Inezita rainha da moda

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Da biblioteconomista Ignês Magdalena Aranha de Lima, formada em 1946 pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, USP, pouquíssimas pessoas podem dizer que conhecem ou que ouviram falar. Mas de Inezita Barroso, cantora paulistana — nascida perto da casa do poeta, musicólogo e compositor bissexto também paulistano Mário de Andrade —, poucos são os que não ouviram falar; menos ainda os que não a aplaudem por sua excepcional garganta — de mezzo-soprano (ou de ouro) — e pelo primoroso repertório que apresenta em grande estilo a um público que se multiplica Brasil afora desde os princípios dos anos 50. Foi a partir dos anos 50, e após curta temporada no centenário Teatro Santa Isabel, de Recife, que Inezita Barroso passou a marcar presença no cenário da música brasileira. Foi também lá, em Recife, e depois das apresentações bem-sucedidas no Santa Isabel que ela assinou pela primeira vez um contrato, de dois meses, com uma emissora de rádio, no caso a Rádio Clube de Recife. E quem a indicou à direção dessa rádio foi o compositor e instrumentista pernambucano de Surubim, Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba (1904-97), autor de Maria Bethânia (1944) e de Madeira que Cupim não Rói (1963), entre outros sucessos gravados por artistas do quilate do gaúcho Nélson Gonçalves ou do carioca Chico Alves, o Rei da Voz; ou da portuguesa Amália Rodrigues, a Rainha do Fado, fora ainda os frevistas de primeira hora Claudionor Germano e Antônio Nóbrega, que são alguns dos mais fiéis intérpretes da sua imensa obra.

 

Inezita Barroso, que foi amiga de Amália Rodrigues, poderia adotar para si o título de Rainha da Moda-de-viola. Pegaria bem: Rainha da Moda, já que do seu repertório fazem parte muitos clássicos desse gênero musical, comum no interior de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e até Rio de Janeiro. Mas há quem a chame de “Dama da música caipira” ou “Rainha da música caipira”, como a poeta repentista Mocinha de Passira; e de Madrinha dos caipiras, na expressão cunhada na segunda metade dos anos 90 pela dupla Pena Branca & Xavantinho. Mas ela só ri e dá de ombros ao ouvir isso, dizendo não ligar muito para “essas bobagens, esses rótulos bonitos, pomposos, que pouca coisa, porém, representam”.

E o que ela tem representado para a música popular brasileira nos últimos 50 anos? Depois de uma risada, Inezita procura se desviar da pergunta, garantindo que sempre cantou e gravou apenas o que o seu coração e a sua sensibilidade mandaram; isso desde os tempos de criança, ali pelos sete anos, mais ou menos, quando a mãe, dona Inês, a apresentava orgulhosamente às amigas para cantar nas festinhas de aniversário dos filhos. Cantar e tocar, diga-se de passagem, com o violão afinado pelo pai, seu Olinto, que não sabia tocar, mas sabia afinar um violão como ninguém. Ela mesma é quem recorda, saudosa:

— Meus pais sempre me incentivaram a seguir a carreira de artista. Levaram-me a estudar violão, viola, piano e canto com a musicista Mary Buarque, por exemplo. Até folclore estudei com um dos maiores professores de História da Música e de Folclore Nacional do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, o historiador paulista, de Itapetininga, Rossini Tavares de Lima (um dos fundadores do Centro de Pesquisas Mário de Andrade). Foi bom. Nas minhas férias, ainda bem pequena, eu ouvia os violeiros do interior paulista e a eles eu pedia que me ensinassem a cantar e a tocar. Quer dizer, eu sempre estive de alguma maneira ligada às coisas do povo. Então, claro, eu não poderia resultar em coisa diferente, né? Eu canto o Brasil, e me orgulho muito disso.

Inezita Barroso canta e toca o Brasil desde pequenininha, pode-se dizer. É PhD nessa matéria. Virou professora de Folclore na Universidade Capital (Unicap) e da Unifai de Vila Mariana, onde ministra o curso de Estudos Brasileiros.

De 1945 a 1973, a intérprete de Moda da Pinga, Ronda, Lampião de Gás e Perfil de São Paulo, entre outras músicas que transformou em clássicos, ensinou canto, violão e piano a pelo menos duas centenas de alunos. Em Minas Gerais, foi professora durante três anos de Folclore e de Música Popular Brasileira, no Conservatório Estadual de Pouso Alegre, e também da Universidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo, por um período igual.

Durante muitos anos, Inezita fez questão de viajar sozinha em cumprimento a compromissos musicais, dirigindo o próprio carro. Hoje, tem no amigo Rivaldo Corulli — um misto de diretor do programa Viola, minha viola, produtor e secretário particular — a pessoa certa para lhe acompanhar nas andanças pelo País.
— Nos afinamos muito bem — diz ela, com visível satisfação.

Foi Corulli, junto com Chico Pardal, da gravadora paulistana Atração, o responsável pela seleção musical — impecável, diga-se — do primeiro de uma série de seis CDs que está sendo lançado para lembrar os 25 anos do programa que apresenta na TV Cultura de São Paulo. O disco tem por título Clássicos da música caipira. No repertório, foram incluídas algumas duplas históricas que passaram pelo Viola, como: Tião Carreiro & Pardinho, cantando Pagode em Brasília; Tonico & Tinoco (Chico Mineiro), Pedro Bento & Zé da Estrada (Museu de Cristo), Liu & Léo (O Ipê e o Prisioneiro), entre outras.

Entre os únicos quatro discos de 10 polegadas que gravou a partir de 1954 até 1958, há dois sugestivamente chamados de Coisas do Meu Brasil e Lá Vem o Brasil, lançados pelas extintas RCA Victor e Copacabana, ainda nos anos 50.

Mas o que é que ela e Mário de Andrade têm em comum?

“Tudo”, diz. Desde a paixão pela música e pelo folclore, até o amor radical pelo “Brasil brasileiro” de que falava o mineiro Ary Barroso.

Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945) era um “quatrocentão” nascido na rua Lopes Chaves, Barra Funda, próximo ao bairro de Campos Elíseos, coração da velha São Paulo.

Inezita Barroso é uma “quatrocentona” que veio ao mundo através de um parto normal feito em sua casa, na rua Lopes de Oliveira (paralela a Lopes Chaves).

— No meu tempo as crianças nasciam em casa, conta.

Menina bem criada e mãe muito cedo, Inezita descobriria em pouco tempo que a vida tranqüila de dona-de-casa não era o que mais desejava. Depois de gerar uma filha — Marta, mãe já três vezes —, mandou o marido plantar batatas.

Coisas de mulher que sabe o que quer.

E lá foi ela, de viola em punho, desbravar caminhos e construir a sua história que começou em disco no mês de outubro de 1952, quando lançou, pelo extinto selo Sinter, Funeral d‘um Rei Nagô, uma canção afro-brasileira, de Hekel Tavares e Murilo Araújo, de um lado; e Curupira, uma canção amazônica, do nortista Waldemar Henrique, de outro.

— Esse disco foi feito de forma experimental, quase de brincadeira. Não tem muita importância na minha carreira — ela acha.

Detalhe: as duas músicas inseridas nesse disco, que jamais foi relançado, trazem o registro da voz e do violão de Inezita Barroso, no auge dos seus 21 anos de idade. É a cantora se auto-acompanhando. No mínimo, curioso.

Mário de Andrade, que chegou a ocupar o cargo de secretário da Cultura de São Paulo em 1938, nasceu em outubro 1893, cinco dias depois de instalado o Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil pelo capitão-de-mar-e-guerra Frederico Guilherme de Lorena, na então capital de Santa Catarina, Desterro, hoje Florianópolis. Mas esta é outra história. Inezita nasceu num mês de março, mais precisamente no dia 4 — domingo de Carnaval —, há 80 anos.

Além de poeta e musicólogo, Mário foi professor e escreveu muitos livros sobre a cultura nacional, incluindo música e dança. Inezita gravou discos, quase uma centena, incluindo os “bolachões” de 78 rpm, e a modinha Viola Quebrada, de Mário, lançada por Patrício Teixeira em 1928 e relançada na primeira metade dos anos 30, por Cândido Botelho.

Muito cedo, na faixa dos nove, dez anos de idade, Inezita Barroso lembra que costumava brincar diariamente na frente da casa onde morava com os pais e o único irmão, Marcos. De patins, que era o brinquedo de que mais gostava. Mas gostava também das chamadas “brincadeiras de moleque”, que incluiam jogos de pião, bola, pipa e corridas de bicicleta. Mas sempre encontrava um jeitinho de escapar até a rua de baixo para ver um pouco, mesmo à distância, Mário de Andrade voltar para casa com seus passos lentos, mas firmes. Ele foi o seu primeiro ídolo, ela mesma é quem revela.

— Mas eu nunca falei com ele, tinha vergonha. E você acha que ele lá ia dar atenção a uma menina, como eu?

Inezita acredita que foi Mário de Andrade quem a levou, inconscientemente talvez, a seguir a carreira de cantora e a optar pela linha sertaneja autêntica.

— Sertaneja de sertão, que fique bem claro — ela reforça, rindo.

Sertaneja como o foram Cornélio Pires, Raul Torres e João Pacífico, por exemplo. E como Manezinho Araújo, o Rei da Embolada; Luiz Gonzaga, o Rei do Baião; e Jackson do Pandeiro, o Rei do Rojão. Entre as mulheres, sertaneja como Carmélia Alves, a Rainha do Baião; Marinês, a Rainha do Xaxado; e Anastácia, a Rainha do Forró. Brasil em primeiro lugar.

Viva Mário de Andrade!

— Eu li quase todos os livros do Mário. Aprendi muito lendo esses livros. Pena que a gente não ache hoje nas livrarias, com a facilidade necessária, os livros de autores brasileiros como Mário de Andrade, Câmara Cascudo...

Alguns dos seus amigos, como Paulo Vanzolini, não entendem como ela, uma “paulistana da gema”, enveredou pelo folclore e pela música, dita, de raiz.

“Inês poderia ter sido a mais importante sambista do País”, ainda aposta o autor de Ronda e Volta por Cima, sambas imortalizados, respectivamente, pela própria Inezita, em 1953, no seu segundo disco; e por Noite Ilustrada, em 1963, ainda na fase dos 78 rpm. Para reforçar sua crença, Vanzolini conta que viu com seus próprios olhos Inezita Barroso arrancar lágrimas dos “negões nos morros cariocas”.

Vanzolini, chamado de “Vanzo” pelos amigos, chama Inezita de “Inês” que o chama de “Paulo”. A história de Inezita Barroso registra passagens por várias emissoras de rádio, além da Rádio Clube de Recife. Ela fez temporadas ou trabalhou nas rádios Bandeirantes, Record, Nacional de São Paulo, e do Rio, no auge das rainhas Emilinha Borba, Marlene e Ângela Maria. Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte; Rádio Jornal do Commercio, de Recife, Farroupilha e dezenas de outras. Por muitos anos, ela apresentou o programa Estrela da manhã na Rádio Cultura, de São Paulo, e em 2004 manteve-se sob contrato na Rádio América, de onde saiu por não se sentir à vontade.

Por sete anos seguidos foi contratada da TV Record e há 25 é a estrela principal de um dos mais importantes e tradicionais programas da televisão brasileira, Viola, minha viola, aos sábados pela Cultura (com reprise nas manhãs de domingos). Esse programa existe desde março, abril, de 1980.

Inezita Barroso passou a fazer parte do programa praticamente por acaso. Quem o apresentava era o compositor Nonô Basílio, junto com o radialista Moraes Sarmento. Um dia, Nonô a convidou para uma entrevista ao programa. Ela foi e se saiu muito bem. Na época, o programa era gravado em estúdio fechado, sem público espontâneo. Querendo voltar à sua terra, Pouso Alegre, em Minas, Nonô sugeriu o nome de Inezita à produtora musical Nídia Lícia para substituí-lo.

— Foi assim que passei a apresentar o programa com Sarmento, isso a partir de agosto de 1980 — conta a cantora.

Mas as passagens de Inezita não se limitam a emissoras de rádio e televisão. Ela também fez recitais em teatros de todo o País, a partir do final dos anos 40, ao lado de grandes declamadores, como o português João Villaret, e teve participação em peças, como O Homem da Flor na Boca, de Pirandello, com Sérgio Cardoso no elenco; O Negrinho Cantador, de Oswaldo Molles; Corinthians, Meu Amor, de Idibal Piveta, fundador do grupo de teatro, dança e música União e Olho Vivo, que existe há quase 40 anos e que já foi visto por um público estimado em mais de 4 milhões de pessoas, no Brasil e no exterior.

No cinema, Inezita chegou a ganhar prêmio de Melhor Atriz, em 1956, por Mulher de Verdade, de Alberto Cavalcanti. Mas ela estrearia na tela grande poucos anos antes, com Ângela, da Vera Cruz, dirigido por Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida. Outros filmes de que participou: Destino em Apuros, primeiro colorido rodado no Brasil e estrelado por Paulo Autran; O Canto do Mar, de Alberto Cavalcanti; É Proibido Beijar, de Ugo Lombardi; Carnaval em Lá Maior, de Ademar Gonzaga; O Craque, primeiro longa-metragem de ficção sobre futebol no país, dirigido por José Carlos Burle; e O Preço da Vitória, de Osvaldo Sampaio.

Nas mais de cinco décadas de uma carreira artística cheia de êxitos, Inezita Barroso, que conhece o Brasil de ponta a ponta, cantou para grandes platéias e platéias seletas em que podiam estar desde presidentes da República, como Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, até o presidente de Portugal Francisco Higino Craveiro Lopes (1894-1964), que além de político era militar, e que ao conhecê-la, nos anos 60, fez questão de escrever no bojo do seu violão: “Venha a Portugal”. Esse violão a artista guarda consigo até hoje.

Durante esse tempo, houve muitos casos engraçados.

Inezita lembra que certa vez ao atender a um telefonema perguntou quem estava do outro lado da linha. A resposta foi rápida: o presidente da República.

— Imagina! Furiosa, soltei uns palavrões, xinguei e desliguei o telefone. Logo depois recebi outro telefonema, dessa vez do assessor do presidente, dizendo que era mesmo o presidente quem acaba-ra de me ligar. Fiquei pasma. E não é que era mesmo ele, o Juscelino Kubitschek, que a gente na intimidade chamava de Nonô?

Noutra ocasião, Juscelino telefonou para pedir a sua presença no Palácio. Era um fim-de-semana.

— Comprei um vestido branco, lindo, e desembarquei em Brasília. Ao me levarem à presença do presidente, eu o encontrei muito à vontade, com os pés sobre a mesa de trabalho. Aí ele pediu para eu tirar meus sapatos e também ficar à vontade. Comecei a tocar e logo o ambiente ficou cheio de gente.

E já era noite alta quando o presidente determinou que um avião fosse até Minas buscar o Madrigal.

— Foi uma noite maravilhosa aquela, que varou a madrugada, fazendo dona Sara pedir licença para ir dormir — recorda Inezita.

Há outras histórias. Muitas. Ela conta que uma vez estava gravando o Viola, Minha Viola quando algumas pessoas da platéia começaram a rir.

— A música que eu estava cantando não tinha nada a ver com aqueles risos, não era engraçada. Pelo contrário. Foi quando de repente me dei conta de que o meu vestido havia caído... Ridículo!

Noutra ocasião, também durante a gravação do programa, uma mariposa achou de invadir o set de gravação e azucrinar a apresentadora que, aliás, detesta mariposa mais do que ninguém. E ela, a bichinha, foi pousar exatamente em cima da câmera que registrava a performance da artista. — Fiquei louca! E mandei parar tudo, até que retirassem a mariposa do lugar.

De mariposa, não. Mas de pássaros e cachorros Inezita cuida direitinho, tanto que tem dezenas deles em casa, um apartamento localizado nas proximidades da avenida Angélica, em São Paulo. Inezita também gosta dos festejos juninos, natalinos e carnavalescos. Quase todos os anos ela desfila na avenida, pela Escola de Samba Gaviões da Fiel, como boa corinthiana que é. — Este ano não deu, pois andei um pouco adoentada e com muitos compromissos, além dos preparativos para as comemorações dos meus 80 anos no Sesc Pompéia, a gravação do primeiro DVD e outras coisas mais — justifica.

Nos últimos 20 anos, ela foi tema de quatro escolas em São Paulo e personagem de algumas músicas. As escolas que a homenagearam até aqui, foram: Oba, Oba, de Barueri; Combinados, de Sapopemba; Pérola Negra, da Vila Madalena; e Mocidade, de Paulínia, essa última no ano passado, com o enredo Uma Diva em Tom Maior.

Neste mês de março o Sesc Pompéia vai inaugurar uma grande exposição fotográfica, retrospectiva da carreira da cantora dos caipiras. Um livro sobre a sua vida, ainda sem título, também está sendo escrito pelo jornalista Arley Pereira.

Nas noites dos dias 3 e 4 de março, em que se apresentou no teatro Sesc pompéia, na zona oeste de São Paulo, Inezita, a paulistiníssima intérprete das canções do povo cantar, cantou as músicas que tratam da urbanidade e do mundo caipira. Lá fora, a fila dava volta no quarteirão, lá dentro, no palco, a artista era aplaudida a cada final de música. Ela, aos 80 anos, emocionada, apenas sorria e aplaudia.

Na primeira parte do show o repertório foi A Voz do Violão, Mestiça, Lampeão de Gás, Perfil de São Paulo, Cais do Porto e Viola Quebrada. Na segunda parte, Perto do Coração, Do Lado que o Vento Vai, Paineira Velha, Pagode em Brasília, Rio de Lágrimas, Flor do Cafezal e Boiadeiro Errante.

No primeiro dia de apresentação, Inezita fêz-se acompanhar do violeiro Roberto Corrêa e de um conjunto criado especialmente para as duas ocasiões, sob a batuta do mestre Théo de Barros, autor de Disparada junto com Geraldo Vandré. Na noite de 4 de Março, um grupo de folia de reis de São Luiz de Paraitinga, formado por uma trintena de artistas populares, juntou-se às emoções de Inezita e do público. Tudo foi filmado pela TV Cultura e em breve transformado num DVD. A noite foi encerrada com Lampião de gás, de Zica Bergami, com toda a platéia acompanhando a cantora, num desfecho emocionante. Conforme declarara antes, Inezita não cantou Ronda de Paulo Vanzolini:

— Não sei se vou cantar essa música, pois eu soube que o Paulo não gosta da minha interpretação...

Entre os artistas presentes estavam: as Irmãs Galvão, Sérgio Reis, Silvio Brito, Katia Teixeira, Janaína da Viola, Socorro Lira, Rodrigo Matos, Fernando Deghi, Francisco Araújo, que foi aluno de Segóvia; e a orquestra de violeiros da universidade livre de música Tom Jobim, sob a regência de Rui Tanese. Emocionada, a paraibana Socorro Lira — que está lançando os cds Pedra de amolar a Zé Marcolino e Cantigas de bem-querer, pela gravadora paulistana Atração — disse após o espetáculo:

— Inezita Barroso é realmente uma artista que todo o Brasil deve se orgulhar. Ela é fantástica! A homenagem que a Tv Cultura lhe está fazendo é importante e necessária para que ela jamais caia no esquecimento. É um exemplo para as novas gerações.

Uma noite antes dos dois espetáculos no Sesc, uma missa era celebrada na Igreja de Santa Tereza, no bairro de Higienópolis, a pedido da filha Marta. Igreja também lotada por amigos e fãs em geral. Num certo instante, a dupla caipira Irmãs Galvão disse alto “parabéns, Inezita”, isso foi o suficiente para que um coral improvisado cantasse a canção “parabéns pra você”, com direito a muitas palmas no final.

— Estou vivendo os momentos mais felizes da minha vida.

Em toda a sua vida Inezita Barroso só compôs uma música, que jamais gravou; e que também jamais revelou a quem quer que fosse. É um samba-canção.

Com exclusividade para este jornal, Noite de Junho:

Noite de junho
A lua brilha medrosa
E a garotada
Correndo pela calçada
Um delírio de cores
E essa noite custando a passar
A fogueira queimando no chão
Outro fogo no meu coração
Noite de junho
Sereno da madrugada
Lua vai descansar
Garoa vai embora
Vento leva cinzas
Para outro lugar
Noite de junho...

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