Uma mulher e tanto

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São Paulo – Carmélia Alves, 82 anos de vida completados agora há pouco — no dia 14 de fevereiro — nasceu num dia de carnaval, como Pixinguinha, Inezita Barroso... Palmas, que ela merece! Carmélia Alves, uma dama, exemplo de cidadã brasileira, é um pedaço importante da história musical do Brasil dos últimos 50 anos.

É uma intérprete por completo da nossa música popular. Uma artista que começou a gravar em 1943 e que, de lá para cá, nunca mais parou. Faz com gosto tudo que faz. É otimista até à medula. Azar e pessimismo são palavras que não constam no seu vocabulário. Tristeza, ela procura ignorar. Prefere a alegria.

Carmélia vive cada instante com a intensidade do bater de uma onda na praia ou de uma tempestade em alto mar. Ela tem a força de um gigante, de uma leoa a defender seus filhotes com unhas e dentes; no caso, a defender como pode as cores do Brasil que tanto ama.

É uma mulher para quem o tempo parece não passar. Ela que faz no seu dia-a-dia a contínua invenção da sua própria vida; vida que festeja com alegria todas as horas, todos os dias. No seu primeiro disco, de 78 rpm, gravou de um lado o samba Deixe de Sofrer, de Horondino Silva e Popeye do Pandeiro; e do outro, a batucada Quem Dorme no Ponto é Chofer, composto por Assis Valente especialmente para ela. Carmélia sempre teve pressa de viver e necessidade de esquecer a infelicidade, quando pinta.

Na gravação da batucada do baiano Valente, um dos principais e preferidos compositores da portuguesa Carmen Miranda, que Carmélia imitava tão bem na adolescência, pode-se, com alguma calma, identificar o coral que a acompanha formado por Nélson Gonçalves, que estreara em disco dois anos antes, em 1941; Nuno Roland, Maria Batista e Ciro Monteiro; no regional, Benedito Lacerda e Raul de Barros, na flauta e no trombone, respectivamente. Precisava mais? A partir daí, Carmélia passou a gravar os mais diversos ritmos brasileiros, do frevo ao xaxado, do xote ao maracatu, do forró ao calango, do maxixe ao arrasta-pé, da canção ao xem-nhem-nhem, da toada ao choro, da marchinha ao cateretê, da chula ao balanceio, da polca ao mambo, da embolada à bossa nova, do carimbó ao baião; gênero do qual, aliás, se tornou “rainha” por mérito e reconhecimento do próprio Luiz Gonzaga, o rei... Isso em 1950, na capital pernambucana — mesmo lugar em que despontou para o estrelato a Rainha da Moda, Inezita Barroso.

A cantora gravou 55 discos de 78 rpm, vários compactos simples e duplos de 33 e 45 rpm, Lps e CDs, mais um DVD que sairá daqui a pouco, provavelmente pela Som Livre. Participou de filmes e correu o mundo, indo até as longínquas terras árabes, depois de conhecer toda a Europa. Foi a primeira cantora brasileira a gravar discos na Rússia. Também gravou na África, Portugal, Itália...

Essa mulher é uma deusa que desconhece um inimigo que seja. Ela é só coração, emoção, um marco da maior importância deste Brasil, que o diga o poeta da terra dos faraós, Peter Ludwig Alouche...

Agora Carmélia está se preparando para participar de mais um filme. Um, não; dois: o primeiro biográfico, sobre o seu amigo Humberto Teixeira, ainda sem título definido; e outro musical, reunindo as “cantoras do rádio”: Ellen de Lima, Carminha Mascarenhas, Violeta Cavalcanti e ela própria, com muitos causos sobre suas amigas Carmen Miranda, Isaurinha Garcia, Dalva de Oliveira e as irmãs Linda e Dircinha Batista.

Este ano de 2005 promete.

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