desmoralizadas na opinião popular, e salvar seu sistema do rechaço completo pelo povo, como a crescente abstenção eleitoral (além dos votos nulos e brancos) atesta, transformando-se em subversão aberta. Tal manejo operado pelo Ministério Público e Judiciário, secretamente centralizado por determinada seção do ACFA, é inspirado pela Embaixada ianque e conta com as trombetas da Rede Globo”.

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